Mostrando postagens com marcador Bambu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bambu. Mostrar todas as postagens

10 de fevereiro de 2011

CD Moradia

Aviso:
O site onde este CD estava hospedado foi tirado do ar recentemente pelo governo dos EUA. Até eu encontrar outro site semelhante e fazer o upload este CD ficará indisponível para download.
Os mini arquivos continuam disponíveis:
http://sustentacomuni.blogspot.com/2011/12/mini-arquivos.html
23 de janeiro de 2012



Por Adrian Rupp


Reuni na forma de um CD várias informações sobre como atingir a auto-sustentabilidade na construção de moradias.

São textos, imagens e vídeos sobre superadobe, permacultura, bioconstrução, bambu, etc.
Este CD não esgota o tema mas pode ser uma fonte de referencia interessante, principalmente na falta de Internet.
Reuni também vários artigos da Wikipédia sobre o tema.
Usei racionamento de mídia, nenhum arquivo tem 35 Megabytes ou mais. Isso melhora a preservação da mídia já que um pequeno aranhão não irá inutilizar os dados de todo o CD. Essa estratégia também favorece uma concentração maior de informações por mídia.

Endereço para baixar a imagem de CD:
http://www.megaupload.com/?d=5NB55LA9

Tamanho do arquivo: 695.77 MB

Você pode gravar um CD com essa imagem usando qualquer programa gravador de CDs como o Brasero ou K3b (para Linux).
Ou ainda montar a imagem de CD no disco rígido para visualizar o conteúdo dos arquivos sem gastar um novo CD. No Windows é necessário instalar um programa específico para fazer isso.

14 de setembro de 2010

Taquago

Por Adrian Rupp

Taquago: Jogo de montar feito com taquaras

Eu nunca fiz este jogo então tudo exposto aqui é teoria, mas imagino que um dia terei os recursos necessários para fazê-lo. Sei que já existe um jogo de montar peças de bambu chamado Bamcriar, mas não consegui detalhes de como ele é feito. Mas minha idéia surgiu por eu brincar muito com esse tipo de jogo na infância, porém usando peças de plástico e quando eu tentei fazer um jogo de xadrez de taquaras.

Jogos de montar são interessantes para o desenvolvimento intelectual das crianças. Brinquedos feitos com materiais naturais ajudam as crianças a terem intimidade com tais materias o que é importante para o uso destas materias-primas na vida adulta.

Não desenhei este jogo da melhor ou da única maneira possível. Isto é só uma sugestão. Por exemplo, as ranhuras para encaixe podem ser ignoradas e o jogo se limitar à empilhar as peças de modo criativo. Como a materia-prima e a produção são locais é possível criar novas peças e aperfeiçoar o jogo continuamente. Situação oposta ao jogos de montar de plástico onde as peças só se somam via compra e se perdem e se estragam poluindo o meio ambiente. Aqui está um brinquedo que não polui para provar que podemos superar o paradigma que só produz lixo.

Pelo pouco que sei sobre tratamento de bambu, manter as taquaras no Sol após o corte é o suficiente para a secagem, o que penso que basta de tratamento para esse uso.

Pequenas falhas de simetria, principalmente produzidas pela variação da espessura da parede das taquaras, não são um grande problema. Uma peça encaixar e outra não, um lado da peça encaixar e outra não, esse tipo de coisa reproduz bem a vida real e portanto tem caráter educativo.


Apresentação das Peças

Peça 1 - Roda

O jogo todo poderia se resumir a um conjuto dessas peças que podem ser empilhadas de diferentes formas. Mas Preferi um desenho mais sofisticado que permite montagens mais interessantes.

Não sei exatamente qual seria a medida ideal da altura, mas deve ser suficientemente alta para que seja possível manter a durabilidade mesmo com os furos que são feitos. É melhor que tenha quatro rasgos de encaixe permitindo encaixe em duas posições diferentes.
achei interessante que a peça fique de pé mesmo que seja posta de lado.

Peça 2 - Calha

Para fazer essa peça basta dividir a taquara ao meio e fazer as entradas para encaixe. O comprimento base que sugiro é o diametro externo da roda. Poderiam ser feitas com várias medidas: 1 roda, duas rodas e 3 rodas.
As ranhuras de encaixe poderiam ter diferentes orientações.

