24 de maio de 2010

Disquetes: Uso sustentável



Por Adrian Rupp

Em primeiro lugar não estou sugerindo neste artigo o uso do disquete como única midia de armazenamento de um computador, mas que se garanta os meios para que seja possível usar um computador mesmo que a outra midia de armazenamento fique inutilizada.

Resolvi analizar a questão do disquete em particular pois esta midia está caindo em desuso, e sua potencialidade é desconhecida, principalmente em computadores mais antigos. Sempre é melhor aproveitarmos o que já possuímos então ignorem este artigo se já possuem computador
com drive de CD, disco rígido, etc. e se teriam que comprar drive de disquete e caixas de disquetes. Prefiram usar mídias que estão bem estabelecidas na comunidade, ou seja, com
várias unidades disponíveis.



Vantagens do uso de disquetes

Existe todo um discurso para nos convencer de que o que temos não serve e precisamos comprar coisas novas então nem vou tratar das desvantagens do uso de disquetes que é muito fácil
descobrir. Prefiro citar as vantagens:

- Funciona em computadores antigos
Isto é uma grande vantagem pois é possível encontrar computadores antigos de graça ou por
preços mínimos. Além disso, no geral computadores mais antigos consomem menos energia.

- Midia desvalorizada
Por serem desvalorizados, os disquetes usados podem ser encontrados de graça ou por valores
mínimos.

- Menor consumo de energia
Em valores absolutos, o drive de disquete consome menos energia do que o disco rígido ou drive de CD ou DVD.



Medidas para um uso sustentável e seguro

Para usar um sistema baseado em disquetes podemos tomar algumas medidas para utilizarmos esta tecnologia por um longo perído de tempo. Algumas sugestões:

- Reserva de mídias: Sugiro que se compre um caixa de disquetes novos e se mantenha fora de uso. Os disquetes se desgastam com o uso, mas se estiverem fora de uso se convervam mais. No total sugiro 1 caixa de disquetes virgens, e 3 caixas de disquetes em uso.

- reserva de drive e cabo
Tanto o drive de disquete quanto o cabo flexível que ficam dentro do gabinete do computador podem estragar portanto sugiro ter um drive e um cabo reserva.

- Backups
Mantenha cópias de segurança de todos os programas e arquivos. Dependendo do caso, quarde as copias em ambiente diferente. No caso de conteúdos mais importantes, não mantenha uma, mas sim duas cópias de segurança.

- Manutenção
Siga as orientações de conservação de disquetes e drives para ampliar a durabilidade.

- Descarte
Não jogue fora nada! Sempre tente consertar. Guarde Peças que podem ser usadas para consertar outras unidades. Peças também podem ganhar novos usos criativos. Ou repasse para alguma comunidade onde seja útil. Em último caso desmonte e coloque no lixo reciclavel.



Opções de S.O.


Kolibri

KolibriOS é um sistema operacional que funciona a partir de um único disquete. Ele precisa apenas de 8Mb de RAM e CPU 586 ou Pentium. É impressionante ter um ambiente gráfico e tantas funcionalidades usando apenas um disquete. Uma vez carregado na memória RAM é possível abrir imagens .bmp .jpg .png, editar imagens .bmp, editar textos .txt, usar vários jogos, calculadora, calendário, etc. Ele dispensa teclado mas exige mouse.
Tenho dúvidas se é possível utilizá-lo como único sistema operacional, não consegui formatar um disquete com ele por exemplo, mas recomendo ter tres disquetes com este sistema. Um inconviniente é que só está disponível em Inglês e Russo, e outro é que não reconhece os
teclados brasileiros (teclas ficam fora do lugar). Também não reconhece arquivos com acentuação.

Site do KolibriOS: www.kolibrios.org (em inglês)
Link para Download:
http://www.kolibrios.org/load.cgi?f/releases/kolibri_0.7.7.0_img_en.7z



DOS

DOS é provavelmente o sistema operacional mais usado para disquetes. Não tem ambiente gráfico e exige que os comandos sejam digitados. Recomendo que se mantenha 3 disquetes funcionando com esse sistema. Além de caber em apenas um disquete uma vantagem é a grande
quantidade de aplicativos disponíveis. Dispensa o uso de mouse.

