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10 de fevereiro de 2011

CD Moradia

Aviso:
O site onde este CD estava hospedado foi tirado do ar recentemente pelo governo dos EUA. Até eu encontrar outro site semelhante e fazer o upload este CD ficará indisponível para download.
Os mini arquivos continuam disponíveis:
http://sustentacomuni.blogspot.com/2011/12/mini-arquivos.html
23 de janeiro de 2012



Por Adrian Rupp


Reuni na forma de um CD várias informações sobre como atingir a auto-sustentabilidade na construção de moradias.

São textos, imagens e vídeos sobre superadobe, permacultura, bioconstrução, bambu, etc.
Este CD não esgota o tema mas pode ser uma fonte de referencia interessante, principalmente na falta de Internet.
Reuni também vários artigos da Wikipédia sobre o tema.
Usei racionamento de mídia, nenhum arquivo tem 35 Megabytes ou mais. Isso melhora a preservação da mídia já que um pequeno aranhão não irá inutilizar os dados de todo o CD. Essa estratégia também favorece uma concentração maior de informações por mídia.

Endereço para baixar a imagem de CD:
http://www.megaupload.com/?d=5NB55LA9

Tamanho do arquivo: 695.77 MB

Você pode gravar um CD com essa imagem usando qualquer programa gravador de CDs como o Brasero ou K3b (para Linux).
Ou ainda montar a imagem de CD no disco rígido para visualizar o conteúdo dos arquivos sem gastar um novo CD. No Windows é necessário instalar um programa específico para fazer isso.

26 de março de 2010

Materiais construtivos Mbyá

Por Letícia Thurmann Prudente

Os materiais construtivos da casas construídas pelos Mbyá são recursos naturais típicos do Bioma Mata Atlântica, especialmente da Floresta Ombrófila Densa (Mata Atlântica, stricto senso). São espécies vegetais associadas a valores simbólicos e culturais desse povo. Os Mbyá dão preferência ao uso de algumas espécies por serem consideradas sagradas, principalmente para a construção das casas de reza (opy). Na realidade, são espécies que possuem características físicas adequadas à construção, tais como durabilidade e resistência, mas os Mbyá costumam exaltar mais seus aspectos espirituais. A exemplo, Morinico se refere às espécies arbóreas preferidas como “árvores de alma forte”. Apresenta-se no quadro 2 uma lista das espécies vegetais utilizadas na construção Mbyá.



Essas espécies vegetais listadas no quadro 2 foram identificadas nos tekoá do Estado por alguns pesquisadores locais, tais como Zanin (2006) e Freitas (2004; 2006), reunindo-se, dessa forma, informações de campo averiguadas e bibliográficas existentes. Podem ainda haver ainda outras espécies empregadas na construção Mbyá. Algumas dessas espécies também servem para outros fins, como artesanato, medicina, xamanismo e alimentação, além da construção, segundo Freitas (2004).

No Tekoá Nhüu Porã, foram averiguadas o uso de algumas dessas espécies nas construções das casas de xaxim, sendo que o próprio xaxim (samambaiaçu) foi inserido a essa lista por esse tekoá, já que é o único que o utiliza para esse fim no RS. Serão descritos dados referentes a aspectos físicos e simbólicos das espécies vegetais de maior relevância e preferência para os Mbyá no contexto deste trabalho como: cedro ou yary (Cedrela fissilis), taquara-mansa ou takua eteí (Merostachys clausenii), samambaiaçú ou xaxim (Dicksonia selowiana) e cipós ou yxypó4.

Cedro (Yary)

O cedro (Cedrela fissilis), ou yary em Guarani, é uma das espécies arbóreas preferidas como elemento estrutural por suas características físicas apropriadas e por sua importância na cosmologia Guarani. Os Guarani o relacionam com uma divindade chamada Yvyra Nhamandú (CADOGAN, 2003). É uma espécie associada aos mitos de criação e sustentação do mundo, sendo uma das primeiras árvores criadas para apoiar e sustentar a abóbada celeste, de acordo com Cadogan (1959 apud COSTA, 1989). O karaí do Tekoá Nhüu Porã também cita o cedro como sendo a própria divindade do sol (Nhamandú) na Terra e, por isso, possui muita energia de proteção e cura, devendo ser utilizada na “casa do Guarani” (ASSECAN, 2007, p.14). Cabe citar que o cedro também é utilizado na produção do fogo (elemento fundamental para as culturas indígenas), na medicina tradicional e na produção de artesanato, além de suas sementes alimentarem alguns animais silvestres como o quati (COSTA, 1989; ASSECAN, 2007; FREITAS, 2004).

É utilizado como pilares e vigas nas casas construídas pelos Mbyá, possuindo diâmetros adequados e alturas suficientes para o aproveitamento de apoios em forma de forquilhas. No Tekoá Nhüu Porã foram encontradas algumas espécies de cedro em uma mata ciliar de um arroio próximo, como mostra a figura 34. Também são apresentadas imagens de sua utilização como pilares estruturais e vigas da cobertura nas construções da casa de xaxim.



4.3.3.2 Xaxim (Samambaiaçu)

O xaxim ou samambaiaçu (Dicksonia selowiana) é utilizado como vedação lateral das casas do Tekoá Nhüu Porã especificamente. Sua importância como material construtivo surgiu no RS a partir desse tekoá, já sendo usado como tal nos tekoá existentes na Argentina, segundo o cacique. Esse Mbyá relata que, quando chegaram nesse local, buscaram empregar o xaxim da mesma forma que a palmeira sagrada denominada pindó, da qual utilizam tanto o caule quanto as folhas. No caso do xaxim, utilizam apenas o caule, pois suas folhas não possuem características propícias para serem usadas como cobertura, ou mesmo inseridas nas paredes, como no caso das folhas de pindó.

As paredes das casas de xaxim do Tekoá Nhüu Porã feitas do tronco do xaxim são muito eficientes quanto ao isolamento térmico. Isso se deve ao fato de esse tronco compreender uma massa fibrosa constituída “inteiramente de raízes adventícias entrelaçadas” (FERREIRA, 2004, p.2083). Assim, a parede fica larga e permeável, permitindo a concentração de ar que auxilia no equilíbrio entre a temperatura interna e externa da casa. A figura 35 apresenta espécies de xaxim encontradas na borda da estrada que leva ao Tekoá Nhüu Porã e alguns troncos coletados pelos Mbyá, além da sua utilização nas paredes.



Os Mbyá cortam os troncos de xaxim ao meio no sentido transversal e o colocam verticalmente, intercalando as partes mais largas ora para cima e ora para baixo, como mostra a parede da figura 35. Os troncos dessa figura foram encontrados no tekoá vizinho ao Tekoá Nhüu Porã, no Tekoá Ka ?aguy Pau (Terra Indígena da Varzinha). Os Mbyá desse outro tekoá tinham o objetivo de usá-los para construírem uma casa de artesanato, considerando a referência das casas do Tekoá Nhüu Porã, mas não chegaram a construí-la. Cabe citar que os Mbyá do Tekoá Nhüu Porã, mais especificamente o cacique, chegaram a construir uma casa de xaxim no município de Taquara para o Museu Antropológico do Rio Grande do Sul. Essa foi uma oportunidade de expor a cultura Guarani e de vender o artesanato, segundo narra o cacique. Mas ele também conta que não chegou a ser muito positiva, pois venderam muito pouco artesanato e, com essa casa fora do tekoá, não receberam mais as visitas das escolas locais como ocorria antes.

Os troncos de xaxim eram aproveitados exacerbadamente por floriculturas pela sociedade não-indígena até pouco tempo, mas hoje o xaxim é considerado uma espécie em fase de extinção, sendo legalmente proibida de ser coletada. Esse fato traz algumas controvérsias em relação ao seu uso pelos Mbyá no Tekoá Nhüu Porã. Porém, eles o utilizam apenas para a construção de suas casas e não o comercializam. Isso está coerente com a legislação brasileira através do Estatuto do Índio, que garante o uso exclusivo dos recursos naturais em terras indígenas, segundo seus costumes e tradições, desde que para o seu benefício e não para fins econômicos e comerciais (BRASIL, 2006).

Taquara-mansa (Takuá eteí)

A taquara-mansa (Merostachys clausenii) é uma das espécies de taquara utilizadas pelos Mbyá como material construtivo. Denominada takua eteí em Guarani, que significa “taquarinha verdadeira”, está relacionada a um mito sobre uma heroína divinizada chamada Takuá Vera Chy Ete (CADOGAN, 2003). Além da construção, também é usada para outros fins, como produção do artesanato, instrumentos musicais e, ainda, segundo Cadogan (2003), os Mbyá aproveitam para se alimentar de larvas comestíveis que se desenvolvem periodicamente nos taquarais secos dessa espécie.

Os Mbyá usam a taquara-mansa na forma de feixes macerados (amolecidos por batida) que formam uma espessa camada de cobertura. Além disso, também a utilizam inteiriças ou em tramas como vedação lateral das paredes, recebendo muitas vezes o barro como revestimento. Consideram que é melhor como material construtivo de cobertura do que o capim (capí) ou as folhas de pindó (palmeira) também utilizados para esse fim, segundo Morinico. Esse Mbyá explica que a taquara-mansa na cobertura é mais tradicional que o capim, pois esse é influência da sociedade não-indígena trazida pelos Guarani do Paraguai para o Brasil. Já o no caso do pindó, por ter sua importância na cosmologia Mbyá, suas folhas seriam o material preferido, porém não há em quantidades necessárias para esse fim nas áreas indígena, ao contrário da taquara-mansa. Além disso, Zanin (2006) acrescenta que os Mbyá preferem usar essa taquara por ela ter mais durabilidade do que as folhas de pindó, dependendo da execução e da espessura da camada da cobertura.