Peça 3 - Meia Calha

Para fazer essa peça basta dividir taquara ao meio e dividir essa metada ao meio novamente. Assim ela representa 1/4 do círculo.

Peça 4 - Viga

Essa peça representa 1/8 do círculo. É ela que faz a ligação entre as demais peças. As ranhuras das outras peças são feitas de tal modo que esta peça possa entrar. O comprimento pode variar como acontece com as outras peças, seguindo o diametro externo da taquara.

Aqui está então. Aceito sugestões de melhorias.

- Veja também:
Diferentes usos dos bambus
Vídeos Tricô de dedo

4 de setembro de 2010

Fazendo uma caneta de bambu

Por Marcelo Bresciani


Há alguns anos havia feito a minha primeira caneta de bambu, mais por empolgação que por funcionalidade, pois havia visto a canetade outro amigo artista e lembrei que há muito este foi o método mais sofisticado de escrita. Há pouco mais de um mês, fazendo alguns trabalhos com uma caneta tinteiro (tinta da china) e me frustar pela tinta que acabou muito rápido, decidi buscar recursos mais baratos. Voltei ao velho bambu e fiquei encantado, perdendo o preconceito quando vi outro artista no SESCTV usando este estiloso material.
Há alguns dias construí uma nova caneta melhorada, e o passo a passo disponibilizo aqui para quem quiser fazer a sua própria caneta.

Como montei a minha caneta bambu para desenho

Consegui com um garoto uma vara fina de bambu verde, com entre 1 e 1,5 centímetros de diâmetro. Deixei-o secar por dois meses. Acredito que o tempo se secagem não seja necessário, podendo a caneta ser feita com ele ainda verde.
Cortei a vara com aproximadamente 25cm de comprimento
Com uma faca apontei a extremidade de maior diâmetro deixando-a parecida com uma pena de aço, das canetas bico-de-pena.
Fiz um furo com uma furadeira no centro da pena e abri o canal com um estilete. O furo é importante para impedir que a fenda do bico se estenda por todo o corpo da caneta.
Com estes passos simples, vamos aos testes. Utilizando um bom nanquim
Cada caneta produzida, tem a sua característica de traço, como peça artesanal, cada uma será única.
Diferente das penas de aço, procurei deixar a ponta mais rustica, criando um traço espeço que é uma característica marcante e que aprecio em desenhos.
Quando molhei a caneta virgem na tinta, percebi que a primeira carga chupou muita tinta, preenchendo o corpo da ponta. O resultado obtido foi diferente, utilizando nanquim e tinta para caneta tinteiro que é mais fluído que a primeira. Para limpeza, não se preocupe em retirar por completo a marca da tinta, pois ela nunca sairá, passe de leve um pano ou um papel toalha removendo o excesso.
Como na escultura, a caneta já estava dentro do bambu, o artesão somente a descobriu ali dentro.
Acho o bambu rustico estiloso, porem é possível trabalhar o corpo da caneta com entalhes, tinta ou marcas de metal quente, ao gosto e criatividade do artista. A minha irá ficar assim. Curtí.

Fonte:
http://marcelobresciani.blogspot.com/2009/08/fazendo-uma-caneta-de-bambu.html

Outra versão:
http://translate.googleusercontent.com/translate_c?hl=pt-BR&langpair=en|pt&u=http://www.leighreyes.com/blog/%3Fp%3D1425&rurl=translate.google.com.br&usg=ALkJrhj5GgC1-YwqmXfq5eq755n84cfb1Q
How to Make a Feather Quill:
http://www.instructables.com/id/How-to-Make-a-Feather-Quill-2-ways/#step1
Algumas dicas para fazer tinta:
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en|pt&u=http://www.ehow.com/how_4794552_fountain-pen-ink.html



- Veja também:
Diferentes usos dos bambus
Informática Sustentável

25 de fevereiro de 2010

Construção de uma casa Mbyá

Trecho de um trabalho de mestrado que descreve o processo de construção de uma moradia de pau-a-pique de taquara com taipa de mão, própria dos Mbyá-Guarani.