Alguns comandos básicos:

dir /p
exibe arquivos e pastas do local atual. A opção /p faz uma pausa cada vez q a tela é

totalmente preenchida.

type
apresenta conteúdo de arquivo .txt

format a:
Formata uma unidade apagando todos os dados, no exemplo a únidade de disquete.

c:
Vai para o disco c (disco rígido normalmente).

cd..
Vai para a pasta ou diretório raiz

cd\pasta1
Vai para a pasta chamada pasta1

md\pasta1
Cria a pasta ou diretório pasta1

rd\pasta1
Apaga a pasta 'pasta1'. Não funciona se o local atual for a pasta q será apagada.

del *.*
Apaga todos os arquivos do local atual

time
Exibe ou altera a hora

date
Exibe ou altera a data (calendário gregoriano)

copy arquivo.ext copia.ext
copia 'arquivo.ext' criando arquivo 'copia.ext'

copy /?
Exibe detalhes da sintaxe do comando copy

tree
exibe a arvore de diretórios

help
Exibe informações sobre os comandos

Link para baixar disquete DOS:
http://ms-dos7.hit.bg/dosware/msdos71b.zip



Como gravar uma imagem de disquete no Linux

Primeito formate o disquete. Cuidado que a formatação apaga qualquer dado que possa haver no disquete. No console digite:

sudo superformat /dev/fd0

Se ocorreu algum erro peque outro disquete.
Depois vá para o diretório onde está a imagem do disquete (arquivo .img) e copie a imagem

com o comando:

dd if=kolibri.img of=/dev/fd0

Onde 'kolibri.img' é o nome do arquivo com a imagem. Aguarde a cópia dos arquivos e Pronto!
Pode reiniciar o computador e fazer boot pelo disquete para testar o sistema.



Racionamento de midias

Como cada disquete tem capacidade de 1,4Mb e ninguém tem disquetes infinitos, sugiro que o uso seja racionalizado. Em primeiro lugar evite dividir arquivos e programas em vários disquetes. Digamos que um determinado programa use 3 disquetes. Você terá que colocar um após o outro para usar o programa e terá que usar mais 3 disquetes para ter apenas 1 backup.
Encontre programas alternativos que não ocupem tanta memória.

Segunda medida de racionamento: use como meta ocupar 70Kb por arquivo. Assim se o disquete
apresentar um pequeno defeito não se perde tanto e fica mais fácil fazer backups dos arquivos. No caso de arquivos de texto, divida-os por capitulos ou assunto. No caso de imagens use um programa como o GIMP para converter em formatos que ocupam menos memória como o .jpg, reduze as dimensões da imagem, ou reduza a qualidade.



Cuidados com disquetes

- Não expor a umidade e ao sol
- Não tocar na pelicula magnética
- Manter longe de campos magnéticos
- Armazenar em temperaturas entre 10ºC e 60ºC, e uma umidade relativa entre 8 e 80%.



Considerações finais

Este artigo não esgota o tema e é possível encontrar mais informações sobre o tema para um dominio maior. É importante entendermos que quanto mais mantemos o uso de uma mesma tecnologia mais dominamos ela. Enquanto que as constantes trocas não nos permitem um aprofundamento e assim entramos num uso aliendado e num aproveitamento superficial.

Para saber mais:
Como funcionavam os drives de disquete
http://informatica.hsw.uol.com.br/drives-de-disquete.htm

Anatomia de uma Unidade de Disquete
http://www.clubedohardware.com.br/artigos/1069/1

Como Instalar Uma Unidade de Disquete
http://www.clubedohardware.com.br/artigos/1428/1



- Veja também:
Informática Sustentável
Videos Energia Eolica

19 de maio de 2010

Malpighiaceae e Malvaceae

Trecho de um trabalho sobre plantas alimentícias não convencionais

Por Valdely Ferreira Kinupp

Malpighiaceae

Byrsonima ligustrifolia A. Juss. (MURICI) Esta é uma espécie rara no RS e assim como muitas outras espécies do gênero Byrsonina (e.g., B. crassifolia (L.) Kunth) possui frutos comestíveis in natura e com potencial para preparação de sucos, geléias e sorvetes. Esta espécie faz parte da riqueza de frutíferas do RS proposta Brack et al.(2007). Não foi encontrado nenhum trabalho fitoquímico ou bioecológico sobre esta espécie. Recomenda-se trabalhos de coleta e cultivo (propagação sexuada e assexuada) desta frutífera. Salienta-se que é uma espécie com distribuição restrita no Estado, com registros até o momento em Viamão e região (RMPA) e no Litoral Norte.