No Tekoá Nhüu Porã, as coberturas de taquara-mansa das casas estão com problemas de infiltração de água, sendo necessária atualmente a troca ou o acréscimo de taquaras sobre as existentes para aumentar a espessura da cobertura. Porém, nesse momento, essa espécie encontra-se em período de seca em toda a região de sua abrangência. O cacique desse tekoá explica que terão de esperar oito anos para poderem coletá-la e utilizá-la novamente em suas casas. Segundo Zanin (2006), essa é uma espécie de taquara que floresce de 30 em 30 anos e, durante esse período, os Mbyá ficam de cinco a sete anos sem material para cobrir suas casas. A figura 36 mostra os taquarais secos encontrados ao longo da estrada que leva ao Tekoá Nhüu Porã e o uso dessa espécie como cobertura.



O problema atual da falta dessa taquara foi discutido com o cacique, que se colocou aberto a sugestões e soluções, como a viabilidade de transporte de capim de outro tekoá, por exemplo, já que não há esse recurso no ecossistema local. Outra sugestão foi o que o tekoá vizinho (Tekoá Ka ?aguy Pau) fez para resolver a questão, usando outra espécie de taquara para recobrir a cobertura da casa de reza (opy) da comunidade, no caso o taquaruçu (Guadua angustifolius) que significa “taquara grande” em Guarani. Porém, de acordo com o relato de um Mbyá desse tekoá, foi mais difícil do que a taquara-mansa, pois essa tem grande flexibilidade e pequena espessura, sendo mais fácil e simples de manusear.

Cipó (Yxypó)

O cipó denominado pelos Mbyá de yxypó é uma etnocategoria que define uma gama de espécies de cipós nativos que nem sempre tem correspondência na classificação botânica e que são utilizados na construção e em outras atividades, tais como artesanato, medicina e alimentação (FREITAS, 2004). Algumas espécies têm preferência de uso e são referidas como yxypó ete que significa “cipós verdadeiros” em Guarani, como o cipó guaimbé ou wembe ?pi em Guarani (Philodendron bipinnatifidum), segundo Freitas (2004).

Os cipós são fundamentais como materiais construtivos, pois têm a função de estabilizar a estrutura, com técnicas de encaixe e amarração. Esse papel é ressaltado pelos Mbyá na expressão: “o cipó é nosso prego”, segundo exemplifica Zanin (2006, p.122). Na figura 37 está um dos cipós coletado no Tekoá Nhüu Porã e sua utilização no enlaçamento dos elementos que compõem a estrutura de vigas e pilares da casa de xaxim.



Os Mbyá têm um cuidado e respeito com o manejo dos cipós, assim como qualquer espécie vegetal que coletam nas matas. São encontrados em maiores quantidades em ambientes alterados pelo homem, tais como interfaces de bordas de mata, capoeira e beira de estradas, segundo Freitas (2004). Essa autora explica que os Mbyá têm conhecimentos sobre as formas adequadas de coleta, pois priorizam espécies retas e maleáveis, com o corte feito próximo à altura do joelho para que se mantenha a raiz, permitindo, assim, que brotem de novo (FREITAS, 2004). Ladeira e Felipim (2005, p.45) exemplificam esse fato com o relato de um Mbyá sobre a coleta de cipós em seu tekoá: “A gente tira mais cipó adulto. O novo fica. Com o tempo, aquele que a gente tirou fica bom de novo para tirar. Ele não acaba assim. Ele vem como um ser humano, cada vez mais cresce o cipó”.

Cabe citar que nem todos os tekoá têm acesso às espécies preferenciais de cipó (yxypó eté), pois necessitam de outras plantas em áreas de mata para se apoiarem e crescerem em direção ao sol. Porém, nem todas as áreas indígenas têm áreas de mata com abundância de recursos naturais e, assim, nem todas as casas são construídas com os yxypó eté. Em função disso, os Mbyá acabam buscando alternativas com outros materiais, tais como tiras de tecido e couro reciclados ou pregos e arames comprados. Mas nessas situações, há relatos que apontam os Mbyá pedindo perdão a suas divindades por estarem utilizando elementos que não são tradicionais e sim industriais, os quais consideram “que não tem alma”, como fala Morinico.

Terra crua (Yvy)

A terra crua denominada yvy em Guarani é encontrada em todos os pisos das casas construídas pelos Mbyá, possuindo um valor simbólico essencial na cosmologia Mbyá. Também é usada como revestimento das paredes de pau-a-pique na maioria dos tekoá do RS, chamada de yvy ó (ZANIN, 2006). O uso da terra como piso possibilita o tradicional fogo de chão e como revestimento aumenta o isolamento térmico da casa. No Tekoá Nhüu Porã, todas as casas possuem o piso interno de terra crua, ou melhor, de solo apilonado, o que possibilita o contato direto com o solo, além do fogo de chão. Nesse tekoá também foram identificadas algumas casas com um pouco de terra crua como revestimento de partes das paredes, porém com uso provisório, posto que o padrão local são as paredes de xaxim.

Cabe ressaltar que a terra crua é considerada tão importante quanto qualquer espécie vegetal na perspectiva Mbyá. Cita-se como exemplo a oportunidade do acompanhamento da construção de uma feita pelos Mbyá para ser exposta na Bienal de Arte do Mercosul cidade de Porto Alegre em 2007, a qual se caracterizava por ter paredes de pau-a-pique revestidas de terra – típica dos demais tekoá do RS. A terra do revestimento dessa casa foi retirada do tekoá da capital (Tekoá Anhetenguá) e fora exigida de volta ao mesmo local a fim de retornar à cava feita para sua extração. Os Mbyá justificaram essa exigência explicando que para eles a terra tem um espírito próprio e, assim, esse espírito “deveria retornar ao local de onde saiu”, assim como todas as espécies vegetais que empregam na construção, segundo Morinico - cacique desse tekoá e responsável pela obra.

Assim, os materiais construtivos que os Mbyá empregam em suas construções são considerados mais que elementos funcionais, pois cada espécie vegetal ou mesmo uma parcela de terra crua possui um valor simbólico significativo e específico, de acordo com a perspectiva Mbyá. Constata-se que dão grande importância para as relações entre os elementos que compõe a casa, visto que cada um se refere a entidades que contribuem no processo de criação do espaço construído parta esse povo indígena.

Fonte: http://hdl.handle.net/10183/17025

- Veja também:
Construção de uma casa Mbyá

25 de fevereiro de 2010

Construção de uma casa Mbyá

Trecho de um trabalho de mestrado que descreve o processo de construção de uma moradia de pau-a-pique de taquara com taipa de mão, própria dos Mbyá-Guarani.

Por Nauíra Zanardo Zanin

A coleta de dados realizada na Tekoa Koenju, em São Miguel das Missões, por ter sido realizada em várias visitas e com maior período de permanência que nas demais comunidades, permitiu o acompanhamento de etapas do processo construtivo de diferentes habitações. Também ocorreu a observação de uma etapa construtiva, registrada em vídeo pela equipe do INRC, no dia anterior à chegada do pesquisador a campo, de modo que foi possível observar a execução em vídeo e, posteriormente, visitar a construção na etapa em que se encontrava.

Os dados são referentes à observação de mais de uma construção, sendo observadas diferentes etapas, separadamente. Normalmente, a construção é interrompida em caso de chuva, pois a maioria das etapas depende de tempo bom, inclusive para o tratamento de alguns materiais. As etapas de construção das casas foram acompanhadas entre a primavera e o outono (outubro de 2005 a maio de 2006). Aparentemente, não há uma época definida para a construção de casas, pois mesmo durante o inverno de 2006 ocorreram novas construções.

Segundo dados levantados, a construção de uma casa pode levar de uma semana a mais de um mês, de acordo com a técnica utilizada e do local onde será construída, pois depende da acessibilidade aos materiais e influi na durabilidade da edificação. Segundo o Mbyá-Guarani 7, que é um ogapuá (construtor), para a construção de uma casa de taquara completa, com barro, são necessários 35 dias, em 4 a 5 pessoas. Um dos fatores que pode retardar a construção é a coleta do material: “demora para fazer a casa porque tem que buscar o material e preparar” (Mbyá-Guarani 12).

Apresenta-se o corte padrão das edificações (Figura 21), cuja execução foi acompanhada em campo. Neste desenho técnico está representada a nomenclatura Mbyá-Guarani utilizada para os elementos construtivos.

Alguns podem receber variadas denominações (ijytá - apoio, madeira, suporte). Houve a intenção de representar fielmente as diferentes partes da edificação, como a estrutura (ijytá), amarrações (ojokuaá), cobertura de taquara batida (takua oje kava’ekue), fechamentos (ikorá) e, em uma das paredes é representado o recobrimento com taipa de mão (yvy ó). Este desenho gráfico tem o intuito de auxiliar a compreensão das diferentes etapas construtivas, descritas adiante, de acordo com as observações e entrevistas realizadas em campo.



A seguir será descrita a seqüência do processo construtivo de uma casa da tipologia pau-a-pique de taquara com taipa de mão, ocorrente na Tekoa Koenju em São Miguel das Missões:

ETAPAS PROCESSO CONSTRUTIVO
TIPOLOGIA PAU-A-PIQUE DE TAQUARA COM TAIPA DE MÃO - TEKOA KOENJU
1 FUROS PARA FUNDAÇÃO
A primeira etapa na execução de uma casa são as fundações. São definidas as distâncias entre pilares, que correspondem às dimensões da casa. A forma é retangular e as dimensões variam, tendo como medidas mais freqüentes: 3,00x4,00 m, 4,00x5,00 m e 4,00x6,00 m. Na marcação dos furos podem ser utilizados pedaços de taquara, linha de pesca ou cordas, buscando-se distâncias equivalentes para os lados opostos. A fundação é o próprio pilar estrutural, que serve de estaca e os furos são circulares, com aproximadamente um palmo de diâmetro. São executados com cavadeira manual (yvy joá) e a terra também é retirada manualmente, de modo que o furo não excede em profundidade o comprimento do braço daquele que o executa. Em uma construção foram medidos buracos de 40 cm e, em outra, de 60 cm de profundidade.