Por Nauíra Zanardo Zanin

A coleta de dados realizada na Tekoa Koenju, em São Miguel das Missões, por ter sido realizada em várias visitas e com maior período de permanência que nas demais comunidades, permitiu o acompanhamento de etapas do processo construtivo de diferentes habitações. Também ocorreu a observação de uma etapa construtiva, registrada em vídeo pela equipe do INRC, no dia anterior à chegada do pesquisador a campo, de modo que foi possível observar a execução em vídeo e, posteriormente, visitar a construção na etapa em que se encontrava.

Os dados são referentes à observação de mais de uma construção, sendo observadas diferentes etapas, separadamente. Normalmente, a construção é interrompida em caso de chuva, pois a maioria das etapas depende de tempo bom, inclusive para o tratamento de alguns materiais. As etapas de construção das casas foram acompanhadas entre a primavera e o outono (outubro de 2005 a maio de 2006). Aparentemente, não há uma época definida para a construção de casas, pois mesmo durante o inverno de 2006 ocorreram novas construções.

Segundo dados levantados, a construção de uma casa pode levar de uma semana a mais de um mês, de acordo com a técnica utilizada e do local onde será construída, pois depende da acessibilidade aos materiais e influi na durabilidade da edificação. Segundo o Mbyá-Guarani 7, que é um ogapuá (construtor), para a construção de uma casa de taquara completa, com barro, são necessários 35 dias, em 4 a 5 pessoas. Um dos fatores que pode retardar a construção é a coleta do material: “demora para fazer a casa porque tem que buscar o material e preparar” (Mbyá-Guarani 12).

Apresenta-se o corte padrão das edificações (Figura 21), cuja execução foi acompanhada em campo. Neste desenho técnico está representada a nomenclatura Mbyá-Guarani utilizada para os elementos construtivos.

Alguns podem receber variadas denominações (ijytá - apoio, madeira, suporte). Houve a intenção de representar fielmente as diferentes partes da edificação, como a estrutura (ijytá), amarrações (ojokuaá), cobertura de taquara batida (takua oje kava’ekue), fechamentos (ikorá) e, em uma das paredes é representado o recobrimento com taipa de mão (yvy ó). Este desenho gráfico tem o intuito de auxiliar a compreensão das diferentes etapas construtivas, descritas adiante, de acordo com as observações e entrevistas realizadas em campo.



A seguir será descrita a seqüência do processo construtivo de uma casa da tipologia pau-a-pique de taquara com taipa de mão, ocorrente na Tekoa Koenju em São Miguel das Missões:

ETAPAS PROCESSO CONSTRUTIVO
TIPOLOGIA PAU-A-PIQUE DE TAQUARA COM TAIPA DE MÃO - TEKOA KOENJU
1 FUROS PARA FUNDAÇÃO
A primeira etapa na execução de uma casa são as fundações. São definidas as distâncias entre pilares, que correspondem às dimensões da casa. A forma é retangular e as dimensões variam, tendo como medidas mais freqüentes: 3,00x4,00 m, 4,00x5,00 m e 4,00x6,00 m. Na marcação dos furos podem ser utilizados pedaços de taquara, linha de pesca ou cordas, buscando-se distâncias equivalentes para os lados opostos. A fundação é o próprio pilar estrutural, que serve de estaca e os furos são circulares, com aproximadamente um palmo de diâmetro. São executados com cavadeira manual (yvy joá) e a terra também é retirada manualmente, de modo que o furo não excede em profundidade o comprimento do braço daquele que o executa. Em uma construção foram medidos buracos de 40 cm e, em outra, de 60 cm de profundidade.

2 LIMPEZA DO TERRENO
Antes de construir a casa, o pátio é limpo de todas ervas e gramíneas. Assim é configurado e mantido durante todo o uso da edificação. Depois de executarem os furos, começam a capinar com enxada, limpando o terreno sob o sol do meio-dia, para eliminar as raízes. O pátio deve ficar completamente limpo, com a terra exposta.