Dicella nucifera Chodat (CASTANHA-DE-CIPÓ) Esta é uma espécie pouco conhecida e com poucas coletas nos herbários RMPA. No entanto, durante o presente estudo a espécie foi coletada em diferentes regiões do RS (Bento Gonçalves, Nova Prata, Taquara e Vacaria) e suas amostras foram depositadas no Herbário ICN. É citada como produtora de castanhas comestíveis (HOEHNE, 1946; RAGONESE & MARTÍNEZ-CROVETTO, 1947; MARTÍNEZ-CROVETTO, 1968; MATTOS, 1978; SILVEIRA, 1985). Lorenzi et al. (2006) descreve sucintamente e ilustra a espécie. No presente estudo a espécie foi fartamente consumida - amêndoas cruas ou torradas. Estas amêndoas apresentam grande potencial para produção de doces (paçoca, pé-de-moleque) e sorvetes (assim como é produzido sorvetes com amêndoas, nozes, castanha-do-pará e amendoim, entre outras castanhas). As amêndoas também podem ser fonte de óleos alimentícios e ou ter outras finalidades. Estudos fitoquímicos e bromatológicos são urgentes. É um gênero carente de informações bioecológicas. No presente estudo foi observado que mesmo plantas jovens possuem raízes tuberosas lenhosas ou batatas subterrâneas. Em plantas adultas de Nova Prata foram coletadas batatas lenhosas com aproximademente oito quilogramas (8 kg). Provavelmente é o primeiro registro deste órgão subterrâneo desenvolvido, para esta espécie e ou mesmo para o gênero, pois na sua revisão nenhuma consideração sobre esta característica é feita (CHASE, 1981). Estes órgãos lenhosos merecem análises morfo-anatômicas e químicas, pois podem ser fontes de compostos com interesse farmacêutico, assim como outras estruturas lenhosas da família utilizadas na medicina popular, e.g., o nó-de-cachorro - Heteropterys aphrodisiaca O. Mach. (MORS et al., 2000). Dicella nucifera na natureza produz uma boa quantidade de frutos, os quais são providos de tricomas que em contato com o corpo causam coceira. Portanto, cautela é recomendável no momento da colheita, especialmente se esta for feita com uso de vara, pois com o impacto, os tricomas soltam-se e espalham-se no ar. No manuseio não ocorrem incômodos ou irritações.

Todavia, Martínez-Crovetto (1968) cita que os Guaranis assavam estas castanhas com casca e somente depois descascavam-nas. Esta forma de consumo é factível com o uso de brasa ou borralha. Para o consumo doméstico, recomenda-se abrir-se a castanha ao meio com uma faca, retirando as amêndoas inteiras. É uma espécie promissora para cultivo; a germinação é alta e muito rápida. Os frutos colhidos maduros devem ser mantidos dentro de sacos plásticos semifechados, geralmente, emitem a radícula em no máximo uma semana e podem ser semeados em sacos plásticos com solo já pré-germinados. O crescimento inicial é rápido devido às reservas das amêndoas. Mas, o crescimento a campo parece lento, ao menos no plantio experimental do presente trabalho. Frisa-se que este plantio foi feito a pleno sol e não pareceu adequado, recomendando-se plantios sob luz indireta ou difusa. Em ambientes inicialmente sombreados, talvez o crescimento seja mais rápido. Trabalhos agronômicos neste sentido são importantes. Dados preliminares sugerem que a propagação por estacas não é muito promissora, houve formação de calos, mas não de raízes adventícias com uso de 0, 1.000 e 2.000 ppm de AIB (LISBÔA et al., 2005). No entanto, novos estudos são necessários. A propagação a partir da coleta de mudas e ou ramos enraizados de populações silvestres mostrou-se eficiente. Frisa-se que no Norte do Paraná (Londrina, Rolândia, Arapongas, ...) e também na região de Foz do Iguaçu (PR) esta espécie é muito abundante nos escassos fragmentos de floresta e mesmo nos barrancos e nas beiras de estradas e rodovias, infelizmente totalmente negligenciadas em meios às grandes extensões de monocultivos de soja.