2 LIMPEZA DO TERRENO
Antes de construir a casa, o pátio é limpo de todas ervas e gramíneas. Assim é configurado e mantido durante todo o uso da edificação. Depois de executarem os furos, começam a capinar com enxada, limpando o terreno sob o sol do meio-dia, para eliminar as raízes. O pátio deve ficar completamente limpo, com a terra exposta.

3 COLETA DO MATERIAL PARA ESTRUTURA
No dia seguinte à limpeza do terreno, saem pela manhã para o mato, a fim de coletar a madeira para a estrutura, que é cortada e carregada de carroça até o local da construção. Para os pilares, são preferíveis os troncos e galhos em forquilha, que devem ter aproximadamente 13 cm de diâmetro. São necessários seis pilares, dois com aproximadamente 250 cm e quatro com aproximadamente 150 cm. Para as vigas de cumeeira e frechais são preferíveis troncos de árvores retas, compridas e um pouco mais finas. São necessárias três vigas, com aproximadamente 500 cm de comprimento e 10 cm de diâmetro. A madeira deve ser cortada, preferencialmente, na lua minguante, assim como os demais elementos vegetais utilizados na construção. Os materiais cortados na lua nova terão menor durabilidade, sendo atacados por fungos e cupins: “para colher a madeira da casa é melhor na lua cheia, minguante ou crescente. Na lua nova não pode, porque fica com muito bicho” (Mbyá-Guarani 7).

4 MONTAGEM DA ESTRUTURA - IJYTÁ
A montagem da estrutura ocorre depois de deixarem os troncos lisos, sem felpas ou cascas. Quando, durante a coleta, não são encontrados troncos com terminação em forquilha, é necessário entalhar a cabeça do pilar para assentar a viga. A estrutura é simplesmente apoiada e não recebe amarrações, mesmo nos casos em que a estrutura é mais leve. Os pilares são encaixados nos buracos de fundação: os dois maiores, na mediatriz da fachada, e os quatro menores, nos cantos. A profundidade da estaca garante a rigidez estrutural. Depois de montada a estrutura, a altura final dos pilares centrais é de, aproximadamente, 2,00 m e laterais, de 1,00 m.

5 COLETA DO MATERIAL PARA COBERTURA
A madeira para a cobertura pode ter sido coletada juntamente com a madeira para a estrutura da casa, mas nos casos observados, a coleta ocorreu depois de montada a estrutura. A madeira para os caibros é bem mais delgada que a utilizada na estrutura, tendo aproximadamente 5 cm de diâmetro. Para os casos observados, devem ser coletados sete troncos finos para os caibros, com cerca de 250 cm de comprimento. A coleta da taquara também deve ser na lua certa (minguante), para que tenha maior durabilidade. Na lua nova não se deve cortar, nem plantar. A taquara também é retirada do mato e transportada, de carroça, até o local da construção, onde é trabalhada. É preciso deixar secar as taquaras ao sol, antes de usar. Antes de secar, as taquaras são talhadas no comprimento com facão. O cipó também deve ser cortado na lua minguante. Segundo Costa e Malhano (1987), é melhor colher o cipó em época de chuvas e mantê-lo molhado, para que permaneça maleável até sua utilização.

6 MONTAGEM COBERTURA - TAKUA OJE KAVA’ EKUE
Os caibros são amarrados firmemente às vigas da cobertura com cipó e podem receber um entalhe, para o melhor encaixe das peças. Acima dos caibros são enlaçadas ripas de meia taquara, com a parte interna voltada para baixo. Para produzir as telhas de cobertura, a taquara é talhada no sentido longitudinal e depois é batida para que se abra, formando uma folha. Primeiro, a taquara sofre este processo de rompimento das fibras, para, posteriormente, secar ao sol. Depois de seca, é dobrada no sentido transversal, com a superfície interna da folha para fora, e encaixada nas ripas de meia taquara, envelopando-as. As telhas (takua oje kava’ ekue) devem se sobrepor, a fim de cobrir a estrutura do telhado. Na cumeeira, as telhas de taquara são colocadas abertas e amarradas nas ripas. Em alguns casos podem ser colocadas taquaras enlaçadas com cipó, no sentido longitudinal do telhado, acima das telhas, para melhorar a fixação das mesmas.

7 FECHAMENTO DAS PAREDES – IKORÁ
O fechamento das paredes, observado na Tekoa Koenju, pode ser executado com taquara, troncos ou tábuas de pindó cravados no chão. Antes de iniciar o fechamento, externamente, são afixados travessões horizontais, pregados ou amarrados com cipó, na altura média dos pilares, para apoiar as tábuas. Nas paredes pode ser utilizada taquara verde, cortada ao meio e no comprimento necessário para fechar a parede. É feito um vinco na terra, para fincar a base da taquara. Ao serem colocadas no lugar, são enlaçadas com um cipó contínuo (emendado), com a parte de dentro da taquara voltada para o exterior. Depois, o vinco do solo é preenchido com terra, que é firmada com o pé. Caso decidam revestir as paredes com barro, taquaras cortadas ao meio são fixadas com cipó, externamente à parede, no sentido horizontal. A parte interior da taquara deve ficar voltada para fora.

8 COLOCAÇÃO DO REVESTIMENTO DE BARRO – INHARU KANGUÁ
Nenhuma das construções observadas foi revestida com barro durante o levantamento de campo. Contudo, foram observadas casas com este revestimento e levantadas informações junto aos entrevistados. Observou-se que este acabamento só é imprescindível na Opy e as demais edificações podem ficar sem barro. Segundo o Mbyá-Guarani 7, é colocada apenas uma camada de barro nas paredes. O Mbyá-Guarani 21 complementou a informação, dizendo que o acabamento com barro é feito por fora e por dentro. Em alguns casos, primeiro executam o revestimento por fora e depois fazem por dentro. Esta é uma etapa que deve ser executada com tempo seco. A técnica construtiva utilizada, conhecida como taipa de mão, é realizada sobre a estrutura de pau-a-pique, com o objetivo de preencher as frestas entre as varas de madeira que compõe o tramado. Os Mbyá denominam a parede revestida de barro de yvy ó. O Mbyá-Guarani 14, um jovem Mbyá, explicou que, para preparar o barro, separa-se a terra boa, sem pedras, com uma enxada. Adiciona-se água e então a mistura é bem pisada, até obter uma consistência homogênea para passar na parede. No transporte do barro até o local da construção, geralmente são utilizados carrinho de mão ou baldes. A mistura é, então, colocada na parede com a mão e depois alisada cuidadosamente. Se cair o barro, coloca-se novamente. O barro é alisado manualmente, deixando impressa em linhas horizontais a direção dos dedos daquele que o executou. No acabamento final da parede externa ficam visíveis as linhas horizontais das taquaras que fazem parte do tramado de pau-a-pique. Ao finalizar a construção, é sulcado um dreno no chão, evitando que a água da cobertura corra em direção ao interior da casa. Segundo o Cacique Cirilo (SEVERGININI & WANDAME, 2005) o contato com o barro durante a construção garante que a pessoa não esqueça mais como se constrói. Cacique Cirilo (SEVERGININI & WANDAME, 2005) explica que o piso da casa é de chão batido, criando um degrau do exterior para o interior, para proteger da umidade.


As informações deste capítulo foram obtidas junto às comunidades que fazem parte deste estudo, no intuito de registrar o papel da casa tradicional autóctone Mbyá-Guarani, para as pessoas que nelas vivem. Ressalta-se que as técnicas utilizadas fazem parte da tradição construtiva e, provavelmente, foram desenvolvidas e adaptadas ao longo de gerações a fim de atingir o desempenho que hoje apresentam. Sendo assim, é fundamental reconhecer que estas soluções são moldadas pela cultura e, desta forma, atendem às reais necessidades de seus usuários. Coloca-se, ainda, que o fortalecimento deste saber construtivo, traz consigo a valorização cultural e o reconhecimento dos maiores conhecedores das técnicas, materiais e significados destas habitações – os Mbyá-Guarani.

Fonte: http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/10697

- Veja também:
Diferentes usos dos bambus
Coberturas Naturais

23 de outubro de 2009

Diferentes usos dos bambus

Por Roberto Magno de Castro e Silva

O bambu sempre esteve presente na cultura e na vida diária do homem primitivo de todos os continentes com exceção da Europa que não tem o bambu na forma nativa. O uso do bambu no oriente remonta há quase cinco mil anos e há mais de quinhentos anos na América do Sul. Na cultura chinesa, o bambu é símbolo de amabilidade, modéstia e serenidade, no Vietnã é tido como um irmão, e na Índia como ouro verde. Nos tempos mais remotos o bambu era empregado na fabricação de arcos e flechas, habitações, utensílios domésticos, embarcações e outros. Mais tarde o bambu foi matéria prima na construção da primeira lâmpada, avião e bicicleta (Salgado et al, 1992). Nos dias atuais os colmos e folhas do bambu são largamente empregados na produção de papel, desinfetantes, baterias, tecidos, cervejas e outra centena de usos.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente (2004), o Brasil apresenta um déficit de 200 mil hectares anuais de florestas plantadas para consumo. Tal situação tem levado a importação de madeira serrada proveniente do cone sul, especialmente do Uruguai que se encontra no raio de operação das indústrias moveleiras do Sul do país. Por outro lado, a baixa oferta de lenha e carvão já é um fator restritivo para a expansão da indústria brasileira. O bambu embora seja uma gramínea, possui características agronômicas e tecnológicas que o torna uma matéria prima alternativa a madeira e capaz de fazer frente às demandas emergente de diversos setores da indústria de base florestal. No mundo, particularmente na Ásia, existe produção em grande escala de parquetes, painéis, móveis, papel e tecidos provenientes do bambu. Na Índia, China e Colômbia esta planta está inclusa em vários programas governamentais de fomento e pesquisas relacionados ao seu cultivo e aproveitamento industrial.