3 COLETA DO MATERIAL PARA ESTRUTURA
No dia seguinte à limpeza do terreno, saem pela manhã para o mato, a fim de coletar a madeira para a estrutura, que é cortada e carregada de carroça até o local da construção. Para os pilares, são preferíveis os troncos e galhos em forquilha, que devem ter aproximadamente 13 cm de diâmetro. São necessários seis pilares, dois com aproximadamente 250 cm e quatro com aproximadamente 150 cm. Para as vigas de cumeeira e frechais são preferíveis troncos de árvores retas, compridas e um pouco mais finas. São necessárias três vigas, com aproximadamente 500 cm de comprimento e 10 cm de diâmetro. A madeira deve ser cortada, preferencialmente, na lua minguante, assim como os demais elementos vegetais utilizados na construção. Os materiais cortados na lua nova terão menor durabilidade, sendo atacados por fungos e cupins: “para colher a madeira da casa é melhor na lua cheia, minguante ou crescente. Na lua nova não pode, porque fica com muito bicho” (Mbyá-Guarani 7).

4 MONTAGEM DA ESTRUTURA - IJYTÁ
A montagem da estrutura ocorre depois de deixarem os troncos lisos, sem felpas ou cascas. Quando, durante a coleta, não são encontrados troncos com terminação em forquilha, é necessário entalhar a cabeça do pilar para assentar a viga. A estrutura é simplesmente apoiada e não recebe amarrações, mesmo nos casos em que a estrutura é mais leve. Os pilares são encaixados nos buracos de fundação: os dois maiores, na mediatriz da fachada, e os quatro menores, nos cantos. A profundidade da estaca garante a rigidez estrutural. Depois de montada a estrutura, a altura final dos pilares centrais é de, aproximadamente, 2,00 m e laterais, de 1,00 m.

5 COLETA DO MATERIAL PARA COBERTURA
A madeira para a cobertura pode ter sido coletada juntamente com a madeira para a estrutura da casa, mas nos casos observados, a coleta ocorreu depois de montada a estrutura. A madeira para os caibros é bem mais delgada que a utilizada na estrutura, tendo aproximadamente 5 cm de diâmetro. Para os casos observados, devem ser coletados sete troncos finos para os caibros, com cerca de 250 cm de comprimento. A coleta da taquara também deve ser na lua certa (minguante), para que tenha maior durabilidade. Na lua nova não se deve cortar, nem plantar. A taquara também é retirada do mato e transportada, de carroça, até o local da construção, onde é trabalhada. É preciso deixar secar as taquaras ao sol, antes de usar. Antes de secar, as taquaras são talhadas no comprimento com facão. O cipó também deve ser cortado na lua minguante. Segundo Costa e Malhano (1987), é melhor colher o cipó em época de chuvas e mantê-lo molhado, para que permaneça maleável até sua utilização.

6 MONTAGEM COBERTURA - TAKUA OJE KAVA’ EKUE
Os caibros são amarrados firmemente às vigas da cobertura com cipó e podem receber um entalhe, para o melhor encaixe das peças. Acima dos caibros são enlaçadas ripas de meia taquara, com a parte interna voltada para baixo. Para produzir as telhas de cobertura, a taquara é talhada no sentido longitudinal e depois é batida para que se abra, formando uma folha. Primeiro, a taquara sofre este processo de rompimento das fibras, para, posteriormente, secar ao sol. Depois de seca, é dobrada no sentido transversal, com a superfície interna da folha para fora, e encaixada nas ripas de meia taquara, envelopando-as. As telhas (takua oje kava’ ekue) devem se sobrepor, a fim de cobrir a estrutura do telhado. Na cumeeira, as telhas de taquara são colocadas abertas e amarradas nas ripas. Em alguns casos podem ser colocadas taquaras enlaçadas com cipó, no sentido longitudinal do telhado, acima das telhas, para melhorar a fixação das mesmas.

