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7 de junho de 2011

Como fazer captação de água de chuva

Por Jack Sickmann

Introdução Básica

A captação da água de chuva é uma maneira rápida de se obter um grande volume de água em um período de tempo bastante reduzido, e de razoável qualidade.

Existem duas maneiras conhecidas de se captar: a primeira é aproveitando o teto da casa, e o segundo é revestindo o subsolo de uma área de encosta com plástico e canalizando a água , pré-filtrada pelo solo, até uma caixa ou reservatório.

A sua armazenagem poderá ser feita em uma caixa separada ou diretamente na cisterna , caixa central do seu estabelecimento (Lares na cidade, fazenda, sítios, chácaras etc.) ou ainda em cisternas secas e abandonadas, reaproveitando-as.

Dimensionamento da caixa de captação

O dimensionamento da caixa de captação, vai depender de sua utilização. Se o objetivo for o abastecimento em água potável durante, por exemplo, o período de seca, o volume da caixa a ser construída deverá ser determinada em função de alguns fatores:

1- O consumo necessário de água para abastecer uma família durante o ano ou num período curto (dias, semanas ou meses), na medida que podem existir no local, outras fontes de água (cisterna, mina ou nascente etc);

2- A quantidade de água de chuva que a cisterna pode captar e armazenar, durante este mesmo período. A quantidade de água de chuva captada vai depender:

2.1- A quantidade de chuva da região (regime pluviométrico);

2.2- A área disponível para a captação, que por sua vez dependerá:

2.2.1- Do tipo de material. Se é telha ou plástico.

2.2.2- e da superfície em que é captada, que pode ocorrer perdas.

Podemos usar este volume de água em potencial que temos em nossa região como fator limitante do dimensionamento da caixa de captação, ou não, tudo dependerá de seu objetivo em captar este tipo de água, e das condições financeiras disponíveis para realiza-lo.


A escolha do lugar para a caixa

A escolha do local para a construção da caixa ou reservatório de captação deverá atender aos seguintes requisitos:

1. A caixa deve ser montada no lugar mais baixo, podendo receber por gravidade á água escoada de todos os lados do telhado. No caso de se usar o plástico enterrado, a água que escorrera por toda a extensão do mesmo , também deverá estar acima da caixa;

2. Procure solos de preferência arenosos ou sem pedras grandes. O tipo do terreno estabelece a profundidade possível para a escavação, que pode levar a caixa a ter um volume reduzido. Por outro lado, a presença de material duro no fundo da caixa a ser construída, torna-a mais segura;

3- Deve-se procurar um local afastado de árvores ou arbustos cujas raízes possam provocar rachaduras e consequente vazamento na parede da caixa;

4- Para prevenir o perigo de contaminação da água armazenada, a caixa deve ser implantada a , pelo menos, 10 a 15 metros de distância de fossas, latrinas, currais e depósitos de lixo;

5- A caixa de captação ou armazenamento quando for usada como uma cisterna, ou seja , usando balde para retirar a água, ela poderá ser construída próxima da cozinha para facilitar o acesso à água pela dona de casa.


Conservação e tratamento da água

A água armazenada na caixa pode sofrer contaminação de duas maneiras:

1. Água muito tempo armazenada sem cloração;

2. Água que entra no reservatório já com contaminação, proveniente da sua passagem pelo telhado da casa. É fato que o telhado recebe vários tipos de depósitos trazidos pelo vento, como folhas, papel, lixo etc, além da poeira. É também o lugar de passagem de animais como ratos, pássaros e insetos.

Assim sendo, para conservarmos a água de boa qualidade, devemos realizar uma limpeza , pelo menos, uma vez por ano dentro da caixa, nas tubulações ou bicas de condução, além de manter o balde sempre limpo e longe de chão.

Uma inspeção interna e externa na caixa é sempre bom para verificar da existência de trincas ou rachaduras evitando a perda de água ou a infiltração de impurezas.



Fig. 9.1 - Esquema geral da caixa ou reservatório para água de chuva com escada de acesso para limpeza em vergalhões , chumbada na parede interna. Detalhe do "suporte" para o balde, evitando do mesmo entrar em contato com o chão.


Para evitar a contaminação que vem do telhado é aconselhado evitar a entrada das primeiras águas escoadas do telhado na caixa, desviando a(s) bica(s) ou tubos de condução para fora do orifício de entrada do reservatório.

O tempo de "lavagem" do telhado vai depender da intensidade da chuva; pode ser de 1 hora no caso de chuva forte, ou até um ou dois dias no caso de uma chuva fina e constante.

Mesmo realizando a "lavagem" antes de captar a água, os ventos costumam trazer folhas e sujeiras mais grossas para dentro da caixa, assim para se resolver este problema coloca-se um filtro ou coador na boca de entrada do reservatório, ou seja, entre a bica de condução da água e o reservatório.

Um coador feito em chapa galvanizada com furos feitos com prego ou broca para ferro de 1/8 " funciona satisfatoriamente. O seu tamanho e a quantidade de furos ideais vão depender da vazão de entrada e do volume de impurezas retidas. É bom dimensionar o coador para receber a água de uma chuva forte e impurezas menores que 2 mm, considerando-se que tenha feito a pré-lavagem do telhado citado acima.

O tanque de decantação permite a separação daquelas impurezas residuais que tenham ficado no telhado mesmo depois da pré-lavagem, da água de entrada. Pode ser construído dentro do próprio reservatório ou fora deste, em volume ou capacidade de 50 a 200 litros, onde a água ficará um certo tempo, durante a qual os resíduos vegetais mais grossos poderão ser depositados. Esta caixa deverá ser limpa regularmente. Funciona bem, sobretudo quando as chuvas não são muito fortes, caso contrário, uma vazão alta na chegada da água dificultara a decantação.

Um outro dispositivo para purificação é o filtro de areia, que é composto por sucessivas camadas de brita, areia grossa, areia fina e carvão, dispostas em uma caixa simples de fibrocimento ou de alvenaria isolado, instalado numa posição acima da tampa de entrada da caixa de captação. Segundo BERNAT & COURCIER , este sistema apresenta limitações, devido aos problemas frequentes de entupimento que reduzem bastante a eficiência desse tratamento, além de tornar difícil e complicado a sua manutenção.

Para garantir uma água de qualidade para o consumo humano, evitando a contaminação pelo armazenamento é aconselhado a colocação de um clorador por difusão.

Fonte:
http://web.archive.org/web/20090215032319/http://soecomg.hpg.ig.com.br/agua8.htm
ou
http://www.metalica.com.br/como-fazer-captacao-de-agua-de-chuva

Veja também:
Videos Coleta de Água da Chuva

3 de junho de 2011

Tanque de tela de arame e cimento

Também conhecido como 'cisterna de ferro-cimento'.

Por Tearfund

Tanques de água construídos de tela de arame e concreto podem ser usados para armazenar água da chuva coletada de telhados. Usa-se tela de arame para reforçar as paredes. Isto faz com que as paredes não precisem ser grossas e assim é necessária uma quantidade menor de cimento . Se a tela não for muito cara, os tanques podem ser bem mais baratos do que alternativas já prontas.

1. Isto é o que você vai precisar…

(a) estacas de madeira ou vigas – com pelo menos 2m de comprimento. Use algumas estacas para fazer uma escada para que assim você possa subir pela parede do tanque.

(b) areia limpa

(c) cimento

(d) pelo menos duas desempenadeiras planas

(e) dois pedaços pequenos de tubo – um com uma torneira

(f) tela galvanizada de metal (a usada em galinheiros) com aberturas de 1,2cm

(g) arame galvanizado para cercas

2. Decida o tamanho do seu tanque. Não faça o tanque com mais de 1,5m de altura sem a ajuda de um especialista porque ele exigiria reforço.

Se houver terra solta no local, remova-a para que o tanque seja construído em terra firme.


3.
Finque as estacas de madeira em intervalos de 40cm ao redor do lado de dentro do círculo. Elas precisam permanecer em posição vertical quando você colocar a tela ao redor delas. Certifique-se que elas estejam firmes.



4. Coloque duas camadas da tela de arame sobre o fundo do tanque. Dobre pelo menos 30cm da tela para cima entre as estacas para que a tela possa ser moldada dentro da parede formada do lado de fora das estacas. Amarre os pedaços de tela de arame usando um arame fino (isto pode ser conseguido desfazendo-se a tela). Remova a tela de arame ou pelo menos suspenda-a o suficiente para permitir a realização da etapa 6.

5. Misture a argamassa. A mistura não deve ficar muito úmida, por isso não adicione toda a água imediatamente, especialmente se a areia estiver úmida. 3 partes de areia 1 parte de cimento 3/4 parte de água

6.
Umedeça o chão. Cubra o fundo do tanque com uma camada de 2,5cm de argamassa com cimento. Emplaste até 2,5cm das estacas para que elas possam ser removidas mais tarde. Faça com que a superfície da argamassa fique plana mas contenha aspereza. Trabalhe o mais rápido possível.



7. Antes da argamassa endurecer, volte cuidadosamente a colocar a tela de arame que você removeu na etapa 4. Fique de pé ou ajoelhe-se em tábuas de madeira para distribuir o seu peso e evitar que a primeira camada de argamassa seja danificada. Jogue (deite) um pouco de água sobre a primeira superfície de argamassa se ela começar a secar. A seguir, adicione rapidamente uma outra camada de 2,5cm de argamassa. Emplaste até 2,5cm das estacas e deixe a superfície áspera. Agora você deverá manter a superfície da nova argamassa úmida até que o tanque inteiro esteja terminado – sacos velhos, esteiras de grama ou pedaços de plástico podem ajudar.

8. Prepare o reforço da parede colocando a tela de arame ao redor do lado de fora das estacas para que assim todos os espaços sejam cobertos com pelo menos duas camadas. Certiquese de que as estacas se mantenham em posição vertical. Coloque uma segunda camada de tela de arame, de tal maneira que os buracos não estejam no mesmo nível dos da primeira tela. Amarre as duas telas com arame fino.