No Brasil a exploração do bambu praticamente se restringe aos usos tradicionais como balaios, tutores na agricultura e construções provisórias. A exceção mais expressiva é a produção de papel cartão duplex de Bambusa vulgaris, por uma empresa nordestina com uma capacidade instalada de 72 mil toneladas anual. O uso desta matéria prima na movelaria, construção civil e indústria ainda se encontram num estágio bastante rudimentar no Brasil. Na contra-mão desta situação arquitetos, engenheiros, artesãos e alguns pesquisadores vêm estudando e confirmando o grande potencial econômico e social desta matéria prima. Os resultados obtidos com estes estudos apontam para uma necessidade de mais investigações científicas relacionadas aos aspectos silviculturais e dos usos múltiplos do bambu.


O bambu na construção civil

No setor da construção civil, o uso do bambu é bastante difundido na Ásia e em outros países da América Latina, como Peru, Equador, Costa Rica e Colômbia, onde vários exemplos de edificações confirmam sua potencialidade. Para o uso do bambu em grande escala como material de engenharia economicamente viável se faz necessário um estudo científico sistemático. Estes estudos devem contemplar técnicas de cultivo, colheita, cura, tratamento e pós-tratamento, além de uma completa análise estatística das propriedades físicas e mecânicas do colmo do bambu inteiro (Ghavami & Marinho, 2001).

Até o presente, e de um modo geral, o emprego do bambu em construção se faz de forma empírica baseado geralmente nos sistemas tradicionais estabelecidos em cada país, e que algumas vezes estão regidos por crenças e critérios que, por serem equivocados, interferem na evolução da arquitetura e na aplicação mais adequada desse material (Salgado et al., 1992). Entretanto edificações luxuosas, verdadeiras obras primas do ponto de vista arquitetônico, tem sido construídas para atender uma demanda cada vez maior de pessoas de alto poder aquisitivo. Vale neste caso, ressaltar o trabalho dos arquitetos Oscar Hidalgo e Simon Vélez na Colômbia que pela sua técnica refinada tem difundido o uso adequado do bambu na construção civil.
Os colmos do bambu possuem excelentes propriedades físicas e mecânicas que podem ser utilizadas em lugar do aço para fabricação de estruturas de concretos (Ghavami, 2001). Diversos trabalhos foram conduzidos em vários países atestando a qualidade do bambu como material para construção quando se considera a suas características físicas e mecânicas. As propriedades mecânicas do bambu são fortemente afetadas pela idade, espécie e teor de umidade. Contudo segundo (Pereira, 2001) o teor de fibras é o principal responsável pela sua resistência. O bambu alcança sua resistência máxima a partir dos três anos quando atinge a sua maturidade e colmos secos são mais resistentes do que os verdes. Existe um aumento na resistência do colmo à tração e compressão até os seis anos de idade e até oito anos na resistência à flexão, ocorrendo uma diminuição de todas estas características em colmos mais velhos.

A densidade dos bambus varia entre 500 a 800 kg/m³, dependendo principalmente do tamanho, quantidade e distribuição dos aglomerados de fibras ao redor dos feixes vasculares. Estas diferenças são menores mais perto do topo, devido ao aumento da densidade na parte interna e redução na espessura da parede, que apresenta internamente menos parênquima e mais fibra (Pereira, 2001).

Em virtude da orientação das fibras serem paralelas ao eixo do colmo, o bambu resiste mais à tração do que à compressão. O módulo de elasticidade varia em função da posição do colmo. Nos nós, o valor do módulo de elasticidade é maior em virtude da concentração de sílica. Na parte externa este valor é cerca de 14% maior que na parte interna. (Ghavami, 2001).

O conforto térmico proporcionado pelas construções com bambu é outra boa característica que qualifica este material para a construção. Através de experimentos (Ghavami, 2001) comprovou que a condutividade térmica do bambu para uma transmissão de calor radial é 15% menor do que para madeira, nas mesmas condições de umidade. Para uma transmissão de calor longitudinal, a condutividade é 25% menor que na madeira.

As construções com bambu devem contemplar projetos com beirais bastante avançados com o intuito de evitar a sua exposição à chuva e sol. Os pilares não devem tocar diretamente o piso seguindo desta forma sabedoria popular colombiana que diz: construções com bambus carecem de boas botas e um bom chapéu.


A celulose do bambu para a fabricação de papel e tecido

A capacidade mundial de produção de polpa de celulose está em torno de 1,46 milhões de toneladas, aproximadamente 80% das quais estão na China e Índia (Desai & Rao, 2004).

As espécies dos gêneros Eucalyptus e Pinus são os maiores fornecedores de fibras para a produção de celulose no Brasil. Os Pinus sp constituem importante fonte de fibra longa para produção de celulose, mas essas espécies apresentam crescimento relativamente lento e são desaconselhadas para o reflorestamento em várias regiões do Brasil (Gomide et al, 1982). O bambu não obstante apresentar características agronômicas e tecnológicas altamente desejáveis na obtenção de celulose, não foi tão bem estudado quanto estas duas espécies e, portanto carece de mais pesquisas para este fim. Estes estudos deveriam ser direcionados não só ao processo industrial, mas também aos aspectos agronômicos como nutrição, espaçamento e avaliação das diferentes espécies de bambus existentes no Brasil.

O bambu como matéria prima para papel tem as fibras estreitas como a do Eucalyptus sp e longas como as do Pinus sp, proporcionando um perfeito entrelaçamento e conferindo grande resistência aos produtos fabricados (Itapagé, 2005). No que se refere aos aspectos agronômicos, supera estas duas espécies devido a sua maior facilidade de cultivo e adaptação a solos marginais e a uma maior amplitude climática.

No Nordeste brasileiro são cultivados mais de quarenta mil hectares de Bambusa vulgaris para a produção de pasta celulósica (Itapagé, 2005). As duas unidades de celulose pertencentes a um mesmo grupo se localizam nos municípios de Coelho Neto, no Maranhão e Jaboatão dos Guararapes no Estado de Pernambuco. A capacidade instalada é de 72 000 toneladas/ano e já iniciou um plano de expansão que elevará a produção anual de papel para 144 000 toneladas/ano. O bambu é submetido ao corte raso e picado na floresta por meio de picadores móveis. Já na fábrica é peneirada e a fração não adequada à produção do papel é destinada à geração de energia. O papel produzido além de atender os padrões de exigência do mercado não apresenta nenhum resíduo de enxofre. O processo de produção de pasta celulósica de bambu tende a ser mais viável quando associado à produção do álcool a partir da sacarificação do amido presente nos seus parênquimas. O amido contido nos cavacos reduz a conversão em celulose ou fibras celulósicas e eleva o consumo de reagentes demandados no processo de deslignificação Azzini & Gondim-Tomaz (1996).

Azzini etl al.(1987) concluiu ser tecnicamente possível a produção conjunta de etanol e fibras celulósicas a partir do bambu. Os rendimentos em fibras celulósicas (46,85 a 56,04%) e etanol (12,77 a 14,79 litros/100 kg de cavacos) foram mais elevados nas regiões mediana e ponta dos colmos mais velhos. O rendimento em fibras brutas ou fração fibrosa (69,35 a 76,35%) foi mais elevado nos cavacos provenientes dos colmos mais novos. Para a extração do amido é necessário o rompimento das células parenquimáticas através de um processo mecânico e químico. Em seguida o amido é separado por arraste em água. Os efeitos da concentração de hidróxido de sódio, tempo de tratamento, tempo de desfibramento e idade dos colmos na extração do amido de bambu foram estudados por Azzini & Gondim-Tomaz (1996).


O Bambu na produção de carvão

O bambu como biomassa para a geração de energia tem um grande potencial tanto na forma de lenha como para a produção de carvão. O poder calorífico do carvão de bambu não difere muito do eucalipto que é a matéria prima de referência para este fim (Tabela 6).

O carvão de bambu apresenta uma grande vantagem em relação ao de qualquer outra lenhosa quando destinado à produção de carvão ativado. Tal vantagem diz respeito ao fato do carvão do bambu apresentar aproximadamente o dobro da área de superfície do carvão proveniente das outras matérias primas. Isto confere a carvão do bambu um maior poder de adsorção de sólidos e gases. O carvão do bambu tem, entre outras, aplicações na medicina e filtros de alto rendimento.


O bambu na movelaria e artesanato

A inconstância na oferta da matéria prima de qualidade e padronizada é um dos principais fatores restritivos à expansão da indústria moveleira no Brasil. Grande parte desta oferta tem como origem as florestas nativas que nos últimos anos tem sido reduzida por força da legislação ambiental e da própria redução dos estoques naturais. O bambu roliço ou laminado se constitui numa excelente alternativa a madeira na fabricação de móveis.

Na Ásia existe uma intensa produção de móveis e artesanatos de bambu destinado ao mercado interno e de exportação. Para tanto os artesãos deste continente dominam uma refinada técnica que qualifica tais produtos para um mercado exigente. Já no Brasil o emprego do bambu para este fim se dá numa intensidade muito abaixo do potencial. De um modo geral são poucos os móveis produzidos em bambu no Brasil com a qualidade dos asiáticos e Colombianos. Diferentemente dos países asiáticos, a espécie mais empregada no Brasil para este fim é o Phyllostachys aurea, em detrimento dos bambus de maior diâmetro. Esta espécie apresenta a vantagem de ser facilmente curvada mediante aquecimento das suas fibras e ter uma grande resistência ao ataque de Dinoderus minutus, caruncho do bambu. Na Colômbia, talvez motivado pela sua abundância e domínio sobre os processos de imunização, a espécie Guadua angustifolia é a mais empregada na fabricação de móveis.

O emprego do bambu laminado colado, devido ser um material totalmente padronizado, em relação ao bambu roliço, proporciona uma maior flexibilidade na produção de móveis seriados. Estes móveis devido à resistência e aos seus aspectos estéticos podem, sem restrições, concorrer no mercado dos móveis de madeira sólida. Nas páginas especializadas da rede mundial de computadores, pode ser encontrada uma grande oferta destes móveis a partir da palavras-chaves “bamboo furniture” ou “bamboo flooring”. O laminado de bambu é produzido e exportado em grande escala por vários países na Ásia.