7 FECHAMENTO DAS PAREDES – IKORÁ
O fechamento das paredes, observado na Tekoa Koenju, pode ser executado com taquara, troncos ou tábuas de pindó cravados no chão. Antes de iniciar o fechamento, externamente, são afixados travessões horizontais, pregados ou amarrados com cipó, na altura média dos pilares, para apoiar as tábuas. Nas paredes pode ser utilizada taquara verde, cortada ao meio e no comprimento necessário para fechar a parede. É feito um vinco na terra, para fincar a base da taquara. Ao serem colocadas no lugar, são enlaçadas com um cipó contínuo (emendado), com a parte de dentro da taquara voltada para o exterior. Depois, o vinco do solo é preenchido com terra, que é firmada com o pé. Caso decidam revestir as paredes com barro, taquaras cortadas ao meio são fixadas com cipó, externamente à parede, no sentido horizontal. A parte interior da taquara deve ficar voltada para fora.

8 COLOCAÇÃO DO REVESTIMENTO DE BARRO – INHARU KANGUÁ
Nenhuma das construções observadas foi revestida com barro durante o levantamento de campo. Contudo, foram observadas casas com este revestimento e levantadas informações junto aos entrevistados. Observou-se que este acabamento só é imprescindível na Opy e as demais edificações podem ficar sem barro. Segundo o Mbyá-Guarani 7, é colocada apenas uma camada de barro nas paredes. O Mbyá-Guarani 21 complementou a informação, dizendo que o acabamento com barro é feito por fora e por dentro. Em alguns casos, primeiro executam o revestimento por fora e depois fazem por dentro. Esta é uma etapa que deve ser executada com tempo seco. A técnica construtiva utilizada, conhecida como taipa de mão, é realizada sobre a estrutura de pau-a-pique, com o objetivo de preencher as frestas entre as varas de madeira que compõe o tramado. Os Mbyá denominam a parede revestida de barro de yvy ó. O Mbyá-Guarani 14, um jovem Mbyá, explicou que, para preparar o barro, separa-se a terra boa, sem pedras, com uma enxada. Adiciona-se água e então a mistura é bem pisada, até obter uma consistência homogênea para passar na parede. No transporte do barro até o local da construção, geralmente são utilizados carrinho de mão ou baldes. A mistura é, então, colocada na parede com a mão e depois alisada cuidadosamente. Se cair o barro, coloca-se novamente. O barro é alisado manualmente, deixando impressa em linhas horizontais a direção dos dedos daquele que o executou. No acabamento final da parede externa ficam visíveis as linhas horizontais das taquaras que fazem parte do tramado de pau-a-pique. Ao finalizar a construção, é sulcado um dreno no chão, evitando que a água da cobertura corra em direção ao interior da casa. Segundo o Cacique Cirilo (SEVERGININI & WANDAME, 2005) o contato com o barro durante a construção garante que a pessoa não esqueça mais como se constrói. Cacique Cirilo (SEVERGININI & WANDAME, 2005) explica que o piso da casa é de chão batido, criando um degrau do exterior para o interior, para proteger da umidade.


As informações deste capítulo foram obtidas junto às comunidades que fazem parte deste estudo, no intuito de registrar o papel da casa tradicional autóctone Mbyá-Guarani, para as pessoas que nelas vivem. Ressalta-se que as técnicas utilizadas fazem parte da tradição construtiva e, provavelmente, foram desenvolvidas e adaptadas ao longo de gerações a fim de atingir o desempenho que hoje apresentam. Sendo assim, é fundamental reconhecer que estas soluções são moldadas pela cultura e, desta forma, atendem às reais necessidades de seus usuários. Coloca-se, ainda, que o fortalecimento deste saber construtivo, traz consigo a valorização cultural e o reconhecimento dos maiores conhecedores das técnicas, materiais e significados destas habitações – os Mbyá-Guarani.