Malvaceae


Abutilon megapotamicum (Spreng.) A. St.-Hil. & Naudin (BENÇÃO-DE-DEUS) Flores de Abutilon spp. foram usadas no passado como alimento pelos Guaranis (BERTONI apud KELLER, 2001). No entanto, Keller (op. cit.) afirma que os Guaranis entrevistados, recentemente desconhecem suas virtudes alimentícias. Esta espécie é mundialmente cultivada como ornamental, mas como o epíteto específico sugere (mega = grande; potamicum = rio, ou seja, alude ao Rio Grande do Sul) é nativa. Suas flores podem ser consumidas diretamente ou utilizadas em saladas diversas ou cozidas sobre o arroz, ou curtidas na cachaça. As flores carecem de estudos fitoquímicos e bromatológicos.



Ceiba speciosa (A. St.-Hil.) Ravenna (PAINEIRA) Esta espécie é comumente encontrada na literatura sob o basônimo Chorisia speciosa A. St.-Hil. e circunscrita na família Bombacaceae. Beleski-Carneiro et al. (2002) reportam que as cascas das sementes em contato com água formam um hidrogel composto por ramnose, galactose e ácido urônico. Segundo Petrocini et al. apud Beleski-Carneiro (1999) suas sementes contêm alto teor de proteína e fornece até 22% de óleo, predominantemente insaturado. Beleski-Carneiro (1996) também relatam a ocorrência de complexos de polissacarídeos ácidos nas sementes. Beleski-Carneiro et al. (1996) citam que as sementes desengorduradas fornecem cerca de 40% de proteína. Di Fabio et al. (1982) citam que o tronco quando sofre injúria mecânica exsuda goma polissacarídica. Beleski-Carneiro (1999) quantificaram que o pericarpo corresponde a 71% do total dos frutos; paina (15%) e sementes (14%) e relatam que os frutos maduros (mesocarpo), antes da deiscência, quando lesados (já removidos da planta-mãe, cortados e mantidos em solução aquosa) secretam um exsudato que contém ramnose, arabinose, xilose, manose, glicose, galactose e ácido glicurônico. Estes autores sugererem que este exsudato atue na defesa natural na espécie, mas também enfatizam o potencial econômico das gomas na indústria alimentícia. Sabidamente as gomas são usadas indústria alimentícia como aditivos importantes para fornecer a consistência e textura de alimentos industrializados, e.g., a goma arábica e a goma Guar. As gomas são usadas, por exemplo, como espessantes e aditivos não calóricos em alimentos dietéticos. Pesquisas aplicadas utilizando a goma da paineira precisam ser realizadas, assim como trabalhos para o aproveitamento do óleo de suas sementes, seja para finalidades alimentícias (aromático, agradável e com boas aplicações na culinária), cosméticas ou farmacológicas.

As folhas bem jovens, do ápice dos ramos, são citadas como sendo utilizadas como hortaliça no interior de Minas Gerais (BOTREL et al., 2006). Os usuários das folhas relatam a semelhança com o quiabo devido à baba ou mucilagem. Esta mucilagem foi estudada fitoquimicamente por Luffrano & Caffini (1981) em quatro espécies de Chorisia.