Koga et al (2002) realizaram um estudo comparativo da resistência ao desgaste abrasivo de laminados de ipê, peroba-rosa, maçaranduba e Dendrocalamus giganteus Neste estudo o sautores concluiram que o laminado de bambu teve uma resistência à abrasão semelhante ou superior aos demais laminados das outras espécies. Um problema relativo à produção de laminados de madeiras e bambus é o uso de adesivos a base de fenol-formaldeído. Este produto apresenta alguns fatores negativos, tais como: consumo de energia por precisar de altas temperaturas para a cura (130°C a 160°C), o preço alto do fenol e a toxidade. Um adesivo alternativo é o poliuretano à base de mamona que é impermeável, inofensivo ao meio ambiente e ao ser humano. Sua cura é processada com temperatura ambiente, podendo ser acelerada com temperatura de 60°C e estima-se que quando colocado no mercado poderá atingir preços bem satisfatórios (Dias & Lahr ,2003).

No Brasil ainda não existem fábricas de móveis de bambu laminado e as pesquisas para o desenvolvimento desta tecnologia são tímidas.

O bambu é reconhecidamente um dos materiais mais versáteis para a produção de artesanato. Isto se deve ao fato de ser o bambu uma matéria prima de fácil obtenção, barata e que demanda ferramentas simples na sua transformação. Além disso, o bambu é também um material de grande plasticidade e de fácil combinação com outros materiais, permitindo ao artista ou artesão expressar o seu talento nas mais variadas formas. Aceita facilmente a colagem, responde bem ao acabamento com lixa e verniz e pode ser utilizado na sua forma natural cilíndrica ou plana quando desdobrado.

As varas mais finas dos bambus, após serem cheias com areia fina, podem sem maiores dificuldades, serem curvadas com a aplicação de fogo. Tal procedimento pode também ser realizado com ar quente, vapor e água quente, apresentando estes métodos à vantagem de não carbonizar o bambu nos pontos em que se deseja curvar.
O bambu é um material amplamente solicitado na produção de instrumentos musicais tais como saxofones, flautas, alguns instrumentos de corda e percussão. Existem bandas e orquestras que usam exclusivamente instrumentos de bambus nas suas apresentações.

A cestaria é outra linha de artesanato com bambu produzido em escala para exportação principalmente nos países asiáticos. A excelente qualidade da cestaria destes países se deve a boa qualificação da mão-de-obra e também a disponibilidade de máquinas que auxiliam no processo de produção.


O bambu na alimentação humana

A utilização no Brasil do bambu como alimento é pouco difundida, se restringindo praticamente as pessoas de origem asiática. Na Ásia o broto do bambu, conhecido como “bamboo shoot”, constitui-se numa importante fonte de divisa sendo produzido em sistema artesanal e industrial para o mercado interno e exportação (NMBA, 2004).


O bambu no meio rural

O uso do bambu no meio rural no Brasil se dá de forma bastante rudimentar e muito a baixo das potencialidades desta planta. A confecção de balaios ou jacás para o transporte de milho é tão comum que este recipiente se transformou numa unidade de medida no comércio deste cereal no meio rural. As regiões produtoras de tomate tutorado demandam uma grande quantidade de varas de bambu para o tutoramento desta cultura. É freqüente a aquisição destes tutores de regiões que distam mais de quinhentos quilômetros das áreas cultivadas e isto tem elevado significativamente o custo deste insumo. As espécies preferidas para este fim são Bambusa tuldoides e Phyllostachys aurea.

O bambu é uma matéria prima com grande potencial para a melhoria da qualidade da habitação rural brasileira. São muitos os moradores da zona rural que mesmo dispondo deste material em suas propriedades, se privam de uma moradia adequada por desconhecimento das melhores técnicas de construção com bambu. É importante considerar ainda que toda a mobília e vários utensílios domésticos podem ser confeccionados a partir desta matéria-prima.

O bambu a exemplo da Colômbia e outros países, pode ser empregado também na construção de galpões, estábulos, pontes, cochos, galinheiros e outras necessidades desde que se promova a capacitação do trabalhador rural para este fim.

Pereira (1997) desenvolveu um método bastante funcional que permite a irrigação por aspersão por meio de tubos de bambus confeccionados a partir dos colmos de Dendrocalamus giganteus. Este sistema de irrigação foi mantido em funcionamento durante seis anos quando se empregou bambus tratados e durante um tempo médio de um e dois anos quando utilizado bambus não tratados.

Fonte:
http://www.embambu.com.br/imagens/bambu_brasil_mundo.pdf
ou
http://br.dir.groups.yahoo.com/group/bambu-brasil/message/21065


- Veja também:
Videos Construção com Bambu
Cedrella fissilis (Cedro)

8 de outubro de 2009

Cedrella fissilis (Cedro)

Texto produzido pela Acadêmica Aline Angeli
Supervisão e orientação do Prof. Luiz Ernesto George Barrichelo e do Eng. Paulo Henrique Müller
Atualizado em 21/11/2005

1. Introdução

O cedro é uma espécie rara, que ocorre em diversas formações florestais brasileiras e praticamente em toda América tropical. Essa árvore frondosa produz uma das madeiras mais apreciadas no comércio, tanto brasileiro quanto internacional, por ter coloração semelhante ao mogno e, entre as madeiras leves, é uma das que possibilita o uso mais diversificado, sendo superada apenas pela madeira do pinheiro-do-paraná (Carvalho, 1994)

2. Taxonomia

Segundo o Sistema de classificação de Cronquist:

Família: Meliaceae
Espécie: Cedrella fissilis Vellozo
Sinonímia botânica: Cedrella brasiliensis Adr. Jussieu; C. brunellioides Rusby; C. huberi Ducke; C. macrocarpa Ducke; C. regnelli C. de Candolle; C. tubiflora Bertoni
Nomes vulgares: acaiacá, acaiacatinga, acajá-catinga, acajatinga, acaju, acaju-caatinga, capiúva, cedrinho, cedro-amarelo, cedro-batata, cedro-branco, cedro-fofo, cedro-rosado, cedro-de-carangola, cedro-do-rio, cedro-cetim, cedro-diamantina, cedro-rosa, cedro-roxo, cedro-verdadeiro, cedro-vermelho, cedro-da-bahia, cedro-da-várzea, cedro-do-campao, iacaiacá.

3. Aspectos ecológicos

O cedro é uma espécie que se comporta como secundária inicial ou secundária tardia. Ocorre tanto na floresta primária, principalmente nas bordas da mata ou clareiras, como na floresta secundária, porém nunca em formações puras, possivelmente pelos ataques severos da broca-do-cedro e pela necessidade de luz para desenvolver-se, dependendo, portanto, da formação de clareiras. As principais regiões fitoecológicas de ocorrência são Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica e Floresta Amazônica), Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária), Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Estacional Decidual. Entretanto, também ocorre, de modo mais restrito, nos encraves de vegetação no Nordeste brasileiro (Ferreira & Batista, 1990), nos campos da Serra da Mantiqueira (Carvalho, 1994), no Cerradão (Nave et al., 1997) e nas matas de galerias - em ambientes mais secos – nessas fitofisionomias do bioma Cerrado.

4. Descrição

O cedro é uma árvore caducifólia, com altura variando entre 10 e 25m e DAP (diâmetro à altura do peito), entre 40 e 80cm. Apresenta tronco reto ou pouco tortuoso, com fuste de até 15m. A copa é alta e em forma de corimbo, o que a torna muito típica.

As folhas são compostas, medindo entre 25 a 45 cm, muito variáveis quanto à forma, com 8 a 30 pares de folíolos oblongo-lanceolados a oval-lanceolados (Lorenzi, 1992). A alta densidade estomática nas folhas, muito maior que em outros gêneros das Meliaceae, é também uma característica muito peculiar do cedro (Piratininga-Azevedo,1999).

As flores são brancas, com tons levemente esverdeados e ápice rosado; também são pequenas, agrupadas em tirsos axilares de 30 cm, na média, sendo que as masculinas são mais alongadas que as femininas.

Os frutos são cápsulas em forma de pêra, deiscentes, sendo que parte dos carpelos permanecem no eixo do fruto após a deiscência. Os frutos apresentam cinco valvas longitudinais (que se abrem por ocasião da deiscência), lenhosas, ásperas, de coloração marrom, com lenticelas claras e alojam de 30 a 100 sementes viáveis.

As sementes são aladas, de coloração bege a castanho-avermelhada e apresentam dimensões de até 35mm de comprimento por 15mm de largura .

5. Informações botânicas

O cedro é uma planta hermafrodita, porém a fecundação é cruzada e o mecanismo que favorece a alogamia é o amadurecimento das flores femininas e masculinas em períodos distintos. A polinização é feita possivelmente por mariposas (Morellato, 1991) e abelhas (Steinbach & Longo, 1992).

Os frutos, bem como as sementes, são dispersos, sobretudo, pela ação da gravidade e do vento, respectivamente.

A floração e a frutificação, que se iniciam entre dez e quinze anos após o plantio, ocorrem em períodos distintos nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná , Goiás, Minas Gerais, Bahia, Pará, Espírito Santo e Santa Catarina. De agosto a setembro ocorre floração em Goiás; de agosto a dezembro, em Minas Gerais; de setembro a novembro, no Rio Grande do Sul; de setembro a dezembro, em Santa Catarina; de setembro a janeiro, em São Paulo e no Paraná; de outubro a fevereiro, na Bahia; em janeiro, no Pará e de janeiro a março, no Espírito Santo. A frutificação ocorre de abril a agosto, no Rio Grande do Sul; de maio a julho, em Minas Gerais; de junho a julho, no Espírito Santo; de junho a setembro, em São Paulo; de julho a agosto no Paraná e Santa Catarina; de agosto a setembro, no Rio de janeiro e de novembro a fevereiro em Goiás (Carvalho, 1994).

6. Ocorrência natural

O cedro possui distribuição ampla no território brasileiro, compreendendo latitudes de 1° S (Pará) a 33° S (Rio Grande do Sul). Ocorre em altitudes de 5 a 1.800 metros.