Fonte: http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/10697

- Veja também:
Diferentes usos dos bambus
Coberturas Naturais

23 de outubro de 2009

Diferentes usos dos bambus

Por Roberto Magno de Castro e Silva

O bambu sempre esteve presente na cultura e na vida diária do homem primitivo de todos os continentes com exceção da Europa que não tem o bambu na forma nativa. O uso do bambu no oriente remonta há quase cinco mil anos e há mais de quinhentos anos na América do Sul. Na cultura chinesa, o bambu é símbolo de amabilidade, modéstia e serenidade, no Vietnã é tido como um irmão, e na Índia como ouro verde. Nos tempos mais remotos o bambu era empregado na fabricação de arcos e flechas, habitações, utensílios domésticos, embarcações e outros. Mais tarde o bambu foi matéria prima na construção da primeira lâmpada, avião e bicicleta (Salgado et al, 1992). Nos dias atuais os colmos e folhas do bambu são largamente empregados na produção de papel, desinfetantes, baterias, tecidos, cervejas e outra centena de usos.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente (2004), o Brasil apresenta um déficit de 200 mil hectares anuais de florestas plantadas para consumo. Tal situação tem levado a importação de madeira serrada proveniente do cone sul, especialmente do Uruguai que se encontra no raio de operação das indústrias moveleiras do Sul do país. Por outro lado, a baixa oferta de lenha e carvão já é um fator restritivo para a expansão da indústria brasileira. O bambu embora seja uma gramínea, possui características agronômicas e tecnológicas que o torna uma matéria prima alternativa a madeira e capaz de fazer frente às demandas emergente de diversos setores da indústria de base florestal. No mundo, particularmente na Ásia, existe produção em grande escala de parquetes, painéis, móveis, papel e tecidos provenientes do bambu. Na Índia, China e Colômbia esta planta está inclusa em vários programas governamentais de fomento e pesquisas relacionados ao seu cultivo e aproveitamento industrial.

No Brasil a exploração do bambu praticamente se restringe aos usos tradicionais como balaios, tutores na agricultura e construções provisórias. A exceção mais expressiva é a produção de papel cartão duplex de Bambusa vulgaris, por uma empresa nordestina com uma capacidade instalada de 72 mil toneladas anual. O uso desta matéria prima na movelaria, construção civil e indústria ainda se encontram num estágio bastante rudimentar no Brasil. Na contra-mão desta situação arquitetos, engenheiros, artesãos e alguns pesquisadores vêm estudando e confirmando o grande potencial econômico e social desta matéria prima. Os resultados obtidos com estes estudos apontam para uma necessidade de mais investigações científicas relacionadas aos aspectos silviculturais e dos usos múltiplos do bambu.


O bambu na construção civil

No setor da construção civil, o uso do bambu é bastante difundido na Ásia e em outros países da América Latina, como Peru, Equador, Costa Rica e Colômbia, onde vários exemplos de edificações confirmam sua potencialidade. Para o uso do bambu em grande escala como material de engenharia economicamente viável se faz necessário um estudo científico sistemático. Estes estudos devem contemplar técnicas de cultivo, colheita, cura, tratamento e pós-tratamento, além de uma completa análise estatística das propriedades físicas e mecânicas do colmo do bambu inteiro (Ghavami & Marinho, 2001).

Até o presente, e de um modo geral, o emprego do bambu em construção se faz de forma empírica baseado geralmente nos sistemas tradicionais estabelecidos em cada país, e que algumas vezes estão regidos por crenças e critérios que, por serem equivocados, interferem na evolução da arquitetura e na aplicação mais adequada desse material (Salgado et al., 1992). Entretanto edificações luxuosas, verdadeiras obras primas do ponto de vista arquitetônico, tem sido construídas para atender uma demanda cada vez maior de pessoas de alto poder aquisitivo. Vale neste caso, ressaltar o trabalho dos arquitetos Oscar Hidalgo e Simon Vélez na Colômbia que pela sua técnica refinada tem difundido o uso adequado do bambu na construção civil.
Os colmos do bambu possuem excelentes propriedades físicas e mecânicas que podem ser utilizadas em lugar do aço para fabricação de estruturas de concretos (Ghavami, 2001). Diversos trabalhos foram conduzidos em vários países atestando a qualidade do bambu como material para construção quando se considera a suas características físicas e mecânicas. As propriedades mecânicas do bambu são fortemente afetadas pela idade, espécie e teor de umidade. Contudo segundo (Pereira, 2001) o teor de fibras é o principal responsável pela sua resistência. O bambu alcança sua resistência máxima a partir dos três anos quando atinge a sua maturidade e colmos secos são mais resistentes do que os verdes. Existe um aumento na resistência do colmo à tração e compressão até os seis anos de idade e até oito anos na resistência à flexão, ocorrendo uma diminuição de todas estas características em colmos mais velhos.