Estes autores ressaltam a importância quimiotaxonômica da mesma. As folhas jovens são saborosas e no presente estudo foram consumidas refogadas (tornando-se bem mucilaginosas), cozidas, ensopadas, em bolinhos fritos (tempurah) e trituradas no liquidificador (também folhas mais maduras) para preparo de pães e bolos. Folhas jovens (tenras, verde-claro ou ainda avermelhadas) cruas também foram, ocasionalmente, consumidas durante caminhadas de campo. Estas folhas jovens avermelhadas podem ainda atuar como alimentos funcionais pela presença das antocianinas. No Brasil, poucas são as hortaliças folhosas arbóreas. Na África, hortaliças folhosas arbóreas são mais comuns, contemplando diferentes famílias, inclusive um parente da paineira, o baobá ou baobab (Adansonia digitata L.), que tem suas folhas até comercializadas. Ceiba speciosa é uma espécie de múltiplos usos alimentícios (hortaliça perene, oleaginosa e gomífera), além fonte de fibras (painas) têxteis e artesanais e madeira. Em relação aos usos alimentícios a espécie carece de estudos bromatológicos e tecnológicos. As folhas foram analisadas em relação conteúdo mineral e proteína (KINUPP, 2007). As flores merecem ser avaliadas quimicamente e testadas, pois espécies próximas têm flores e botões florais comestíveis, e.g., Bombax ceiba L. (FELIPPE, 2003 e KUNKEL, 1984). Cita-se que as flores de C. speciosa (chá) são utilizadas para tratar coqueluche (calmante para tosse) segundo levantamento etnobotânico de Marquesini (1995).




Gaya pilosa K. Schum. (GUANXUMA) Espécie geralmente ruderal de importância alimentícia secundária, cujas pequenas flores amarelas são comestíveis, tendo sido constantemente consumidas in natura, em trabalhos de campo durante o presente estudo. Nenhuma informação adicional foi encontrada.


Guazuma ulmifolia Lam. (MUTAMBA) Segundo Pérez-Arbeláez (1956, p. 718-719), é uma espécie de ampla distribuição pela América Tropical, o que pode ser visto pela diversidade de nomes populares. Este autor cita a produção de goma (mucilagem) comestível a partir da casca cortada de molho na água, frisando que é cristalina. Menciona ainda o uso desta mucilagem fazer a barba. As mulheres a utilizam como creme de cabelo (para pentear), sendo inclusive utilizada na indústria para produzir cosméticos (gomina). O uso da casca na garapa (caldo de cana) de Guazuma tomentosa Kunth (uma espécie muita próxima), clareia a rapadura segundo Pott & Pott (1994).

Alguns autores consideram esta espécie como sinônimo de G. ulmifolia. Esta mesma aplicação tem a casca G. ulmifolia na Costa Rica para o clareamento do açúcar mascavo, relato oral de um técnico de Centro Ecológico de Dom Pedro de Alcântara RS que lá esteve. Lorenzi & Matos (2002) relatam este uso também na região canavieira do Ceará.

Segundo estes autores, pedaços do caule desta espécie são fervidos e o extrato mucilaginoso obtido é utilizado como agente clarificante do caldo de cana durante a fervura no fabrico caseiro de rapadura. Esta mucilagem e sua ação clarificadora carecem de estudos fitoquímicos específicos para explicar seu mecanismo de ação e este potencial precisa considerado pelo setor de engenharia e tecnologia de alimentos, pois pode ter aplicações úteis na indústria alimentícia em geral. Segundo Pérez-Arbeláez (op. cit.), os frutos secos (na realidade somente as sementes são comestíveis, pois os frutos são lenhosos), quando mascados têm sabor de carne assada, daí nome popular chicharrón (=torresmo) em El Salvador. Logo, as sementes moídas podem ser um condimento, aromatizante para carnes e outros pratos com grande potencial.

As sementes foram consumidas cruas no presente estudo, tornando-se ligeiramente mucilaginosas durante a mastigação. Também foram consumidas cozidas (liberando muita mucilagem), torradas (agradáveis) e, principalmente, sob a forma de picolé industrializado adquiridos (Fruta do Cerrado®, Goiânia, GO). É uma espécie pouco conhecida no RS, mas é bastante freqüente e até abundante em algumas localidades (e.g., bases do Morro do Itacolomi - Gravataí (vide coletas no Herbário ICN); Estância Velha; Igrejinha; Três Coroas; Taquara; Campo Bom, entre outros munícipois da RMPA e ou vizinhos). Esta espécie carece de trabalhos fitotécnicos de propagação, cultivo (especialmente em sistemas agrosilvopastoris) e análises bromatológicas das sementes e mucilagem.