7. Clima

O cedro é adaptado aos tipos climáticos, segundo a classificação de Köppen, temperado úmido, subtropical úmido, subtropical de altitude e tropical.

O regime de precipitações é bastante variável, com chuvas de inverno uniformemente distribuídas na Região Sul e nas proximidades de Belém, e chuvas de verão periódicas nas demais regiões a partir do norte do Paraná. A precipitação anual média é de 750mm (Morro do Chapéu, BA) a 3.700mm (Serra de Paranapiacaba, SP). A deficiência hídrica é nula e sem estação seca na região Sul, moderada com estação seca de até três meses nas Regiões Centro- Oeste e Sudeste, e forte com até seis meses de seca no norte de Minas Gerais.

A temperatura média anual nas regiões de ocorrência desta espécie varia de 13°C (São Joaquim – SC) a 26°C (Monte Alegre – PA). Suporta geadas, em média de 0 a 30 por ano.

8. Solo

Normalmente, o cedro ocorre em solos profundos e úmidos, de textura argilosa a areno-argilosa, e bem drenados. Não se desenvolve adequadamente em solos mal drenados, rasos ou com lençol freático superficial.

O cedro também apresenta crescimento pouco afetado em solos contaminados por metais pesados (Marques at al., 2000).

9. Sementes

Geralmente, colhem-se os frutos duas ou três semanas antes da deiscência natural, pois as sementes são aladas e dispersas pelo vento. O período ideal para colheita é verificado pela coloração do fruto, que passa de verde para marrom-clara, que indica a maturidade fisiológica da semente; esse período ocorre entre 30 e 32 semanas após a antese. Após a colheita, os frutos são levados para local seco e ventilado para completar a deiscência e a liberação das sementes é feita agitando-se os frutos (Corvello et al., 1997; Durigan et al., 2002).

As sementes de cedro não apresentam dormência e podem ser armazenadas a frio, conservando-se o poder germinativo por dois anos. Cada quilograma contém cerca de 21.000 a 24.000 sementes (Durigan et al., 2002).

10. Produção de mudas

A produção de mudas pode ser feita em sementeiras, para posterior repicagem, ou diretamente em recipientes (tubetes de 200 cm3 ou sacos de polietileno) contendo substrato rico em matéria orgânica, semeando-se duas sementes por recipiente (Lorenzi, 1992; Carvalho, 1994). Também se pode produzir mudas pelo método de raiz nua (Durigan et al., 2002) ou por propagação vegetativa; em ambos os casos, as respostas são satisfatórias (Rodrigues, 1990).

O poder germinativo das sementes geralmente ultrapassa 80% e a germinação ocorre entre doze e dezoito dias após a semeadura.

11. Aspectos silviculturais

Cedrela fissilis é uma espécie florestal heliófila na fase adulta, medianamente tolerante a tolerante às baixas temperaturas, sendo que árvores adultas em florestas naturais toleram até – 10,4ºC (Carvalho, 1994).

O hábito dessa espécie é muito variável devido ao ataque da broca-do-cedro, mas, quando não atacado, apresenta ramificação leve e fuste reto. Como a desrama natural é ineficiente, necessita de podas de galhos e de condução freqüentes e periódicas e, quando se tratar de indivíduos atacados pela broca-do-cedro, deve-se proceder com podas corretivas anuais durante os três primeiros anos (Carvalho, 1994).

O plantio puro a pleno sol, como exposto anteriormente, é impraticável devido os ataques da broca-do-cedro. A isso soma-se que as maiores produtividades são verificadas em condições mais sombreadas. Assim, são mais vantajosos os plantios mistos, porém evitando-se ultrapassar a densidade de 100 indivíduos por hectare.

Em cultivos consorciados, o plantio pode ser feito em linhas e, em vegetação matricial arbórea, o plantio pode ser feito em faixas abertas nas capoeiras.

12. Crescimento e produção

O cedro é uma espécie de crescimento relativamente rápido, podendo se comportar como espécie secundária inicial ou tardia e regenerando-se preferencialmente, em clareiras ou bordas de mata, conforme anteriormente destacado.

Os plantios puros de cedro, entretanto, são praticamente inviáveis devido ao ataque da broca-do-cedro, que torna o crescimento da espécie extremamente variável e, na maioria das vezes, o incremento médio anual é tão baixo (inferior a 4 m³/ha/ano) que inviabiliza o plantio comercial (Durigan et al., 2002; Carvalho, 1994).

13. Pragas e doenças

A broca-do-cedro (Hypsipyla grandella Zeller) é a praga mais importante para essa espécie, constituindo fator limitante para seu cultivo, pois ainda não foi encontrada uma solução eficaz para o controle da praga. Os ataques ocorrem em viveiros, plantios ou regeneração natural, danificando as gemas apicais, levando ao desenvolvimento arbustiforme ou mesmo matando a planta. De modo geral, os sucessivos ataques aos ponteiros paralisam o desenvolvimento do cedro.

O controle da broca-do-cedro é muito difícil, mas pode-se tentar a combinação dos seguintes métodos: físico (armadilha luminosa no início da estação chuvosa), cultural (eliminação das mudas atacadas no viveiro, poda dos ramos atacados no campo e evitar plantios puros a pleno sol) e biológico (utilizar parasitóides de ovos e lagartas, Trichogramma sp e Hypomicrogaster hypsipylae, respectivamente). Também podem ser utilizados alguns produtos à base de Metarhizium anisopliae, Beauveria bassiana e Bacillus thuringiensis, desde que aplicados antes que as lagartas penetrem nos ramos (Gallo et al., 2002).

São citadas na literatura outras pragas menos importantes, tais como ácaros, o coleóptero Oncideres dejeani, o lepidóptero Antaeotricha dissimilis, a coleobroca Diploschema rotundicolle, o homóptero Freysuila sp e besouros da Família Scolytidae.

14. A madeira

A madeira do cedro possui massa específica aparente entre 0,47 e 0,61g/cm³, a 15% de umidade; a densidade básica é de 0,44 g/cm³. Trata-se, portanto, de uma madeira leve a moderadamente densa (Jankowsky et al., 1990).

O alburno apresenta coloração branca a rosada e o cerne varia entre bege-rosado a castanho-avermelhado. A superfície da madeira é lustrosa e com reflexos dourados, a textura é grosseira e a grã é direita ou pouco ondulada.

A resistência natural dessa madeira é moderada quanto ao ataque de organismos xilófagos, porém é resistente aos agentes exteriores, desde que não seja enterrada ou submersa. É de baixa permeabilidade aos tratamentos preservantes, em autoclave.

Trata-se de uma madeira de secagem fácil, tanto em estufa, quanto ao ar livre, com baixa ocorrência de defeitos.

15. Usos e preço da madeira

A madeira serrada ou roliça pode ser usada para construção civil, naval e aeronáutica, movelaria, marcenaria, confecção de instrumentos musicais e esculturas, entre outros (Lorenzi, 1992).

Como lenha, a madeira de cedro é considerada de boa qualidade, porém seu alto valor no mercado torna esse uso inadequado.

A madeira de cedro laminada e serrada, no mercado atacadista de São Paulo, está sendo cotada a R$ 6,81/m² e R$ 2.138,06/m³, respectivamente (Florestar Estatístico, 2005).

16. Produtos não-madeireiros

Da madeira do cedro extrai-se óleo essencial com perfume semelhante ao cedro-do-líbano. Verifica-se também a presença de substâncias tanantes na casca e no lenho.

O chá das cascas do cedro é utilizado, na medicina popular, como tônico fortificante, adstringente, febrífugo, no combate às disenterias e artrite (Franco, 1997).

17. Outros usos

O cedro fornece forragem(Carvalho, 1994), pode ser utilizado para produção de mel e, por ser uma espécie ornamental, também pode ser empregada em projetos paisagísticos e arborização urbana (Lorenzi, 1992).

Cedrela fissilis é também uma espécie importante para recuperação florestal de áreas degradadas e de matas ciliares, onde não ocorrem inundações (Durigan, 2002). Esta essência também é promissora para a recuperação de solos contaminados por metais pesados (Marques et al., 2000).

18. Referências bibliográficas

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JANKOWSKY, I.P.; CHIMELO, J.P.; CAVANCANTE, A. de A.; GALINA, I.C.M.; NAGAMURA, J.C.S. Madeiras brasileiras. Caxias do Sul: Spectrum, 1990. 172p.

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Fonte: http://www.ipef.br/identificacao/cedrella.fissilis.asp

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Vídeos Super adobe
Princí­pios da Bioconstrução

18 de setembro de 2009

Coberturas Naturais

Estabelecer um contato mais próximo com a natureza faz parte do estilo de vida atual, que redescobriu a força da terra, os poderes das pedras e as importantíssimas propriedades das plantas. Dentro desta nova e saudável concepção, a arquitetura oferece possibilidades para resgatar formas mais simples e naturais de se viver, entre elas, as coberturas naturais.
Optar por um revestimento natural para o telhado é uma forma de integrar a construção à natureza. Muito solicitado para casas de praia ou de campo, ele aparece também em regiões urbanas, cobrindo ambientes de lazer como varandas, quiosques, áreas de churrasqueiras, ou mesmo a casa inteira. Para obter um bom resultado, recomenda-se o uso de fibras tradicionais, como o sapé, a palha de santa fé, a piaçava e a palha de coqueiro. Num primeiro momento, pode parecer estranho que esse tipo de cobertura tão primitiva realmente proteja contra a ação da chuva, vento e do sol. Entretanto, ela mostra excelentes qualidades como isolante térmico e acústico. A água da chuva também não atrapalha, desde que a estrutura do telhado tenha declividade mínima em torno de 30 graus.
Uma das desvantagens da cobertura natural é o seu tempo de vida, em média, de três a quinze anos. Nos centros urbanos este fator é agravado pela poluição, obrigando a trocas mais freqüentes da fibra. Deve-se estar atento ainda quanto à proliferação de insetos como
baratas, aranhas e cupins. O risco de incêndio também é maior do que no telhado revestido por
telhas comuns. A única saída é instalar "splinders" (dispositivos para irrigação), que mantêm a fibra úmida, retardando a ação do fogo. Aliás, quando a cobertura natural for utilizada sobre
churrasqueiras, recomenda-se construir uma chaminé alta, coberta por um tubo de amianto ou tijolos. Normalmente a cobertura natural é associada a uma arquitetura de tendências rústicas. Mas ela pode ser combinada a outros estilos. Se a idéia é se aproximar o máximo da natureza, a estrutura do telhado deve ser de madeira, de preferência aparente. A presença do forro é
opcional e deve atender às expectativas estéticas para os ambientes internos, já que o visual do exterior está garantido. Em todo o Brasil há empresas especializadas em coberturas naturais,
mas poucas trabalham com todos os tipos de fibras. A dificuldade acontece porque normalmente só a mão-de-obra nativa da região de determinada folha ou palha tem conhecimento para realizar uma cobertura perfeita.