9. Reforce a tela de arame enrolando uma espiral contínua de arame ao redor da estrutura. Os círculos de arame devem estar separados 15cm um do outro, próximos da parte inferior da parede, aumentando para 30cm de distância na parte superior. Deve ser usado um círculo extra de arame bem no topo da parede. Coloque um tubo e torneira através da parede a uma altura de 10cm do chão e segure o tubo firmemente no lugar amarrando-o a uma estaca firmemente fincada no chão. Coloque também um tubo pela parede ao nível do fundo. Este tubo deve ter uma válvula que possa ser fechada ou uma tampa removível do lado de fora que possa ser aberta para drenar água suja do tanque sempre que este necessitar de limpeza.


10. Comece a rebocar as paredes do tanque com a argamassa. Isto requer pelo menos duas pessoas – uma do lado de dentro e outra do lado de fora. Elas devem trabalhar juntas, pressionando no mesmo lugar para introduzir a argamassa no interior da tela de arame e formar uma camada de aproximadamente 1–1,5cm de espessura.

(Um método alternativo e mais fácil de reboco para a primeira camada é envolver o lado exterior do tanque com sacos de açúcar ou esteiras mantidos no lugar com uma espiral de barbante (cordel) com 5cm de espaçamento entre cada um. Alguém do lado de dentro do tanque pode então pressionar a argamassa contra esta superfície. Remova os sacos quando a argamassa estiver seca.)

Risque ou esfregue ambas as superfícies para que fiquem ásperas. Depois de um dia, adicione uma segunda camada de argamassa à superfície externa úmida do tanque, dando-lhe um acabamento fino.

Mantenha sempre a argamassa endurecida úmida e na sombra durante pelo menos duas semanas após você acabar o tanque ou aparecerão ranhuras.


11. Um dia depois remova cuidadosamente as estacas. Coloque pedras dentro dos buracos deixados no fundo e encha-os cuidadosamente com a argamassa. Umedeça as cavidades expostas e encha estas brechas com argamassa fresca. Em seguida, adicione uma camada lisa final de argamassa (1–1,5cm de espessura) no lado interno do tanque e no piso. Novamente, mantenha as superfícies úmidas durante todo o tempo. Faça a parede ficar mais grossa por onde os tubos passam. Apoie o tubo com a torneira do lado de fora com tijolos fixos com argamassa. Você poderá desejar fazer um buraco pequeno sob a torneira para que possa ser colocado um balde debaixo dela. Certifique-se de que a água que cai neste buraco possa ser drenada para dentro de um buraco cheio de pedras.

Mantenha todo o tanque úmido durante pelo menos duas semanas antes de enchê-lo.


12. Cubra o tanque com um telhado para impedir a sujeira e os insetos. Você pode usar chapas de ferro rugosas ou um telhado de concreto reforçado em formato de cúpula. Encha o tanque com água lentamente. Se você encontrar qualquer brecha, você pode repará-la quando o tanque for esvaziado, arrancando-se a argamassa da tela de arame e em seguida enchendo o buraco com argamassa fresca. Mantenha esta área reparada úmida durante pelo menos duas semanas.


Fonte:
http://tilz.tearfund.org/Portugues/Passo+a+Passo+21-30/Passo+a+Passo+30/Tanque+de+tela+de+arame+e+concreto.htm

Em espanhol:
Tanque de ferrocemento
http://tilz.tearfund.org/Espanol/Paso+a+Paso+21-30/Paso+a+Paso+30/Tanque+de+ferrocemento.htm

Français:
Reservoir de ferrociment
http://tilz.tearfund.org/Francais/Pas+%C3%A0+Pas+21-30/Pas+%C3%A0+Pas+30/Reservoir+de+ferrociment.htm

Veja também:
Vídeos Coleta de Água da Chuva
Captação de água

30 de dezembro de 2010

Pasteurização Solar de Água

Avanços Recentes na Pasteurização Solar de Água

Por Dr. Robert Metcalf

Não é necessário ferver a água para matar os micróbios

O principal objetivo dos fogões solares é transformar os raios de sol em calor para então cozinhar os alimentos. Estamos todos acostumados com a eficiência dos fogões solares cozinhando e assando uma grande variedade de alimentos. Neste artigo quero considerar o uso do calor obtido nos fogões solares para outros propósitos além de cozinhar. Meu foco principal será a Pasteurização Solar da Água, que pode complementar o cozimento solar e evitar problemas críticos de saúde em vários países em desenvolvimento..

A maioria das doenças dos países em desenvolvimento atualmente são doenças infecciosas causadas por bactérias, vírus e outros micróbios que são eliminados nas fezes humanas e poluem a água que as pessoas usam para beber e lavar roupa. Quando as pessoas bebem os micróbios vivos, eles se multiplicam, causam a doença, e são eliminadas junto com as fezes novamente na água, continuando o ciclo de transmissão da doença..

No mundo todo, água contaminada é o maior problema. Estimadamente 1 bilhão de pessoas não tem acesso a a água potável. É estimado também que a diarréia resultante de água contaminada mata 2 milhões de crianças e causa algo em torno de 900 milhões de episódios da doença a cada ano.

Fervendo a Água contaminada

Como poderiam os micróbios infecciosos da água serem mortos para fazer a água segura para se beber sem riso de doenças? Nas cidades dos países desenvolvidos isto é frequentemente garantido pela adição de cloro na água (cloração) depois dela ter passado por uma filtragem. Nos países em desenvolvimento, porém, os sistemas de água das cidades são menos confiáveis, e água de córregos, rios e alguns poços podem estar contaminados com fezes humanas oferecendo risco à saúde. Para as bilhões de pessoas que não tem água saudável (potável) para beber, que recomendações as autoridades de saúde pública propõem? A única recomendação maior é ferver a água, as vezes mais de 10 minutos. Este processo é conhecido desde o tempo de Louis Pasteur, 130 anos atrás, que o calor da fervura é muito eficiente no extermínio de todos os micróbios que causam doenças tanto no leite como na água.

Se água contaminada pode se tornar potável para beber através da fervura, porque a fervura não é amplamente praticada? Aparentemente parece haver 5 motivos principais: 1) As pessoas não acreditam na teoria dos germes causadores de doenças, 2) O processo de fervura demora muito, 3) Água fervida tem um gosto desagradável, 4) Combustível frequentemente escasso ou caro, 5) Calor e fumaça são desagradáveis.

Alguns exemplos do custo da fervura da água merecem ser mencionados. Durante o surto de cólera no Peru, o ministro da saúde obrigou todos os habitantes a ferver a água por 10 minutos. Isto custaria 29% da renda média das casas pobres. Em Bangladesh, ferver a água antes de beber custaria 11% da renda de uma família. Em Jakarta, Indonésia, mais de U$ 50 milhões de dólares são gastos a cada ano pelos habitantes para ferver a água. Estima-se que na cidade de Cebu, nas Filipinas, com uma população em torno de 900.000 habitantes, metade das famílias fervem a água que bebem, e a proporção é de fato maior para famílias que obtém água de um encanamento não confiável de água clorada. Por causa da quantidade de combustível consumido para ferve água ser muito grande, aproximadamente 1KG de madeira para ferver um litro de água, e porque lenha e carvão serem usados para este fim, um sistema de suprimento inadequado de água contribui significativamente para o desmatamento, poluição urbana e outros problemas relacionados ao meio ambiente e energia.

Se madeira, lenha ou esterco são usados como combustível para ferver a água, a fumaça cria um risco a saúde toda vez que se cozinha. Estima-se que 400 a 700 milhões de pessoas, principalmente mulheres tem problemas de saúde por causa da poluição interna do ar de suas casas. Como microbiologista, tenho ficado perplexo da razão pela qual a fervura é recomendada, pois este processo precisa de muito mais calor do que é necessário para matar os micróbios infecciosos da água. Eu presumo que a razão disto é para se ter certeza que a temperatura letal para as bactérias será alcançada, porque a não ser que se tenha um termômetro é muito difícil dizer a que temperatura a água está até podermos ver ela começar a borbulhar. Todo mundo conhece o processo de pasteurização do leite. Trata-se de um processo de aquecimento que é suficiente para matar os micróbios causadores de doença do leite, como a bactéria da tuberculose, streptococos e a salmonela. Qual temperatura se usa para pasteurizar o leite? A maioria do leite é pasteurizada a 71.7° C (161° F) por apenas 15 segundos. Alternativamente, 30 minutos a 62.8° C (145° F) pode também pasteurizar o leite. Algumas bactérias são resistentes ao calor e podem sobreviver ao processo de pasteurização, mas estas bactérias não causam doenças nas pessoas. Elas podem, entretanto, coalhar o leite, por isso, assim mesmo o leite pasteurizado é mantido sob refrigeração.

Existem diferentes micróbios causadores de doenças na água, mas eles não raramente são resistentes ao calor. As causas mais comuns de doenças causadas pela água, e sua sensibilidade ao calor são apresentados na tabela 1. A causa mais comum de diarréia aguda entre crianças nos países em desenvolvimento é a bactéria Scherichia coli, Shigelia SD e também os vírus do grupo Rotavírus. Estes são rapidamente mortos a temperaturas de 60° C ou mais.


Pasteurização Solar da Água

Aquecendo a água em um fogão solar as temperaturas acima de56° C começarão a matar os micróbios causadores de doenças. Um aluno de graduação, David Ciochetti, investigou isto em sua tese de mestrado em 1983 e concluiu que aquecendo a água a 66° C em um fogão solar é o suficiente para pasteurizar a água e matar todos os micróbios causadores de doenças. A oportunidade de podermos transformar água contaminada em água potável apenas aquecendo a esta baixa temperatura—apenas 66° C—ao invés de 100° C (fervura) apresenta uma real oportunidade para tratarmos a água contaminada nos países em desenvolvimento.
Testando a contaminação fecal da água

Como se pode determinar se a água de um poço, bomba, córrego, etc é segura para se beber? O procedimento mais comum consiste em examinar a água a procura de bactérias indicadoras de poluição fecal. São usadas dois tipos de bactérias como indicadoras.A primeira é a bactéria coliforme que é usada como indicadora nos países desenvolvidos onde a água é clorada. Bactérias coliformes vem das fezes e das plantas. A bactéria colifrome usada como segundo indicador chama-se Escherichia coli. Esta bactéria está presente em grande quantidade nas fezes humanas (aproximadamente 100.000.000 por grama) e de outros mamíferos. Ela é o principal indicativo de que a água não é clorada. Água contendo 100 E. coli por 100ml oferece um risco substancial a saúde.