Hibiscus diversifolius Jacq. (HIBISCO-DO-BANHADO) Esta espécie é fortemente relacionada a H. sabdariffa L. (vinagreira, rosela ou greselha), inclusive também possui os calículos, cálices carnosos e as folhas com sabor acidulado. Cita-se que estes órgãos são pilosas. Kunkel (1984) cita que as flores são consumidas cozidas com outros alimentos.

Facciola (1998) cita as folhas jovens são consumidas cozidas (hortaliça). No presente estudo, as flores foram consumidas diretamente in natura e em saladas mistas, bem como cozidas sobre arroz e curtidas na cachaça (corante). As folhas, apesar de fortemente pilosas (não sendo, portanto muito recomendáveis) foram cozidas e consumidas ensopadas e também finamente picadas (folhas bem jovens e cruas) e utilizadas para fazer bolinhos. O sabor é agradável (acidulado, como da vinagreira). As flores inteiras (pétalas e porção reprodutiva) foram secas e analisadas em relação ao teor protéico e mineral, destando-se em alguns minerais (KINUPP, 2007). Esta espécie ainda apresenta potencial como fornecedora de fibra têxtil (WILSON, 1967), sem mencionar o grande potencial ainda subutilizado. Progaga-se muito facilmente por estaquias, enraizando-se em poucos dias quando mantidas dentro d'água e também quando plantadas diretamente a campo, especialmente em solos brejosos. Espécie cultivada no Jardim Botânico de Porto Alegre e alvo de pesquisas com fins ornamentais. Carece de análises fitoquímicas e bromatológicas tanto das flores quanto das folhas. Estas mesmas análises são recomendáveis para as sementes, apesar de poucas sementes terem sido encontradas nas populações espontâneas na RMPA e RS.




Hibiscus striatus Cav. (PAPOULA-DO-BREJO) As flores são comestíveis e foram consumidas no presente estudo. São flores grandes, macias e muito interessantes para decoração de saladas e para sobremesas. As sementes são abundantes e merecem estudos fitoquímicos e bromatológicos, especialmente para avaliar os teores e tipos de óleo.

Progaga-se muito facilmente por estaquias, enraizando-se em poucos dias quando mantidas dentro dágua. Espécie cultivada no Jardim Botânico de Porto Alegre e alvo de pesquisas com fins ornamentais. A situação taxonômica do grupo não é clara. Irgang & Gastal Jr.(1996) citam sob Hibiscus cf. cisplatinus A. St.-Hil., mas ressalvam que provavelmente exista mais de uma espécie com flores róseas. Pott & Pott (2000) citam que H. cisplatinus e H. striatus ssp. lambertianus Blanch. ex Proct. são sinônimos de H. striatus, nomenclatura aqui seguida. Mas, frisa-se que a fotografia apresentada nesta referência (p.199) é significativamente distinta da figura disponível no presente estudo. Estes autores citam que na espécie do Pantanal o estigma é branco. Nos exemplares observados no RS o estigma é intensamente vermelho e estilete ou coluna estaminal é que é branco, além das variações das folhas.




Hibiscus selloi Gürke (HIBISCO) Espécie muito similar a anterior. Especialmente as flores merecem avaliações sensoriais e fitoquímicas, mas provavelmente também as folhas jovens e as sementes.


Pavonia communis A. St.-Hil. (ARRANCA-ESTREPE) É uma espécie com potencial ornamental e que carece estudos básicos e aplicados. Suas flores podem ser consumidas diretamente ou em saladas cruas, mas é de importância secundária. Pelo nome deve ter alguma aplicação medicinal para facilitar a expulsão de farpas e estrepes.


Sida rhombifolia L. (GUANXUMA) Citada por GHEDINI et al. (2002) como usada (folhas) para dar sabor (gosto ao chimarrão). Esta espécie é usada como hortaliça em algumas regiões da África do Sul, inclusive ocasionalmente sendo desidratada e armazenada (SHACKLETON et al., 1998). Côrrea & Penna (1984, v. III, p. 579) também relatam que as folhas novas são excelente forragem para cavalos, ovelhas e porcos e que em algumas regiões são consumidas cozidas pelas pessoas e utilizadas como sucedâneas do chá da Índia (chá-verde), daí os nomes chá-inglês (Brasil), faux-thé (Ilhas Maurício) e erva do chá (Portugal). Estes autores citam também que no passado foi usada para adulterar a erva-mate, prejudicando sua qualidade. Esta espécie é citada como de uso alimentício em Coatepec (México) e sua fitomassa disponível (parte de interesse alimentício) foi quantificada em áreas antrópicas por Díaz-Betancourt et al. (1999).