Piaçava
Original do Nordeste, esta fibra é colhida quando amadurece. A parte mais grossa é aproveitada para produzir vassouras e o restante é usado na confecção de coberturas. A piaçava é trançada em ripas de madeira, presas em caibros a uma distância de 17cm uma das outras. A
sobreposição das ripas compõe o visual interno da casa. Do lado de fora, a piaçava é penteada e fica lisa. A espessura final é de 8 a 10cm. Para cada 10m² de cobertura são necessários 100m de piaçava. O tempo médio de vida é de dez a doze anos.

Palha de Santa Fé
Encontrada nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, proporciona a aparência de uma massa compacta e flexível. A palha é arranjada em feixes de 30cm de comprimento, posteriormente presos com arame a ripas de 2,5 x 2,5cm. Por sua vez, elas são pregadas aos
caibros e separadas 20cm uma das outras. A espessura final da cobertura é de 20cm. Quarenta feixes de 10cm de diâmetro cobrem 1m². Durabilidade: dez a quinze anos.

Sapé
É natural de encostas e mais fácil de ser encontrado. Para compor a cobertura, os feixes de sapé são amarrados com arame ao ripamento já pregado em caibros. O efeito externo é semelhante ao da piaçava, com espessura de 10 a 15cm. Cada metro quadrado requer trinta feixes de
sapé com 10cm de diâmetro. Sua vida útil é de aproximadamente três anos.

Palha de coqueiro
Nativa dos estados do Norte e Nordeste, essa folha deve ser dobrada e presa nos caibros com arames ou pregos, formando uma estrutura que lembra um pente. Os pentes são sobrepostos um ao outro por cima da cobertura de madeira, a partir das bordas. A durabilidade deste
material está na faixa de dois a quatro anos.

Telhados de grama
Esse tipo de telhado oferece bom isolamento térmico em custa muito pouco, exige apenas a mão-de-obra de um dia de trabalho. O clima ideal para esse tipo de cobertura é o clima tropical.
Primeiro construímos a estrutura de madeira e bambu com uma inclinação mínima de 1:10. Para telhados com inclinação bem maior é bom usar bambus de espessuras variáveis formando uma base ondulada, evitando que a grama deslize. Pode-se ainda utilizar bambus na
direção contrária aos demais ou tela de galinheiro, assim podemos fazer uma inclinação bem maior. Prega-se uma tabua na vertical e coloca-se um plástico, para evitar infiltrações da água da chuva, fixado com uma ripa pregada nas tábuas do beiral. Ao longo da tábua, na parte mais baixa do telhado, coloca-se um tubo, furado a cada 20 cm, para drenar a água da chuva; cobre-se
esse tubo com brita para que não se entupam os furos da drenagem. Em seguida, cobre-se toda a cobertura com placas de grama. Pode-se ainda plantar flores coloridas para dar um aspecto mais agradável, tomando o cuidado de escolher gramas e plantas que resistam em pouca
terra. Em regiões aonde existam épocas de seca é recomendado deixarmos uma mangueira perfurada instalada na parte mais alta do telhado para regar.

Créditos:
Bianca Wachholz, Flávio Vinícius Schons, Gisele de Oliveira Fernandes Salvador, Pedro Bazzo de Espíndola

Fonte:
http://www.arq.ufsc.br/arq5661/trabalhos_2003-1/ecovilas/coberturas_naturais.htm

- Veja também:
Vídeos Super adobe
Princí­pios da Bioconstrução

12 de setembro de 2009

Videos Construção com Bambu

Seleção de vídeos sobre construções com bambu.

- Momento Ambiental Bambu
Vantagens do uso de bambu:
http://www.youtube.com/watch?v=X6R0ilr-zsE


- Cidades e Soluções - 20070429 Construções com bambu
Mostra como escolher o bambu e a possibilidade de substituir aço:
http://video.google.com/videoplay?docid=-8538004607202119344&ei=qwOpSpimCpC2rgLJ7ISoAw&q=bambu


- Curso de técnicas construtivas com bambu
Usinagem do bambu para construção:
http://www.youtube.com/watch?v=8gAT1NueSYU&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=bP2DtD3Nqtc&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=FXFqrRUtqRk
http://www.youtube.com/watch?v=zl4CVXwM7go&NR=1









Bamboo Architecture - Arquitectura en Bambú
palestra sobre trabalho com bambu (em espanhol):
http://www.youtube.com/watch?v=7kdmW6Cgbqc&NR=1