O método padrão utilizado para testar a presença dos coliformes e da E. coli requer pessoal treinado, fácil acesso a laboratórios, ou uma unidade móvel e estes fatores geralmente não estão presentes nos países em desenvolvimento. Então os suprimentos de água quase nunca são examinados nem testados.
Novo método de teste em países em desenvolvimento.

Em 1987, o teste Colilert MPN Test (CLT) foi introduzido como o primeiro método que usa a tecnologia de extrato definido para detectar simultaneamente coliformes e E. coli. O CLT vem com substâncias químicas desidratadas contendo dois nutrientes indicadores: um para coliformes e outro para a E. coli. Então se adiciona 10ml de água no tubo de ensaio sacudindo-o bem para dissolver os produtos químicos, depois incuba-se na temperatura do corpo por 24 horas. Eu prefiro incubar os tubos de ensaio entre meu corpo e meu cinto. A noite eu durmo de costas e uso os tubos entre minha roupa de dormir e meu corpo.

Se nenhum coliforme estiver presente, a água permanecerá transparente. Entretanto se um ou mais coliformes estiverem presentes na água, após 24 horas seu crescimento metabolizará o ONPG e a água mudará de cor, de transparente para amarelo (semelhante a urina). Se a E. coli estiver entre as bactérias presentes, elas vão metabolizar o MUG e o tubo de ensaio ficará azul florescente quando o tubo for exposto a uma lâmpada de luz ultravioleta, indicando um sério perigo a saúde. Tenho convidado os participantes dos workshops sobre fogões solares de caixa em Serra Leoa, Mali, Mauritânia e Nepal para testar o suprimento de água de suas casas com o CLT. Cento e vinte participantes trouxeram amostras. Em todos os quatro países, onde a água vinha de áreas urbanas e rurais, a maioria das amostrar continha coliformes, e no mínimo metade delas tinham a presença de E. coli. Testes bacteriológicos com resultado positivo de ONPG e MUG trazidos de volta de Mali e Mauritânia, verificaram a presença de coliformes/E. coli em aproximadamente 95% das amostras. É provável que logo o teste Colilert MPN Test (CLT) será modificado para que o teste para E. coli, não necessite de uma luz ultravioleta, e o tubo de ensaio mudará em outra cor diferente do amarelo se a E. coli estiver presente. Isto tornará o teste menos caro e mais fácil para o uso em países em desenvolvimento para avaliar as fontes de água.

Efeito da água potável na diarréia de crianças

Qual seria o benefício se a água contaminada pudesse se tornar limpa e segura para se beber através da fervura ou pasteurização? Uma estimativa das Filipinas diz que se as famílias que usam poços moderadamente contaminados (100 E. coli a cada 100 ml) forem capazes de usar uma fonte de água de alta qualidade, a diarréia entre suas crianças seria reduzida em 30%. Então se a água contaminada por E. coli for pasteurizada utilizando a energia solar, ela se tornará limpa e isto ajudará a reduzir as chances de diarréia, especialmente em crianças.
Indicador de pasteurização da Água (WAPI)

Como se pode determinar se a água atingiu os 65° C? Em 1988, Dr. Fred Barrett (aposentado da USDA) desenvolveu o protótipo do Indicador de Pasteurização de água (Water Pasteurization Indicator-WAPI). em 1992 Dale Andreata, um estudante de engenharia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, desenvolveu o atual WAPI. O WAPI consiste em um tubo de policarbonato, com duas extremidades seladas, onde dentro se colocou um pouco de gordura de soja, que tem a temperatura de derretimento a 69° C ("MYVEROL" 18-06K, Eastman Kodak Co., Kingsport, TN 37662).O WAPI é colocado dentro do recipiente com água com a porção que contém a gordura na parte de cima do tubo. Uma arruela manterá o WAPI no fundo do recipiente, que se aquece lentamente num fogão solar de caixa. Se o calor da água derreter a gosdura, a gordura amolecerá e escorregará para a parte de baixo do WAPI indicando que a água está pasteurizada. Se a gordura ainda estiver na parte de cima do WAPI, a água não foi pasteurizada. O WAPI é re-usável. Depois que a gordura esfria e se torna solida novamente na parte de baixo, a linha de pescar é amarrada na outra ponta e a arruela deslizada até a parte de baixo, e isto recoloca a gordura no topo do tubo. Outro indicador de pasteurização está sendo desenvolvido por Roland Saye, que se baseia na expansão de um disco bi-metálico que fica alojado num recipiente plástico. Este indicador mostra-se ser muito promissor e está ainda na fase de testes iniciais. .

O WAPI poderá ser útil imediatamente para pessoas que normalmente fervem a água para torná-la segura para beber. O WAPI indicará claramente quando a temperatura de pasteurização foi atingida e economizará muito combustível que normalmente está sendo desperdiçado pelo aquecimento excessivo.

[Nota do editor: Usando cera de abelha e cera de carnaúba para indicar a temperatura: no SBJ #15 discutimos o uso de cera de abelha que derrete a relativamente 62º C, como um indicador de pasteurização. descobrimos agora que misturando um pouco de cera de carnaúba com cera de abelha (na proporção de~1:5) aumenta a temperatura de derretimento da cera de abelha para 70º - 75º C. Cera de carnaúba é um produto do Brasil e pode ser comprado nos EUA nas madeireiras e ferragens. Mais testes precisam ser feitos para confirmar que a temperatura de derretimento se mantém a mesma após o primeiro derretimento. Escreva para webmaster@solarcooking.org e nós lhe mandaremos um pouco de cera de carnaúba para você fazer as experiências.)


Estratégias diferentes para a pasteurização solar da água

O forno solar de caixa foi o primeiro usado para pasteurizar água. David Ciochetti construiu um fogão de caixa solar para pasteurizar muitos litros de água. Nesta época do ano em Sacramento, cerca de 13 litros de água podem ser pasteurizadas nos nossos típicos dias ensolarados..

Dale Andreatta e Derek Yegian da Universidade da California.em Berkeley,tem desenvolvido maneiras criativas para aumentar grandemente a quantidade de água que pode ser pasteurizada, como iremos ouvi-lo falar nesta conferência..

Estou também muito animado com a possibilidade de pasteurizar a água usando simples fogões solares de painel. E colocando o recipiente preto com água desntro de um saco de poliéster para criar um efeito estufa, e usando muitos refletores para centralizar a luz na jarra, é possível pasteurizar quantidades consideráveis de água com um sistema bastante simples. Demora aproximadamente 4 horas para que eu consiga pasteurizar um galão de água no verão com o sistema que estou usando. Fogões solares de painel abrem anormes possibilidades de aquecimento de água não só para pasteurização, mas também para fazer café e cha, que são muito populares em alguns países em desenvolvimento. A água aquecida pode também ser mantida quente por um longo tempo colocando-a numa sacola e depois colocá-la dentro de uma caixa isolada. No recipiente isolado que eu uso um galão com 80° C, a água estará a aproximadamente 55° C depois de 14 horas. Água a temperatura de 55° C estará a 40° C depois de 14 horas, ideal para banho/barbear pela manhã.

Vou concordar com o que disse o mais famoso microbiologista, que foi pioneiro no uso de vacinações por volta de 1890: Louis Pasteur. Quando perguntaram a ele qual o segredo de seu sucesso ele respondeu que acima de tudo seu segredo era a persistência. Eu diria que você precisa de boas informações para ser persistente, e nós certamente temos isto com os fogões solares através do trabalho em Sacramento, Bolívia, Nepal, Guatemala, e qualquer lugar onde o sol brilhe. O uso contínuo de madeira como combustível é insustentável. Precisamos persistir até que o conhecimento que obtivemos se espalhe e se torne conhecido em todo mundo.
Para perguntas e comentários contate Dr. Robert Metcalf at rmetcalf@csus.edu.

Dr. Robert Metcalf
1324 43rd St.
Sacramento, California 95819 USA.

IDEXX Laboratories, Inc. produz o Colilert kit e se situa no seguinte endereço:

IDEXX Laboratories, Inc.
One IDEXX Drive
Westbrook, ME 04092
USA

Voice: (800) 321-0207 or (207) 856-0496
Fax: (207) 856-0630

Nota do Editor: Note: Testando água em países em desenvolvimento.

O Colilert system torna possível testar a água sem a necessidade de laboratório. Os laboratóiros IDEXX, fabricante, recomenda que você use 5 tubos de teste para cada amostra. Bob Metcalf explica que 5 tubos conterão 50ml, que é a quantidade mínima para amostras permitidas pela legislação dos USA. este é um método irreal para julgar a água em países em desenvolvimento, onde você está examinando água que está sendo bebida, apesar do fato que a água possa estar causando doenças nas pessoas. Usando 1 tubo de teste (10ml) existe uma chance muito pequena que sua amostra não contenha o pequeno número de bactérias que pode estar presente.

Os Laboratóeios IDEXX também lhe dirá que você precisa de uma incubadora para obter resultado satisfatórios. Novamente Bob Metcalfs diz que tudo que se precisa é manter os tubos encostados em nosso corpo por 36 horas desde que a temperatura do corpo seja a temperatura de incubação correta.

O que você realmente estará verificando no teste é a presença de 1) bactérias coliformes e 2) E. coli, um tipo de bactéria coliforme que é amplamente encontrada em material fecal. Um teste positivo para a bactéria coliforme pode indicar bactérias coliformes provenientes de plantas mortas e então não nos oferecer risco a saúde. Um teste positivo para E. coli, entretanto pode indicar que qualquer contaminação bacteriológica vio de uma fonte fecal, que pode também conter Giardia, cólera ou outros micróbios infecciosos sérios.