A densidade dos bambus varia entre 500 a 800 kg/m³, dependendo principalmente do tamanho, quantidade e distribuição dos aglomerados de fibras ao redor dos feixes vasculares. Estas diferenças são menores mais perto do topo, devido ao aumento da densidade na parte interna e redução na espessura da parede, que apresenta internamente menos parênquima e mais fibra (Pereira, 2001).

Em virtude da orientação das fibras serem paralelas ao eixo do colmo, o bambu resiste mais à tração do que à compressão. O módulo de elasticidade varia em função da posição do colmo. Nos nós, o valor do módulo de elasticidade é maior em virtude da concentração de sílica. Na parte externa este valor é cerca de 14% maior que na parte interna. (Ghavami, 2001).

O conforto térmico proporcionado pelas construções com bambu é outra boa característica que qualifica este material para a construção. Através de experimentos (Ghavami, 2001) comprovou que a condutividade térmica do bambu para uma transmissão de calor radial é 15% menor do que para madeira, nas mesmas condições de umidade. Para uma transmissão de calor longitudinal, a condutividade é 25% menor que na madeira.

As construções com bambu devem contemplar projetos com beirais bastante avançados com o intuito de evitar a sua exposição à chuva e sol. Os pilares não devem tocar diretamente o piso seguindo desta forma sabedoria popular colombiana que diz: construções com bambus carecem de boas botas e um bom chapéu.


A celulose do bambu para a fabricação de papel e tecido

A capacidade mundial de produção de polpa de celulose está em torno de 1,46 milhões de toneladas, aproximadamente 80% das quais estão na China e Índia (Desai & Rao, 2004).

As espécies dos gêneros Eucalyptus e Pinus são os maiores fornecedores de fibras para a produção de celulose no Brasil. Os Pinus sp constituem importante fonte de fibra longa para produção de celulose, mas essas espécies apresentam crescimento relativamente lento e são desaconselhadas para o reflorestamento em várias regiões do Brasil (Gomide et al, 1982). O bambu não obstante apresentar características agronômicas e tecnológicas altamente desejáveis na obtenção de celulose, não foi tão bem estudado quanto estas duas espécies e, portanto carece de mais pesquisas para este fim. Estes estudos deveriam ser direcionados não só ao processo industrial, mas também aos aspectos agronômicos como nutrição, espaçamento e avaliação das diferentes espécies de bambus existentes no Brasil.

O bambu como matéria prima para papel tem as fibras estreitas como a do Eucalyptus sp e longas como as do Pinus sp, proporcionando um perfeito entrelaçamento e conferindo grande resistência aos produtos fabricados (Itapagé, 2005). No que se refere aos aspectos agronômicos, supera estas duas espécies devido a sua maior facilidade de cultivo e adaptação a solos marginais e a uma maior amplitude climática.

No Nordeste brasileiro são cultivados mais de quarenta mil hectares de Bambusa vulgaris para a produção de pasta celulósica (Itapagé, 2005). As duas unidades de celulose pertencentes a um mesmo grupo se localizam nos municípios de Coelho Neto, no Maranhão e Jaboatão dos Guararapes no Estado de Pernambuco. A capacidade instalada é de 72 000 toneladas/ano e já iniciou um plano de expansão que elevará a produção anual de papel para 144 000 toneladas/ano. O bambu é submetido ao corte raso e picado na floresta por meio de picadores móveis. Já na fábrica é peneirada e a fração não adequada à produção do papel é destinada à geração de energia. O papel produzido além de atender os padrões de exigência do mercado não apresenta nenhum resíduo de enxofre. O processo de produção de pasta celulósica de bambu tende a ser mais viável quando associado à produção do álcool a partir da sacarificação do amido presente nos seus parênquimas. O amido contido nos cavacos reduz a conversão em celulose ou fibras celulósicas e eleva o consumo de reagentes demandados no processo de deslignificação Azzini & Gondim-Tomaz (1996).