- Veja também:
Vídeos Super adobe
Princí­pios da Bioconstrução

6 de setembro de 2009

O potencial dos sacos de areia

.:: por Marina Benjamin ::.
The Independent/Londres
Traduzido por Clarissa Pont

Dirigir pela empoeirada Hesperia, cidade no deserto da Califórnia, cansa o olhar. Se você descontar as montanhas de San Bernardino, que passam como uma cortina de fundo, não há nada além de quilômetros de arbustos e fileiras infindáveis de habitações de beira de estrada, todas na cor creme. É como um solavanco quando, ao dobrar uma esquina, você tropeça no Instituto Cal Earth. Repentinamente, como um ponto de luz em um radar, formas orgânicas começam a pontuar o duro horizonte.Os pontos são casas de tijolo de barro construídas pelo arquiteto iraniano Nader Khalili, usando o método que ele chama de super adobe. Elas se espalham em pequenos feixes entre as árvores, salpicando os sete acres e meio do Instituto. Estas cabanas de barro – e sua força, durabilidade e propriedades de empilhamento modular – são o assunto de um considerável interesse no momento. A cidade fundadora de Hesperia acaba de merecer o título de primeira colônia lunar do mundo. Khalili está encantado. Ele espera por esse momento desde 1984, quando demonstrou os méritos da arquitetura de terra em um Simpósio da Nasa que discutiu bases lunares para o século 21. Enquanto todos os outros se empenhavam em trazer soluções fantásticas, como estranhas fusões de metais, plásticos super-maleáveis e a última tecnologia em fibra de carbono, esse pequeno e intenso homem exaltou as virtudes do solo. Foi a arquitetura seguindo uma filosofia devolta às raízes que capturou a imaginação dos cientistas espaciais. Ainda que o sonho de Khalili seja construir uma colônia com regolito –a subtância dura e empoeirada que cobre a superfície lunar –, ele já está contente de, por agora, experimentar com o solo rochoso de Mohave. Aliás, Mohave é o mais próximo que se pode chegar da lua, sem sair da Terra. Ali é possível experimentar as mesmas duras mudanças de temperatura: quente ao dia, gelado durante a madrugada e extremamente seco. Mas o paralelo que mais interessa a Khalili é a similar escassez de material. "O aspecto diferente desta arquitetura é que ela usa nada além do solo sob seus pés", ele explica, "então não há necessidade de transportes caros de materiais para a lua". Ao lado de cada cabana de super adobe há um buraco no chão, uma prova bruta da construção escavada. Super adobe é essencialmente uma técnica de empilhar sacos preenchidos com terra, para formar paredes, e posicionar arame farpado entre elespara reforçar. É barato (Mars I, o mais completo dos protótipos do Cal Earth custou $270), ambientalmente amigável e notavelmente forte. Quando a Prefeitura de Hesperia desenvolveu testes independentes nas estruturas em andamento para autorizar Khalili a construir o museu natural local, eles descobriram que uma única cabana envoltacom cabos e ligada a dispositivos hidráulicos poderia suportar uma força equivalente a um caminhão cheio de concreto descendo um despenhadeiro. Khalili fundou o Instituto Cal Earth em 1991 para promover aconstrução de casas seguras e baratas. Khalili e sua assistente britânica Iliona Outram (filha do arquiteto John Outram) agora ensinam técnicas de super adobe para estudantes do mundo todo. É provável que visitantes procurando por Khalili, agora com 60 anos, encontrem-no caminhando pelo terreno, com suas calças jeans de sempre e chapéu de lã branca. Vendo Khalili em seu aspecto quase místico e ouvindo-o celebrar a santidade da terra é difícil de acreditar que ele já foi um especialista em arranha-céus. A conversão de Khalili aconteceu em 1975, aos 37 anos. Sem nenhum aviso, ele vendeu seus escritórios em Teerã e Los Angeles, comprou uma motocicleta e partiu pelas distantes montanhas do Irã rural para estudar a arquitetura local. Ele viajou por cinco anos. "No meio do caminho da minha vida eu parei de competir com os outros. Eu escolhi meus sonhos e comecei uma caminhada humana", é como Khalili descrevesua jornada em Racing Alone (algo como Correndo Sozinho), o livro que escreveu no retorno à América. A partir de então, Khalili se focaria exclusivamente em habitação para os pobres. Durante a expedição iraniana, ele não apenas aprendeu a habilidade de construir elegantes cavernas de barro: ele as melhorou. Descobriu que queimando essas construções tradicionais por três dias, efetivamente tranformando-as em fornos de calor escaldante, elas se tornavam impermeáveis a qualquer coisa que a natureza pudesse trazer, ondas de calor, tempestades de neve, efeito-estufa. Khalili imediatamente reconheceu o potencial destas construções para receber emergências, providenciando alívio instantâneo para centenas de pessoas que ficaram sem casa devido a guerras, enchentes e desastres ambientais. Além disso, ele continuou a procurar um método de construção ainda mais simples. Foi aí que ele desenvolveu o superadobe. "Agora tudo que você precisa", diz Khalili, "é jogar sacos vazios de um avião em uma zona de emergência e colocar um supervisor no solo para mostrar à comunidade local como construir". O United Nation's Institute of Training and Research está premiando as idéias do Instituto Cal Earth, mas Nasserine Azimi, da Unitar, admite que é uma luta convencer as agências de amparo que o super adobe é uma técnica na qual vale a pena investir. "Muitas agências estão presas a um tipo de pensamento e não objetivam tentar algo novo", argumenta ela. "Mas temos uma situação onde um bilhão de pessoas está em habitações temporárias e todos sabem que é ali que essas pessoas vão nascer e morrer. Com os métodos do Cal Earth é possível construir uma casa permanente por um pouco mais que o preço de uma tenda. E é uma construção sensível ao ambiente local, em termos de produção e aparência." Apesar das atrações óbvias, as aplicações práticas dos métodos de superadobe têm sido limitadas. Quarenta habitações criadas por Khalili foram construídas no Irã pelo Alto Comando para Refugiados das Nações Unidas depois da guerra entre Irã e Iraque, e criações em super adobe agora estão sendo utilizadas no Caribe, como parte dos esforços em realocar pessoas depois do Furacão Mitch, que devastou a área no final de 1998. A Artecnica, uma empresa de arquitetura na Califórnia, está planejando duas vilas de super adobe na República Dominicana. Uma, como um resort de ecoturismo, irá pagar a construção da outra. Pelo menos este é o plano. Eles também estão propondo uma subsidiária caribenha do Cal Earth, trabalhando com universidades locais, negócios e agências governamentais para desenvolver mais comunidades de superadobe. A Fundação Cecropia, um grupo ambiental mantido por Woody Harrelson, está fazendo coisas similares na Costa Rica. A última mania de Khalili é usar a Internet para divulgar suas idéias. Assim, ele consegue ultrapassar problemas oficiais e a burocracia desnecessária, e se comunica diretamente com as pessoas. Tendo localizado os mais fortes problemas de habitação no planeta, Khalili ensaiou na lua. "Estou interessado na lua como uma solução para a Terra", ele diz. "É um plano limpo e eu gostaria de mantê-lo puro e sagrado e não contaminado pelo ferro e pela mistura de neblina e fumaça dos dejetos industriais. Eu quero mostrar que o que está lá é suficiente. A lua é um espelho de tudo que fazemos aqui". Ele entende bem os desafios especiais de construir na lua. Há o problema das partículas de radiação solar, que ele propõe resolver fazendo as paredes cinco metros mais grossas. Depois há o problema da gravidade. A força universal de Newton é seis vezes mais fraca na superfície lunar que na Terra. Essa diferença permite Khalili orçar habitações que são seis vezes maiores, mas isso também significa quea tensão no interior das estruturas individuais tem de ser seis vezes maior. A solução? Empilhar os sacos de areia de super adobe horizontalmente e usar sacos de velcro. A sua técnica de super adobe é o modelo perfeito do que os arquitetos chamam de construção sustentável. Em outras palavras, quase não tem nenhum custo ambiental. Apenas um rolo dos sacos de Khalili constrói um número de paredes suficiente para erguer 20 pequenas estruturas na lua. É isso, ele planeja preencher os sacos de areia com nada mais que pó lunar. Khalili refere a si próprio como um "sonhador que passa adiante". Como os melhores escritores de ficção científica, ele possui um talento para inovação que é quase compulsivo. Também como os melhores escritores, o que o move se origina não no longínquo cosmos inalcansável, mas bem perto de casa. "Minha missão", ele diz, "é dar dignidade à terra, para que as pessoas do Terceiro Mundo, que a possuem sob os pés, não desistam de construir com ela".No final da área do Instituto, ao lado dos protótipos lunares, outro prédio está em construção. A forma da habitação ainda está muito parcial para entregar o jogo visualmente, mas vai em breve se transformar em uma casa de três quartos com garagem para dois carros. "O sonho americano em habitação", diz Khalili. A diferença é que essa casa está sendo construída em super adobe. A razão é clara: "Primeiro famílias americanas vão morar aqui, depois se pode financiar casas assim, depois vão começar a filmar novelas nessas casas. Somente aí, somente quando a América abraçar a arquitetura de terra é que o Terceiro Mundo terá orgulho do seu próprio patrimônio".

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O TRABALHO DE NADER KHALILI PODEM SER ACESSADAS ATRAVÉS DO SITE (Em inglês):
www.calearth.org

Fonte:
http://br.groups.yahoo.com/group/sustentacomuni/message/68
Versão em Inglês:
http://www.highbeam.com/doc/1P2-5066380.html


- Veja também:
Vídeos Super adobe
Princí­pios da Bioconstrução

3 de setembro de 2009

Vídeos Super adobe

Super-adobe é uma técnica de construção ecológica que utiliza sacos propileno e terra.
Seleção de vídeos:

Superadobe
Vídeo de introdução:
http://www.youtube.com/watch?v=eA5hPsWN6ro


Superadobe - Programa Habitats
Vídeo explicando como construir com super adobe:
http://www.youtube.com/watch?v=tdCvBwQ-tsQ


Sustainable Unit Super Adobe Dome
Todo o processo de construção de uma casa em superadobe:
http://www.youtube.com/watch?v=XLnHu0yppVs


Construção Ecológica de Super Adobe em Portugal
Três videos mostrando o início de uma construção:
http://www.youtube.com/watch?v=xUDkzaGsr_o
http://www.youtube.com/watch?v=y-wUW36q8Fk
http://www.youtube.com/watch?v=GcRSJqxstO8&NR=1









Eco-Dome - Trailer - Full film available at calearth.org
Outro vídeo que mostra todo o processo de construção (em inglês):
http://www.youtube.com/watch?v=WMNzoWkXTtc


- Veja também:
Videos Construção com Bambu
O potencial dos sacos de areia

24 de agosto de 2009

Princí­pios da Bioconstrução

Um texto que encontrei na Internet:

Princí­pios da Bioconstrução

- As casas têm que ser construí­das longe dos polí­gonos industriais e das principais rotas de tráfico;
- As casas têm que ser construí­das em lugares espaçosos com amplas zonas verdes;
- Os materiais de construção têm que ser naturais e não tóxicos;
- As casas têm que ser construí­das com materiais que não contribuem para a degradação meio-ambiental em nenhum momento de seu ciclo vital: extração, manufatura, instalação e uso, nem supõem a exploração de recursos limitados ou em perigo;
- Os materiais que se utilizem em muros, chãos e tetos têm que permitir a difusão do ar;
- Os materiais de construção têm que ser higroscópicos, isto é podem absorver e liberar o vapor de água, para que possam moderar a umidade interior;
- Os materiais das superfí­cies interiores têm que ser capazes de filtrar o ar e neutralizar as substí¢ncias poluentes que o acompanham;
- Tem-se que procurar um equilí­brio entre a capacidade de armazenar calor (massa térmica) e os ní­veis de isolamento térmico, com o fim de proporcionar uma temperatura interior agradável;
- Sempre que for possí­vel se recomenda utilizar calefação radiante e energia solar;
- As casas devem estar protegidas contra os ruí­dos externos e as vibrações infrasônicas;
- Tem-se que fazer um uso máximo da luz natural e das cores no interior;
- Têm-se que minimizar os campos eletromagnéticos, uma vez que se mantêm os campos magnéticos e elétricos naturais.


Princí­pios do Hannover

Os princí­pios do Hannover são um documento vivo, comprometido com a transformação e o desenvolvimento no conhecimento de nossa interdependência com a natureza, de maneira que se podem adaptar na medida em que nosso conhecimento do mundo evolui.
- Defende os direitos da humanidade e da natureza para coexistir de uma maneira saudável, sustentável, diversa e de apoio mútuo.
- Reconhece a interdependência. Os elementos do desenho humano interagem com o mundo natural de uma vez que dependem dele, com ampla e diversas implicação em qualquer escala. Estende suas considerações sobre o desenho para reconhecer inclusive os efeitos mais imprevisíveis.
- Respeita as relações entre o espí­rito e a matéria. Considera todos os aspectos de um assentamento humano, incluindo a comunidade, a moradia, a indústria e o comércio, em términos de conexões existentes e cambiantes entre a consciência espiritual e material.
- Aceita a responsabilidade pelas conseqüências derivadas das decisões que se tomam sobre desenho, conseqüências sobre os seres humanos, sobre a viabilidade dos sistemas naturais e seu direito a coexistir.
- Cria objetos seguros e com valor a longo prazo. Não carregue as futuras gerações com preocupações de manutenção ou de vigilí¢ncia do potencial perigo incluí­do nos produtos e processos do desenho atual.
- Elimina o conceito de resí­duo ou desperdí­cio. Avalia e otimiza o ciclo de vida completo dos produtos e processos que utilize, para te aproximar do estado dos sistemas naturais nos que nada se desperdiça.
- Confia nos fluxos naturais de energia. Os desenhos humanos deveriam obter sua força criativa da permanente energia do sol, igual a fazem todos os seres vivos. Incorpora esta energia em seus desenhos eficientemente e de uma maneira segura para que se dela faça um uso responsável.
- Compreende as limitações do desenho. Nenhuma criação humana dura eternamente e o desenho não resolve todos os problemas. Aqueles que criam e planejam deveriam praticar a humildade em relação com a natureza. Trata a natureza como um modelo e uma conselheira, não como um inconveniente.
- Busca melhorar constantemente compartilhando seus conhecimentos. Fomenta uma comunicação aberta e direta entre seus colegas, chefes, construtores e clientes, com o fim de vincular as considerações de sustentabilidade a longo prazo com a responsabilidade ética, e restabelecer a relação integral entre os processos naturais e a atividade humana.

- Veja também:
Vídeos Super adobe
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