Fonte:
http://solarcooking.org/portugues/metcalf.htm
ou versão em inglês:
Recent Advances in Solar Water Pasteurization
http://solarcooking.org/pasteurization/metcalf.htm


- Veja também:
Importância da Água em Saúde Pública
Captação de água

3 de agosto de 2010

Videos Coleta de Água da Chuva

Seleção de vídeos sobre coleta de água da chuva

- Sistema de Captação de Água da Chuva
Video de divulgação do Sistema de Captação de Água da Chuva, desenvolvido pelo Ecocentro IPEC em PIrenopolis, Goias, Brasil. O sistema de Captação de Água da Cuva foi finalista do prêmio Tecnologia Social promovido pela Fundação Banco do Brasil em 2005.
http://www.youtube.com/watch?v=1vQVhy4fA34



- Água da chuva: alternativa correta
Exemplo de utilização urbano
http://www.youtube.com/watch?v=9phlSxQzu10



- Captação de água da chuva.
Sistema simples e eficaz para coleta e armazenamento de água da chuva.
http://www.youtube.com/watch?v=XCSO2UWLdTU



- APROVEITAMENTO DA ÁGUA DA CHUVA (03-04-09)
Matéria Exibida pela TV Itararé, em Campina Grande, estado da Paraíba.
http://www.youtube.com/watch?v=jgYCYx7Ytlc



- De Olho na Água - Parte 1
Video q ensina detalhadamente como construir uma cisterna de ferrocimento.
http://www.youtube.com/watch?v=NGouquMtmms



- Rain Water Conservation DIY Make a Rain Barrel Collector
Use rain barrel to collect water for water conservation. The water can be used for many things.
http://www.youtube.com/watch?v=FCiX005jScI



How To Build A RainWater Collection System
We produced a short film that takes you step by step on how to properly build a rainwater collection system that works.
http://www.youtube.com/watch?v=cHwWpx8KCfk


- Veja também:
Importância da Água em Saúde Pública
Conceitos Básicos sobre Permacultura

2 de agosto de 2010

Manual de sobrevivência

Manual de sobrevivência escrito a partir de outros manuais norte-americanos e traduzido para o português de Portugal.

Contém instruções de como se localizar, conseguir água, comida, fogo, fazer previsões do tempo, construir abrigos, reconhecer plantas e animais perigosos, primeiros socorros, etc.

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Primeira parte em PDF (86 páginas):
http://www.panda4x4.net/aventura/sobrevivencia/mnl_sv1.pdf


- Veja também:
Fogão Solar de Funil
As Plantas Medicinais

19 de dezembro de 2009

Importância da Água em Saúde Pública

Por Fernando Costa Silva

Nenhuma forma de vida, animal ou vegetal, é possível sem água, razão porque esta é considerada um recurso de primeira necessidade. Sendo verdade que as primeiras comunidades humanas da história se organizavam para viver nas proximidades dos cursos de água, também não existem dúvidas que a água continua a constituir um dos factores mais importantes para o progresso das sociedades contemporâneas. Nenhuma comunidade pode viver ou evoluir sem um abastecimento adequado de água, que permita aos seus habitantes viver de modo saudável e confortável, e que contribua para o desenvolvimento da sua economia.

Esta noção de evolução não pode ser concebida sem, simultaneamente, se considerar a sua salubridade. Além do abastecimento em quantidade suficiente, é requisito essencial que a água seja saudável e pura, uma vez que também é o veículo mais comum e importante na transmissão/veiculação de doenças. Assim, a salubridade da água deve ser considerada uma das principais preocupações dos cidadãos e técnicos de saúde, tendo em vista a salvaguarda da saúde pública.

Ciclo da Água

A água existe na natureza em três estados (líquido, sólido e gasoso) e percorre um "ciclo eterno contínuo". A evaporação lenta e incessante a partir dos rios, lagos e mares, origina a formação de nuvens na atmosfera superior que, por condensação, se transforma em chuva. Uma parte da água da chuva atinge a superfície terrestre e aumenta o caudal dos cursos de água e dos lagos, ficando sujeita à (a) evaporação e (b) infiltração no solo. A água infiltrada é parcialmente absorvida pela vegetação, que alimenta antes de ser rejeitada para a atmosfera. A restante parte acumula-se no solo e pode formar lençóis subterrâneos que, ao emergirem, dão origem a fontes/nascentes de vários tipos. Na natureza é possível encontrar água nas seguintes formas: (a) subterrânea, (b) doce superficial, corrente e parada, (c) marítima, (d) estuaria e (e) vapor atmosférico.

Aspectos Sanitários

A água pura não existe no estado natural. A água da chuva ao cair, engloba na sua constituição diversos tipos de poeiras, oxigénio e gás carbónico, podendo mesmo absorver os fumos que existem geralmente nas zonas urbanas e suburbanas. Atingindo a superfície do solo, a água fica exposta a diferentes formas de poluição e contaminação, nomeadamente por dejectos humanos e de outros animais, absorve o gás carbónico e produtos resultantes da decomposição da matéria orgânica, e incorpora uma grande variedade de partículas em suspensão nos cursos de água. A água subterrânea também não está isenta de impurezas, apesar da capacidade filtrante do solo, que retém sempre alguma quantidade de matérias poluentes, podendo ainda dissolver uma grande variedade de compostos químicos existentes nos solos/terrenos que atravessa. Em resumo, as impurezas mais frequentes na água são:

gases, como óxido de carbono, azoto, metano e anidrido sulfúrico;
sais minerais, como derivados de cálcio, magnésio, ferro, sódio e manganésio; e
agentes/matérias em suspensão, como bactérias, protozoários, algas, etc.

Relativamente àquelas impurezas, as mais importantes são os agente biológicos patogénicos, que podem originar doenças diarreicas ou entéricas, como a cólera, as febres tifóide e paratifóide, as disenterias bacilar e amebiana, as hepatites A e E, etc.

A água também pode contribuir para a proliferação de parasitas e artrópodes vectores de doenças, como no caso do sezonismo (ou paludismo), febre amarela, dengue, filariose, tripanosomíase (doença do sono), chistosomíase (bilharsiose) e oncocercose.

Também podem existir doenças relacionadas com a qualidade química da água, por excesso ou deficiência de certos produtos na sua composição, como (a) saturnismo, devido a excesso de chumbo, (b) meta-hemoglobinemia, ou cianose, originada pelo excesso de nitratos, (c) fluorose, devida a excesso de flúor, (d) cárie dentária, devida a défice de flúor, (e) bócio endémico, originado por deficiência de iodo, etc. Algumas substâncias dão à água propriedades laxantes, como os sulfatos, ou tornam-na tóxica, como o zinco, o arsénio, o selénio, o mercúrio, o cádmio, o crómio hexavalente, o cianeto e o cádmio. Os catiões bivalentes, como o cálcio e o magnésio (que determinam a dureza da água), os compostos organoclorados, os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, os detergentes aniónicos e os radionuclidos, são outros exemplos de produtos químicos e radioactivos que podem poluir a água.

As doenças transmitidas ao homem através da água são denominadas «doenças de veiculação hídrica», pois a água serve de meio de transporte a (1) agentes patogénicos, como os eliminados pelo homem e outros animais, através dos seus dejectos, ou a (2) poluentes químicos e radioactivos, como os existentes nos esgotos industriais. Os riscos para a saúde podem ser divididos em duas grandes categorias:

Riscos Directos:

Pela presença de agentes biológicos adversos/patogénicos, que entram em contacto com o organismo humano por ingestão ou outros modos, inclusive através de insectos vectores;
Pela presença de substâncias poluentes químicas ou radioactivas, sobretudo resultantes do lançamento de resíduos industriais, sólidos e líquidos.

Riscos Indirectos:

Relacionados com a deterioração das características estéticas da água (organolépticas) como, por exemplo, nos seguintes parâmetros:
cor, real e aparente, relacionada com a existência e quantidade de partículas em dissolução;
turvação, relacionada com a existência e quantidade de partículas em suspensão;
gosto e cheiro, natural ou artificial, como no caso de tratamentos com produtos químicos, ou devido à presença de algas.

Relacionados com os problemas que podem surgir em sistemas de abastecimento e tratamento de águas, nomeadamente:
obstrução de canalizações, redes de distribuição e estações de tratamento (sedimentos biológicos e moluscos), e perturbação dos processos de filtração da água (algas).

Tanto os agentes biológicos como os produtos poluentes, químicos e radioactivos, podem atingir o homem por (a) ingestão, directa ou através de alimentos, ou por (b) contacto com a pele e mucosas, através da higiene corporal, da preparação de alimentos, de práticas recreativas e desportivas, de actividades industriais e agrícolas (por exemplo, irrigação de terras).

Nos quadros seguintes apresentam-se as principais doenças veiculadas pela água e os respectivos agentes etiológicos.