Sida spinosa L. (GUANXUMA) Espécie com usos similares a S. rhombifolia, mas de importância secundária. Esta espécie é citada como de uso alimentício em Coatepec (México) e sua fitomassa disponível (parte de interesse alimentício) foi quantificada em áreas antrópicas por Díaz-Betancourt et al. (1999).

Fonte:
http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/12870

- Veja também:
Receitas de Geléias
Farinha de cascas de ovos

12 de maio de 2010

Estratégias de Sustentabilidade Comunitária

Por Adrian Rupp

Por que usar um estratégia?

Normalmente a ampliação da sustentabilidade comunitária é feita aleatoriamente. Se descobre alguma técnica como o fogão solar e se introduz na comunidade. Porém, será que essa era a mudança mais necessária e que trará mais benefícios para a comunidade? Provavelmente não.
O que proponho aqui é que a adocão de novas técnicas ou recursos seja feita de modo planejado, estabelecendo-se objetivos. Assim vamos buscar os conhecimentos que mais precisamos em vez de simplesmente utilizar alguns que casualmente aparecem. Os objetivos variam de acordo com a situação em que a comunidade se encontra e existe vários objetivos possíveis. Listei abaixo algumas das abordagens possíveis.


Foco na sobrevivência

Esta abordagem tem como objetivo principal a garantia do suprimento das necessidades básicas da comunidade. Assim iremos priorizar temas como segurança, água potável, alimentação e abrigo. Esta estratégia vai lançar perguntas como:

- O que podemos fazer para ter uma segunda fonte de água potável?
- O que podemos fazer para garantir alimentos para o ano todo?
- O que precisamos ter para ampliar a segurança da comunidade?

As perguntas e respostas variam conforme a situação de cada comunidade, mas sempre com o objetivo de garantir a existência da comunidade diante de possíveis adversidades.


Foco nos recursos financeiros

Esta estratégia prioriza a sustentabilidade econômica. Ela é indicada quando a comunidade está numa situação financeira crítica. Essa abordagem trás perguntas como:

- Qual é o item que gera mais gastos monetários para a comunidade?
- O que podemos fazer para gastar menos dinheiro?
- Como podemos gerar renda?

Enfim, me parece uma estratégia com potencial limitado, portanto válida para poucos casos.


Foco no estabelecimento

Quando uma comunidade se muda para um novo local, a prioridade neste caso é criar as condições básicas para que a comunidade possa começar a viver neste determinado local. É semelhante ao foco na sobrevivência, já que está associado a busca pelos recursos básicos. Mas difere deste pois tende a utilizar mais recursos externos.
Neste sentido um mutirão para construir um abrigo pode se tornar mais importante do que construir uma usina para a produção de energia.
Perguntas possiveis:

- O que precisamos para poder morar aqui?
- Que recursos presentes nesta terra serão úteis para podermos morar aqui?
- Que conhecimentos ou habilidades estão nos faltando para podermos viver aqui?


Conclusão


O uso de estratégias para ampliar a sustentabilidade comunitária tende a ser mais efetivo para produzir mudanças importantes para melhorar a vida comunitária.
Não existe uma estratégia que seja superior as demais, cada comunidade pode escolher ou criar sua própria de acordo com sua situação atual.
Colocando em sequencia:

1. Definir os objetivos que queremos ou precisamos alcançar.
2. Pensar no que podemos ter ou fazer para alcançar estes objetivos.
3. Decidir quais serão as medidas tomadas dentre as alternativas encontradas.
4. Buscar os recursos ou fazer as mudanças necessárias para alcançar os objetivos.



- Veja também:
ECOVILAS: UM DESAFIO
Praticar Culturas para um abastecimento alimentar em continuidade
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...