Quadro 1. Doenças viricas veiculadas pela água

Doença
Agente etiológico

Enterite
Coxsachie, Ecovirus e Poliovirus (1-2-3)

Faringite e rinofaringite
Adenovirus e Renovirus

Hepatite infecciosa
Vírus da hepatite A e da hepatite E

Poliomielite (rara)
Poliovirus (1-2-3)


Quadro 2. Doenças bacterianas veiculadas pela água

Doença
Agente etiológico

Cólera
Vibrio colerae O1 e O139

Diarreia infantil
Escherichia coli

Disenteria bacilar
Shigella

Febres tifóide e paratifóide
Salmonella typhi e paratyphi (A-B-C)

Gastrenterite
Proteus, Shigella e Salmonella

Giardíase
Giardia lamblia

Leptospirose - doença adquirida por contacto (pele/mucosas)
Leptospira

Tularémia (rara)
Pasteurella turalensis


Quadro 3. Doenças parasitárias veiculadas pela água - por ingestão

Doença
Agente etiológico

Abcesso hepático amebiano
Entamoeba histolitica (protozoário)

Ascaridíase *
Ascaris lumbricoides (helminta)

Disenteria amebiana
Entamoeba histolitica (protozoário)

Dracunculose (dracontíase)
Dracunculus medinensis (verme da Guiné - nemátodo)

Tricuríase (tricocefalíase) *
Trichuris trichiura (nemátodo)

Fasciolíase
Fasciola hepatica (tremátodo)

* a transmissão por partículas de terra é mais frequente


Quadro 4. Doenças parasitárias veiculadas pela água - por contacto

Doença
Agente etiológico

Ancilostomíase
Necator americanus e Ancylostoma duodenale (nemátodo)

Chistosomíase (bilharsiose)
Schistosoma (mansoni, haematobium e japonicum - tremátodo)

Estrongiloidose - a transmissão por contacto com o solo é mais frequente
Stronggyloides percolaris

Prurido dos nadadores
Schistosoma (de aves e roedores - tremátodo)


Quadro 5. Doenças transmitidas por vectores (com reprodução na água)

Doença
Agente etiológico
Vector

Febre amarela
Arbovirus B (vírus)
Mosquito (Aedes e Haemagogus)

Filariose
Wuchereria brancofti (helminta)
Mosquito (diversas espécies)

Malária
Plasmodium (protozoário)
Mosquito (Anopheles)

Oncocercose
Onchocercavolvulus (helminta)
Mosquito (Simulium)

Tripanosomíase
Trypanosoma (protozoário)
Mosca (Tsé-Tsé Glossina)


Os aspectos anteriores permitem concluir que a água utilizada com fins domésticos deve ser saudável, ou seja, isenta de riscos para a saúde ("água potável"). Para ser saudável, a água não pode conter agentes biológicos patogénicos, substâncias tóxicas, nem quantidades excessivas de substâncias orgânicas e minerais. Pelo contrário, ela deve ser límpida e incolor, e não deve apresentar sabor ou odor desagradável; se possível, deve ser insípida e inodora. A água potável deve preencher, portanto, certos requisitos físicos, químicos e bacteriológicos ("requisitos de potabilidade").

Requisitos de Potabilidade

Qualidade Físico-Química. As impurezas físicas da água estão relacionadas com a sua cor, turvação, sabor, odor e temperatura. As impurezas químicas resultam da presença de substâncias dissolvidas e estão relacionadas com a dureza, alcalinidade, salinidade e agressividade da água. Uma água potável para consumo humano não deve ser turva nem apresentar coloração. Contudo, as águas brutas subterrâneas apresentam por vezes turvação e coloração, as quais só podem ser modificadas por processos específicos de tratamento. A água potável também não deve apresentar odores ou sabor desagradáveis, pois indicam a presença de microrganismos e substâncias químicas, e a sua alteração pertence ao domínio do tratamento da água. Como se referiu no parágrafo anterior, considerando as características organolépticas, a água potável deve ser límpida, incolor e não deve apresentar sabor ou odor desagradável. No quadro seguinte apresentam-se os parâmetros químicos que permitem classificar uma água como potável.

Quadro 6. Parâmetros químicos de uma água potável

Parâmetro
Valor Máximo Recomendado
Valor Máximo Admissível

Substâncias que produzem coloração
5 U (colorimetria Pt-Co)
50 U (colorimetria Pt-Co)

Matérias em suspensão
5 U (turbidometria)
25 U (turbidometria)

Sólidos totais
500 mg/l
1500 mg/l

pH
7,0-8,5
6,5-9,2

Oleos minerais
0,01 mg/l
0,30 mg/l

Compostos fenólicos
0,001 mg/l
0,002 mg/l

Dureza total
2 mEq/l (100 mg/l CaCO3)
10 mEq/l (500 mg/l CaCO3)

Cálcio
75 mg/l
200 mg/l

Cloretos
200 mg/l
600 mg/l

Ferro total
0,1 mg/l
1,0 mg/l

Fluoretos
0,6 mg/l
1,2 mg/l

Magnésio
30 mg/l
150 mg/l

Manganês (manganésio)
0,05 mg/l
0,5 mg/l

Sulfatos
200 mg/l
400 mg/l

Zinco
5 mg/l
15 mg/l

Arsénio
--
0,05 mg/l

Cádmio
--
0,01 mg/l

Chumbo
--
0,1 mg/l

Cianetos
--
0,05 mg/l

Mercúrio total
--
0,001 mg/l

Nitratos
--
45 mg/l

Selénio
--
0,01 mg/l


Qualidade Bacteriológica. A água contaminada por dejectos pode transmitir doenças gastrintestinais. Os agentes destas doenças são contudo relativamente pouco numerosos, quando comparados com a imensidão de microrganismos existentes no intestino humano. Devido à grande variedade de microrganismos, não é possível pesquisar individualmente a sua presença na água. Assim, a sua qualidade bacteriológica não se avalia directamente, mas sim através da pesquisa de «microrganismos indicadores» de poluição/contaminação, como as bactérias coliformes fecais, que habitam o intestino humano. Os coliformes, geralmente não patogénicos, existem em grande quantidade nas fezes e a sua presença na água indica que a mesma foi contaminada por dejectos de origem humana ou animal, sendo provável a existência de outros microrganismos intestinais patogénicos.

No início dos sistemas da rede pública de abastecimento, se a água for desinfectada (com cloro ou outro produto) não deve conter organismos coliformes (numa amostra de 100 ml). Se a água não for desinfectada, não deverão existir mais que 3 (três) coliformes por mililitro. Embora a presença de coliformes não seja tolerada numa rede pública de abastecimento, os critérios de qualidade bacteriológica recomendados para classificar uma água potável são os seguintes:

no período de um ano, a percentagem de amostras de 100 ml de água sem presença de coliformes, não deve ser inferior a 95%;
em nenhuma amostra de 100 ml de água deve ser encontrada Escherichia coli;
os coliformes não devem ser encontrados em duas amostras consecutivas de 100 ml de água.

Nos sistemas de abastecimento rurais, ou sem rede pública de abastecimento, como, por exemplo, poços privados, minas e fontanários, não devem existir mais que 10 (dez) coliformes por amostra de 100 ml de água. No caso contrário, e sobretudo se for encontrada Escherichia coli, o consumo de água deve ser interditado.

Quantidade de Água — Necessidades

Além do aspecto qualitativo, é indispensável que o homem disponha de água em quantidade suficiente para a satisfação de necessidades elementares. A escassez ou falta de água pode originar problemas graves de saúde, além de implicações a nível da salubridade ambiental, dos alimentos e da própria higiene individual. Em termos de consumo, as necessidades humanas em água dependem de vários factores como os hábitos, o poder de aquisição/compra, o nível de educação, as características climáticas, o meio onde reside (urbano, rural) e o sistema de abastecimento. Para o uso doméstico - bebida, cozinha, higiene corporal, lavagem de roupa, instalações sanitárias etc. - o consumo diário médio de água está estimado em 80 litros por pessoa. De um modo geral, os responsáveis pelo planeamento do abastecimento de água através de sistemas públicos, programam as necessidades de consumo diário por habitante (média), considerando também o consumo no âmbito da higiene ambiental, nos seguintes intervalos: 100-150 litros para as cidades pequenas, e 200-500 litros para os grandes centros urbanos.

Fontes de Água Potável

Na escolha das fontes/origens para abastecimento de água potável devem considerar-se determinados aspectos, como a salubridade, a quantidade, a regularidade e a economia. Naturalmente que uma água que não necessita de tratamento prévio ao consumo, deve ser prioritária relativamente a outra que necessite de tratamento para satisfazer os requisitos de salubridade. Também uma fonte capaz de fornecer continuamente a quantidade de água necessária para abastecimento, deve prevalecer sobre uma fonte de débito irregular ou instável. Na mesma linha de raciocínio, e considerando que os aspectos de salubridade, regularidade e quantidade são idênticos, uma fonte de exploração mais dispendiosa deve ser preterida em relação a uma exploração mais económica. A ordem de prioridades na selecção de uma fonte/origem para abastecimento de água potável, deve ser a seguinte:

Primeira escolha: água sem qualquer tipo de tratamento, que satisfaça os critérios bacteriológicos, físicos e químicos de uma água potável, e que possa ser distribuída aos consumidores sem bombagem;

Segunda escolha: água sem qualquer tipo de tratamento, que satisfaça os critérios bacteriológicos, físicos e químicos de uma água potável, mas que necessite de ser distribuída aos consumidores através de bombagem;

Terceira escolha: água que requer processos simples de tratamento para satisfazer os critérios bacteriológicos, físicos e químicos de uma água potável, e que não necessite de bombagem para ser distribuída aos consumidores;

Quarta escolha: água que requer processos simples de tratamento para satisfazer os critérios bacteriológicos, físicos e químicos de uma água potável, mas que necessite de bombagem para ser distribuída aos consumidores.

Os tratamentos simples referidos nas duas últimas hipóteses anteriores, limitam-se aos seguintes processos, isoladamente ou em combinação:
aprovisionamento que assegure uma sedimentação satisfatória, bem como alguma redução na quantidade de bactérias existente,
desinfecção por cloragem, sem necessidade de recurso a cloradores mecânicos, e
filtração lenta em areia ou saibro.

Categorias de Fontes/Origens de Água Potável

A água utilizada em diferentes sistemas de abastecimento pode ser dividida em duas grandes categorias:

águas subterrâneas, que incluem as águas existentes no subsolo e que podem atingir a superfície sob a forma de "fontes" ou "emergências"; e

águas superficiais, que englobam a água da chuva (recolhida), do mar, dos rios, lagos, albufeiras, barragens e represas.

Enquanto que as águas subterrâneas podem ser captadas através de poços, bacias de captação, minas ou galerias de infiltração, as águas superficiais são geralmente recolhidas e acumuladas em cisternas e reservatórios (sobretudo para a água da chuva), barragens e represas (para a água dos rios e outras águas superficiais).

Águas Subterrâneas. Estas águas são constituídas por uma parte da precipitação atmosférica, sobretudo por água da chuva, que se infiltra no solo e forma lençóis subterrâneos denominados «formações aquíferas». Existem (a) «formações aquíferas não cativas», quando os lençóis se situam entre uma camada impermeável (rochosa), por baixo, e um terreno permeável, por cima, e (b) «formações aquíferas cativas» ou «lençóis artesianos», quando os lençóis de água se situam entre duas camadas impermeáveis; neste último caso, os poços existentes denominam-se «poços artesianos». A superfície de um lençol subterrâneo, denominada "superfície livre", está sujeita às flutuações do nível de água, que depende sobretudo da frequência de períodos de seca (diminuição) e de chuva (aumento).

A pesquisa de águas subterrâneas faz-se habitualmente através de (1) estudos geológicos, (2) exame dos poços já existentes, em termos de perfil, débito, situação e qualidade da água, e (3) sondagens ou furos, que permitem recolher amostras e conhecer o perfil do terreno, de modo a analisar a profundidade da formação aquífera e a qualidade da água. Os furos ou sondagens, por vezes transformam-se em poços permanentes.

Águas Superficiais. Estas águas são provenientes, sobretudo, da chuva e a sua recolha, aprovisionamento e captação pode ser feita através de cisternas, reservatórios, represas, albufeiras e barragens. As águas superficiais podem, por vezes, ser consumidas no seu estado natural, mas geralmente estão contaminadas ou poluídas necessitando de tratamento prévio. A utilização da água do mar como fonte de abastecimento de água potável é possível, embora se pratique em escala muito reduzida (alguns países árabes). Os dois processos principais de "dessalinização" da água do mar são a (1) evaporação e condensação, utilizando a energia solar ou carburantes, e a (2) electrólise; estes processos são muito dispendiosos e necessitam de investimentos avultados, no que se refere à sua construção e manutenção. Os rios, lagos, barragens e represas constituem, geralmente, a principal fonte dos sistemas públicos de abastecimento de água.

Sistemas de Abastecimento de Água

O abastecimento de água pode ser feito através de (a) soluções individuais ou particulares, mais frequentes em zonas rurais, (b) sistemas semi-públicos e (c) sistemas públicos.

As soluções individuais mais utilizadas são (1) a recolha directa em rios, lagos, represas, fontes, etc., (2) a acumulação de água da chuva em cisternas, e (3) a captação a partir de poços e minas.

Recolha Directa em Rios, Lagos, Represas e Fontes

Este tipo de abastecimento é mais usado em áreas rurais e áreas suburbanas sem sistema público de abastecimento, e a recolha de água é feita (a) manualmente, em vasilhames (potes, bilhas, latas) transportados para as habitações, ou (b) utilizando sistemas de bombagem. De modo a garantir-se uma qualidade satisfatória da água, devem adoptar-se os seguintes cuidados:

- isolar o local de recolha, para evitar o acesso indiscriminado de pessoas e animais;

- não utilizar o local para outros fins, como banho, lavagem de roupa ou de animais;

- não construir fossas nas proximidades,

- não permitir o lançamento e deposição de resíduos sólidos ou líquidos, no manancial e nas suas proximidades;

- efectuar o "tratamento caseiro da água", como a filtração, a fervura e a desinfecção.

Na figura seguinte apresenta-se dois modelos possíveis de fontes/nascentes devidamente protegidas, que podem ser usadas como recurso de abastecimento individual ou colectivo. Preconizam-se os cuidados de higiene acabados de referir, bem como as medidas de segurança aplicáveis descritas adiante para o caso de poços, sendo ainda aconselhável a instalação de vedação adequada num diâmetro de 50 metros em redor da fonte, de modo a impedir a entrada e circulação de pessoas, que só deve acontecer para efeitos de limpeza da estrutura.

Recolha e Acumulação da Água da Chuva - Cisternas

Este tipo de abastecimento é mais usado em regiões onde há escassez de água, onde a água subterrânea não é acessível ou é imprópria para consumo humano. Constroem-se as cisternas para armazenar a água recolhida da superfície dos telhados dos edifícios durante os períodos chuvosos, com o objectivo de a consumir durante os períodos de seca.

Na estimação da capacidade de uma cisterna (em pedra, tijolo ou betão), deve considerar-se (a) a pluviosidade média anual, (b) a área da superfície colectora e (c) as necessidades de consumo. Para o cálculo da capacidade de uma cisterna, pode considerar-se um consumo de 10 litros por pessoa, por dia, sendo 2 litros para ingestão e os restantes para consumo doméstico e outras aplicações. Assim, para uma família de quatro pessoas e para o período de um ano, o volume da cisterna deve ser de V = 4 x 10 x 365 = 14.600 litros , ou seja, é necessária uma cisterna com cerca de 15 m3 de capacidade. Para se ter uma ideia da quantidade de água colectada a partir da superfície dos telhados, podem aplicar-se as seguintes considerações e cálculos: se área do telhado for de 40 m2, a pluviosidade anual de 500 mm (regiões secas: 500-750 mm) e o coeficiente de aproveitamento da água de 0,75 (perdas por evaporação e limpeza: ±25%), a quantidade de água que se pode recolher num ano será de Q = 40 x 0,50 x 0,75 = 15 m3 .

Observa-se assim, que um telhado pequeno, com 40 m2, é suficiente para recolher a água necessária para uma família de quatro pessoas, durante um ano, numa região com escassez de água. Em regiões de maior pluviosidade, o volume recolhido será maior. A construção de cisternas é portanto uma solução viável para o abastecimento de água em regiões áridas e semi-áridas. Em pequenos aglomerados populacionais, podem instalar-se cisternas maiores para utilização comunitária. Para se garantir uma qualidade satisfatória da água proveniente de cisternas, devem adoptar-se os seguintes cuidados:

- não recolher a água das precipitações iniciais, pois contêm impurezas residuais dos telhados, devendo instalar-se um dispositivo adequado para desviar as águas das primeiras chuvas;

- a cisterna deve ser em material opaco e manter-se sempre fechada, para evitar a entrada de poeiras, detritos e insectos, e evitar a entrada de luminosidade, de modo a que não exista proliferação de algas;

- a limpeza e desinfecção da cisterna deve ser efectuada uma vez por ano (pelo menos);

- no interior da cisterna não devem existir ângulos ou esquinas, devendo os cantos serem arredondados para facilitar a sua limpeza e desinfecção;

- não devem ser utilizados baldes ou outros recipientes para retirar água do interior das cisternas (pois são veículos de contaminação e poluição), devendo ser instalado um sistema simples de canalizações e/ou uma torneira no seu nível inferior, para a saída de água (incluindo a água residual dos processos de limpeza e desinfecção);

- devem ser adicionados produtos desinfectantes à água, à base de cloro ou outros;

- como complemento das medidas preventivas anteriores, deve-se efectuar ainda o "tratamento caseiro da água", como a filtração, a fervura e a desinfecção.

Captação de Água em Poços e Furos

A obtenção de água por este processo é mais frequente em zonas rurais e suburbanas não servidas pelo sistema público. Os poços podem classificar-se em (a) poços vulgares, escavados manualmente, (b) poços escavados mecanicamente, com escavadora ou através de injecção de água, e (c) poços perfurados, que podem subdividir-se em poços tubulares e furos. Enquanto que os poços vulgares e escavados mecanicamente são geralmente "rasos", os poços perfurados podem ser "rasos" (tubulares) ou "profundos" (furos). Para se garantir a qualidade da água de poços e furos, devem considerar-se os seguintes aspectos:

- poços e furos devem situar-se a uma distância mínima de 30 metros, de fontes potenciais de contaminação ou poluição, como sumidouros e valas de infiltração;

- a parte superior de poços e furos deve encontrar-se a um nível mais elevado que as fontes de contaminação e poluição que eventualmente existam nas proximidades;

- poços e furos devem ser cobertos com uma plataforma de betão com, pelo menos, um metro de largura, a qual deve apresentar um ligeiro declive para uma valeta, de modo a efectuar-se a drenagem de águas superficiais;

- na plataforma de betão dos poços e furos, a passagem dos tubos de aspiração deve ser bem estanque, para impedir a penetração de águas superficiais;

- na plataforma dos poços, a abertura de visita (para tarefas de inspecção, reparação e limpeza) deve apresentar uma saliência de, pelo menos, 8 centímetros de altura, e ter tampa impermeável;

- a parede interior dos poços deve ser protegida com um revestimento impermeável até, pelo menos, 3 metros abaixo e 30 centímetros acima do nível do solo;

- os poços devem ser sempre limpos e desinfectados após a sua construção ou reparação: (1º) lava-se com água as paredes interiores, (2º) seguindo-se a limpeza com uma solução clorada concentrada (100 mg/l de teor de cloro activo), (3º) efectua-se a cloragem da água, de modo que o seu teor em cloro atinja os 50 mg/l, (4º) agita-se e deixa-se repousar a água cerca de 12 horas, (5º) esvazia-se a água do poço, (6º) aguarda-se o seu enchimento de novo, e (7º) quando o teor de cloro residual descer para menos de 1 mg/l a água pode ser consumida;

- a retirada de água do interior dos poços não deve ser efectuada com vasilhame, mas através de bombagem manual ou mecânica. Quando a bombagem não for possível, pode utilizar-se um sistema de roldana com manivela, devendo adoptar-se cuidados especiais de higiene e limpeza para evitar a contaminação do balde ou da corda.

Tratamento doméstico da água

Existem alguns métodos de purificação e desinfecção da água que podem ser aplicados no domicílio, quando houver suspeita de contaminação da água da rede pública, ou quando a água de consumo provier dos sistemas individuais de abastecimento referidos anteriormente (recolha em rios, cisternas, poços, etc.).

Os principais processos de tratamento doméstico da água são a ebulição (fervura), a desinfecção química (iodo, cloro e seus derivados) e a filtração.

Ebulição - A fervura da água a 100º centígrados, durante 20 minutos, é um processo de desinfecção simples de executar e eficaz, pois extermina a totalidade dos microrganismos. Como a ebulição origina a libertação dos gases dissolvidos, podendo tornar a água um pouco desagradável ao paladar, recomenda-se o seu arejamento, passando-a de um recipiente limpo para outro.

Desinfecção química - Os produtos mais utilizados são o iodo (solução e comprimidos) e os derivados do cloro (solução, pó, grânulos e comprimidos). A tintura de iodo a 2-8% é um bom desinfectante; duas gotas de tintura a 2% são suficientes para desinfectar um litro de água (4 gotas a 8% se a água estiver muito poluída), a qual deve ficar em repouso 30 minutos, pelo menos, antes de ser ingerida. No mercado também existem comprimidos de compostos iodados, preparados especificamente para a desinfecção da água de consumo. Como se referiu antes, o cloro e seus derivados são desinfectantes eficazes e fáceis de aplicar. O hipoclorito de cálcio concentrado (70% de cloro), sob a forma de grânulos, embora sendo um produto estável, não deve ser exposto à luz solar nem à humidade. A solução do mesmo químico a 1% (lixívia ou água de Javel) também é eficaz como desinfectante e muito fácil de aplicar; três gotas de uma solução de hipoclorito de sódio a 1% são suficientes para desinfectar um litro de água, a qual deve ficar em repouso cerca de 30 minutos, antes de ser ingerida. No mercado existem comprimidos de cloro, para desinfecção da água de consumo (com dosagem recomendada na bula que acompanha as embalagens).

Filtração - É utilizada sobretudo para retenção de impurezas, devendo, portanto, ser o primeiro processo caseiro de tratamento da água. A sua capacidade de retenção de microrganismos é limitada e depende do tipo de filtro usado. No mercado existe uma grande variedade de filtros domésticos, de cerâmica porosa (filtros de vela), de carvão vegetal, e de areia ou saibro, este último menos eficaz na retenção de microrganismos.

Controlo da Qualidade da Água

As características organolépticas da água não são suficientes para garantir a sua potabilidade. Assim, a água deve ser submetida a análises laboratoriais periódicas, com a finalidade de (a) determinar as suas características no estado bruto, para decidir a necessidade e tipo de tratamento, e (b) controlar a eficácia do tratamento e as características de potabilidade da água.

Considerando a água de consumo, as análises a efectuar são: (a) físicas, para determinar a temperatura, o gosto, o odor, a cor e a turvação, (b) químicas, para estimar a quantidade de substâncias químicas presentes, que podem ser perigosas para a saúde ou servir de indicadores de poluição, (c) bacteriológicas, para determinar o número total de bactérias, incluindo as bactérias de origem intestinal, e (d) microscópicas, para determinar as fontes prováveis de gostos e odores, bem como os efeitos dos microrganismos no processo de purificação.

A análise das características físicas e químicas deve ser efectuada trimestralmente, se a população servida pelo sistema for superior a 50.000 habitantes, ou duas vezes por ano, se a população for inferior. Nos quadros seguintes apresenta-se a periodicidade recomendável na avaliação das características bacteriológicas da água, consoante esta foi ou não tratada antes de entrar no circuito de distribuição; para a água desinfectada deve-se efectuar ainda o controlo, várias vezes por dia, da concentração de desinfectante químico, tanto na estação de tratamento como em diferentes pontos da rede de distribuição.

Fonte: http://www.saudepublica.web.pt/06-SaudeAmbiental/061-Aguas/AbastecimAgua_texto.htm
Ou parte em:
http://www.gforum.tv/board/620/178456/o-meu-poco.html

- Veja também:
Conceitos Básicos sobre Permacultura
Biodigestor Indiano

10 de setembro de 2009

Captação de água

Introdução

A água é essencial para qualquer comunidade humana. Ela é usada na agricultura, limpeza, preparo de alimentos, resfriamento, etc. Nas cidades populosas ela é levada às casas por um extenso encanamento. São milhares de pessoas que dependem, geralmente, de uma única fonte de captação de água e deste complexo sistema de transporte. Já neste fato observamos uma fragilidade no abstecimento, que se agrava pelo seu uso irracional e contaminação pelos esgotos que não são tratados antes de serem devolvidos para os rios. Para piorar, é adicionado flúor, medida que também foi usada pelos nazistas para dopar os prisioneiros nos campos de concentração. Está forma de abstecimento não é sustentável, logo, não vai se manter eternamente. Assim, precisamos encontrar alternativas.

Alternativas

A água pode estar disponível em três níveis: subterrâneo, superficial, atmosférico. Normalmente a captação se concentra nas fontes subterrâneas e superficiais, que são abundantes no Brasil. Porém, o recolhimento da água da chuva tem vantagens importantes como a proximidade com o local de consumo e a segurança contra uma possível contaminação do solo. A seguir uma lista de obras que são feitas para captação de água em propriedades rurais:

1) Tomada de água por sucção direta na fonte

Este sistema é usado quando existe um rio (ou riacho, córrego, açude,barragem, represa ou lagoa ) próximo e há necessidade de grande quantidade de água (para irrigação, por exemplo). A tomada de água por sucção é feita diretamente no rio com uma bomba e um mangote. Em geral, a água é lançada até um reservatório ou caixa- d'água da propriedade, de onde escoa por gravidade para os locais desejados. Entretanto, sempre há o risco de o mangote para sucção direta no rio sofrer deslocamentos ou entupimentos, provocados por assoreamento ou movimentação de lama, de pedras, de galhos, etc. Além disso, por mais que se proteja a boca do mangote ou se faça manutenção constante em épocas de estiagem ela pode ficar acima do nível da água,provocando interrupção do abastecimento e danos ao equipamento. A solução definitiva para esses problemas, principalmente quando há necessidade de captaçãode grandes volumes de água, é a contrução de um poço esvado em barrancas não atingidas por cheias ou inundações e ligada ao rio por uma tabulação fixa. O mangote passa a funcionar no fundo do poço, protegido dos problemas já referidos.Esse poço deve ter 1,5m a 2m de diâmetro. E o seu fundo deve ficar de 1m a 2m abaixo do nível mínimo de água do rio (riacho, córrego, açude, barragem, represa ou lagoa). As paredes do poço podem ser feitas com blocos de concreto, se o diâmetro do poço tiver mais de 1,5m. Eles devem ser apoiados sobre um anél de concreto ( pré-moldado ou feito no local), que servirá de fundação. Mas o ideal é fazer o poço com anéis pré-moldados de concreto. Isso pode ser feito de duas maneiras:
- Em terrenos firmes, primeiro é feita a escavação e depois são assentados os anéis;
- Em terrenos fracos (que desmoranam facilmente) os anéis são colocados à medida que a escavação é feita. Eles descem movidos pelo próprio peso. Nos dois casos, o primeiro anél serve de base ou fundação para os demais. Contruído o poço, é aberta uma valeta ligando o seu fundo ao rio para assentamento de tubos pré-moldados de concreto com diâmetro mínimo de 20cm, por onde a água entrará em direção ao poço. As emendas dos tubos devem ser bem rejuntadas com argamassa de cimento e areia. Instalada a tubulação, a valeta pode ser enterrada. A boca do tubo que fica no fundo do rio deve ser protegida com uma grade ou tela e examinada periódicamente, para evitar obstruções. Para tampar o poço, deve ser construída uma laje de concreto armado com 10cm de espessura, suficiente para aguentar o peso da bomba e do motor. Ela deve ter uma tampa, para permitir a entrada no interior do poço, e dois buracos para a passagem das tubulações. Na instalação da bomba, siga as instruções do fabricante.

2) Tomada de água por drenagem

Esse sistema é usado quando a demanda por água não é muito grande e existe uma mina ou nascente nas proximidades. A captação de água de minas ou nascentes consiste em drenar essas fontes por tubos. Essa benfeitoria deve ser feita na época mais seca do ano. A construção desse sistema de captação começa com a construção de um buraco no solo de aproximadamente 2m de distância do olho-d'água, no sentido morro acima, até que o fundo do buraco fique cheio de água. Em seguida, é aberta uma valeta a partir desse buraco até o terreno firme mais próximo, no sentido morro abaixo, onde será construída uma caixa de passagem. O buraco é então ligado à caixa por tubos pré-moldados de concreto, de 20cm a 30cm de diâmetro, de dois tipos:
- Tubos perfurados (drenos) no trecho da valeta com fundo encharcado
- Tubos normais no trecho da valeta com fundo seco (para não perder a água já captada).
Na instalação desses tubos devem ser tomados dois cuidados:
- A tubulação deve ter um caimento de 2% (2cm por metro de tubo colocado);
- Os tubos perfurados devem ser assentados sobre uma camada de brita, rejuntados com uma argamassa de cimento e areia e recobertos com uma camada de pedra 1 ou 2 e areia. Os tubos perurados de concreto podem ser instalados de várias formas, com ramificações formando redes, dependendo das características do local onde serão instalados. A caixa de passagem pode ser feita com blocos de concreto revestidos com argamassa à base de cimento. A caixa deve ter uma tampa para evitar a entrada de animais e folhas. O buraco e a valeta só devem ser aterrados após a colocação dos tubos perfurados e dos tubos normais e após a execução da caixa de passagem. Desta sairá a tubulação de abastecimento da propriedade. Convém proteger o local da nascente com cercas, para evitar a entrada de animais ou qualquer outro agente poluidor.

3) Poço

Essa benfeitoria, usada para captar pequenas quantidades de água, é uma boa solução quando não há possibilidade de aproveitamento de riachos, nascentes ou similares. Entretanto, o lençol de água (lençol freático) precisa estar num nível elevado no ponto de captação. Portanto, para evitar a abertura de poços em locais inadequados, é recomendável consultar antes um especialista no assunto. O local da construção do poço tem de ser bem estudado. Deve ficara fastado uns 30m no sentido morro acima, de focos de poluição (fossas sépticas, sumidouros, esterqueiras, etc)O especialista poderá dar maiores informações sobre a melhor localização do poço. Para evitar contaminações, os 3 primeiros metros da parte inferior do poço devem ser revestidos com uma argamassa à base de cimento, qualquer que tenha sido o material usado(anéis pré-moldados ou blocos de cimento). É preciso fazer uma laje sobre o poço, por motivos de segurança e higiêne, e também para aguentar o peso do conjunto motor e bomba. Essa laje é igual à dos poços para tomada de água por sucção direta na fonte, devendo ter uma tampa para permitir no poço e abertura para tubulação.

4) Cisternas

As cisternas são benfeitorias usadas nas regiões secas. Servem para captar e armazenar as águas das chuvas que escorrem de telhados, de terreiros para secagem de grãos, de pátios de resistência e outras áreas pavimentadas. As cisternas são formadas por sistemas de captação, um reservatório de armazenamento e um sistema de filtragem. Existem basicamente dois modelos de cisternas:
- Para captação de água de telhado;
- Para captação de água de áreas pavimentadas.

a) Cisternas para captação de água do telhado

Recolhem pequena quantidades de água. A captação é feita por um conjunto de calhas e tubos (em geral, PVC com 10cm de diâmetro), que conduzem a água da chuva para um reservatório. O tamanho do reservatório depende do consumo, da área do telhado e da quantidade de chuva que cai na região. Um profissional especializado pode ajudar a definir o tamanho ideal em cada caso. O certo é executar esse reservatório total ou parcialmente enterrado. Isso reduzo custo da construção e a água mais fresca.O dimensionamento do sistema de captação deve respeitar alguns valores médios de consumo diário de água nas regiões brasileiras afetadas pela seca.

VOLUME TOTAL DE ÁGUA NECESSÁRIO (EM LITROS)

Homem (por pessoa) de 14 a 28
Bovinos (por cabeça) de 53 a 83
Bovino cultura de Corte Animal Adulto de 50 a 70
Vacas em Lactação de 80 a 100
Equinos (por cabeça) de 41 a 68
Caprinos (por cabeça) de 06 a 11
Ovinos (por cabeça) de 06 a 11
Suinos (por cabeça) de 06 a 16
Suínos em fase de terminação de 05 a 10
Porcas em maternidade de 35 a 50Aves (lote de 100 ) de 20 a 38



CAPTAÇÃO DA ÁGUA DA CHUVA

Cada 1mm de chuva/ano equivale a 1 litro por metro quadrado de telhado:
Paiol 10 m² 19 m³ 19.000 litros
Casa 100 m² 190 m³ 190.000 litros
Chiqueiro 200 m² 380 m³ 380.000 litros
Aviário 1200 m² 2280 m³ 2.280.000 litros

O reservatório pode ser construído com concreto armado ou ferrocimento. Mas precisa ser muito bem feito, para evitar vazamentos. Os reservatórios devem ser cobertos com laje, um telhado ou uma tampa, dependendo do seu tamanho, para evitar acidentes e a entrada de luz e sujeira. O importante é que essa cobertura tenha um suspiro (arejador), abertura para a passagem da tubulação e uma pequena tampa removível para limpeza e conservação. O reservatório pode ter também um ladrão (ou sangradouro), que consiste em um tubo de 5cm dediâmetro, colocado no topo da parede do reservatório, para escoar o excesso de água. A água armazenada nessas cisternas deve ser filtrada na saída. Para isso, é preciso instalar um filtro dentro do reservatório, composto de camadas de pedra,carvão vegetal, areia grossa e areia fina, superpostas nessa ordem, de baixo para cima. A boca do tubo de saída doreservatório deve ficar enterrada na camada inferior desse filtro.É sempre preferível retirar a água com uma bomba. A retirada com balde é pouco produtiva e apresenta riscos de contaminação. É recomendável não deixar a água do início da chuva entrar no reservatório, pois ela contém muita sujeira. Para isso, o tubo de PVC que sai da calha deve ser mantido fora da entrada do reservatório, até a água ficar limpa. Só então ele é colocado dentro da cisterna. Quando a água se destinar ao consumo ou ao preparo de alimentos, é recomendável fervê-la antes de usar. Para que a água da chuva permaneça em bom estado de conservação, a cisterna deve ser feita de forma que fique bem fechada, sem entrada de luz, se possível subterrânea diminuindo assim a temperatura da água e conseqüentemente retardando a ação das bactérias e o aparecimento de algas. Além disso, a água deve ser filtrada e tratada com cloro antes de ser consumida:

• Filtragem da água: a água da cisterna destinada a consumo humano deve ser filtrada. Os filtros podem ser os comumente encontrados no comércio, ou outros tipos caseiros.
• Tratamento com cloro: a água deve ser clorada em um reservatório de menor tamanho que deve ficar localizado na cozinha. A recomendação para cloração é de 01colher de chá de água sanitária para cada 20 litros de água armazenada. Deve-se misturar bem. Após 30 minutos, a água já pode ser consumida. Alternativamente, devem-se seguir as recomendações dos Agentes de Saúde (que atuam na comunidade) para o tratamento da água.

b) Cisternas para captação de água de pisos e pavimentos

As cisternas para captação de águas de pisos e pavimentos são usadas quando as áreas dos telhados das moradias não é suficiente para coletar a água necessária para a propriedade. Nesse sistema, a água das chuvas que cai em áreas pavimentadas é recolhida em canaletas e ralos, de onde é conduzida por canaletas até um filtro e deste para um reservatório igual ao do sistema de captação de água do telhado. Os pisos e pavimentos já existentes podem ser usados para a captaçãode água das chuvas.Quando construídos para essa finalidade, os pisos e pavimentos devem ser construídos de modo a conduzir a água direto para os ralos, dispensando as canaletas e com um caimento mínimo de 3% ( 3cm por metro de extensão do pavimento). O ideal também é que todo o contorno da área de captação seja delimitado por uma mureta de 20cm de altura (uma fiada de blocos de concreto). Isso evita a entrada de barro, poeira ou sujeiras que contaminam a água captada. O tamanho do reservatório depende do consumo, da área pavimentada e da quantidade de chuva que cai na região. O reservatório pode ser construído com concreto armado ou com ferrocimento. Mas precisa ser muito bem feito para evitar vazamentos. Esse reservatório deve ser coberto com uma laje ou telhado, com um caimento para o lado da captação, de modo a também contribuir para o abastecimento de água. O importante é que essa cobertura tenha um suspiro, aberturas para a passagem de tubulações e uma pequena tampa removível, para limpeza e conservação. É recomendável não deixar a água captada no início da chuva não entrar no reservatório, pois contém muita sujeira. Isso é feito com a ajuda de um desvio na tubulação (ladrão) antes da entrada no reservatório.

5) Pequenas barragens

As barragens aproveitam as águas dos rios, córeegos, riachos disponíveis nas propriedades. Além de captar água, elas têm a vantagem de poder servir também para outras finalidades, como por exemplo:
- Geração de energia elétrica;
- Irrigação;
- Criação de peixes.

Elas devem ser construídas em estreitamentos ou gargantas de vales, principalmente por questão de economia. As barragens podem ser feitas de:
- Concreto;
- Solo-cimento;
- Terra;
- Pedras (enrocamento).

Qualquer que seja o material utilizado, todas as barragens são executadas com a superposição de camadas. A construção de uma pequena barragem, independentemente do materialutilizado, deve ser feita com base num projeto obrigatóriamente elaborado por um profissional habilitado (engenheiro civil, engenheiro agrícola ou agronomo), por ser uma obra de responsabilidade. O projeto e a execução da obra deve considerar vários fatores:
- Volumede água a ser captada;
- Materiais disponíveis nas proximidades;
- Capacidade de suporte do solo para aguentar o peso da barragem;
- Topografia da área;
- Indice de chuvas na região;
- Intensidade de evaporação local;
- Fundação firme, garantindo boa estabilidade da obra;
- Utilização de técnicas e procedimentos de construção que evitem a ocorrência de trincas ou fissuras;
- Domínio da tecnologia dos materiais a ser utilizados.

As barragens de concreto e de solo-cimento têm as seguintes vantagens:
- São impermeáveis (quando esses materiais são usados corretamente);
- Duram muito mais;
- Consomem menos materiais (por exemplo, dispensam o revestimento);
- O núcleo das barragens pode ser preenchido com terra reduzindo o seu custo.

Já as barragens de terra e de pedras não são impermeáveis. Isso dificulta o armazenamento da água e gera risco de rompimento. Por isso, é preciso fazer um revestimento de concreto ou de solo-cimento, pelo menos na parte da barragem que fica em contato com a água. Em alguns casos, é até recomendável fazer um diafrágma (parede) de concreto no núcleo dessas barragens. As barragens também podem ser feitas com solo-cimento ensacado, comum núcleo de argila ou solo-cimento.Toda barragem deve ter um vertedouro (ladrão ou sangradouro), para escoar o excesso de água e evitar que ela suba além da altura da barragem, transbordando pelo topo (crista). Isso pode causar danos sérios à barragem, desgastando o topo e causando infiltrações e erosão na base.

Fontes:
http://www.banet.com.br/construcoes/uso_geral/obras_de_captacao_de_agua.htm
http://www.uniagua.org.br/website/default.asp?tp=3&pag=usoracional.htm
http://www.umanovaera.com/conspiracoes/Veneno_na_Torneira.htm
http://www.mds.gov.br/programas/seguranca-alimentar-e-nutricional-san/cisternas/cisternas-2/agua-e-saude-cuidados-com-a-agua-da-cisterna


- Veja também:
Vídeos Super adobe
Princí­pios da Bioconstrução

9 de setembro de 2009

Videos Banheiro Seco

Banheiros secos são sanitários que não utilizam água.
Seleção com os melhores vídeos.

Banheiro Seco - economia de água, saneamento transformador
parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=atSVFx-b9Tc&NR=1


parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=TdLY_BB973A



banheiro seco "HUMUS SAPIENS"
http://www.youtube.com/watch?v=Go-7B9DOy_0


Ipema (second part)habitações sustentáveis
Construção de um banheiro seco com super adobe
http://www.youtube.com/watch?v=9Yzw-Oej62E


Letrinas ecológicas mejoradas
(em espanhol)
http://www.youtube.com/watch?v=cJg-4J9q_GQ



- Veja também:
A Cebola
Polaridade - A Cura Através das Mãos
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