Azzini etl al.(1987) concluiu ser tecnicamente possível a produção conjunta de etanol e fibras celulósicas a partir do bambu. Os rendimentos em fibras celulósicas (46,85 a 56,04%) e etanol (12,77 a 14,79 litros/100 kg de cavacos) foram mais elevados nas regiões mediana e ponta dos colmos mais velhos. O rendimento em fibras brutas ou fração fibrosa (69,35 a 76,35%) foi mais elevado nos cavacos provenientes dos colmos mais novos. Para a extração do amido é necessário o rompimento das células parenquimáticas através de um processo mecânico e químico. Em seguida o amido é separado por arraste em água. Os efeitos da concentração de hidróxido de sódio, tempo de tratamento, tempo de desfibramento e idade dos colmos na extração do amido de bambu foram estudados por Azzini & Gondim-Tomaz (1996).


O Bambu na produção de carvão

O bambu como biomassa para a geração de energia tem um grande potencial tanto na forma de lenha como para a produção de carvão. O poder calorífico do carvão de bambu não difere muito do eucalipto que é a matéria prima de referência para este fim (Tabela 6).

O carvão de bambu apresenta uma grande vantagem em relação ao de qualquer outra lenhosa quando destinado à produção de carvão ativado. Tal vantagem diz respeito ao fato do carvão do bambu apresentar aproximadamente o dobro da área de superfície do carvão proveniente das outras matérias primas. Isto confere a carvão do bambu um maior poder de adsorção de sólidos e gases. O carvão do bambu tem, entre outras, aplicações na medicina e filtros de alto rendimento.


O bambu na movelaria e artesanato

A inconstância na oferta da matéria prima de qualidade e padronizada é um dos principais fatores restritivos à expansão da indústria moveleira no Brasil. Grande parte desta oferta tem como origem as florestas nativas que nos últimos anos tem sido reduzida por força da legislação ambiental e da própria redução dos estoques naturais. O bambu roliço ou laminado se constitui numa excelente alternativa a madeira na fabricação de móveis.

Na Ásia existe uma intensa produção de móveis e artesanatos de bambu destinado ao mercado interno e de exportação. Para tanto os artesãos deste continente dominam uma refinada técnica que qualifica tais produtos para um mercado exigente. Já no Brasil o emprego do bambu para este fim se dá numa intensidade muito abaixo do potencial. De um modo geral são poucos os móveis produzidos em bambu no Brasil com a qualidade dos asiáticos e Colombianos. Diferentemente dos países asiáticos, a espécie mais empregada no Brasil para este fim é o Phyllostachys aurea, em detrimento dos bambus de maior diâmetro. Esta espécie apresenta a vantagem de ser facilmente curvada mediante aquecimento das suas fibras e ter uma grande resistência ao ataque de Dinoderus minutus, caruncho do bambu. Na Colômbia, talvez motivado pela sua abundância e domínio sobre os processos de imunização, a espécie Guadua angustifolia é a mais empregada na fabricação de móveis.

O emprego do bambu laminado colado, devido ser um material totalmente padronizado, em relação ao bambu roliço, proporciona uma maior flexibilidade na produção de móveis seriados. Estes móveis devido à resistência e aos seus aspectos estéticos podem, sem restrições, concorrer no mercado dos móveis de madeira sólida. Nas páginas especializadas da rede mundial de computadores, pode ser encontrada uma grande oferta destes móveis a partir da palavras-chaves “bamboo furniture” ou “bamboo flooring”. O laminado de bambu é produzido e exportado em grande escala por vários países na Ásia.

Koga et al (2002) realizaram um estudo comparativo da resistência ao desgaste abrasivo de laminados de ipê, peroba-rosa, maçaranduba e Dendrocalamus giganteus Neste estudo o sautores concluiram que o laminado de bambu teve uma resistência à abrasão semelhante ou superior aos demais laminados das outras espécies. Um problema relativo à produção de laminados de madeiras e bambus é o uso de adesivos a base de fenol-formaldeído. Este produto apresenta alguns fatores negativos, tais como: consumo de energia por precisar de altas temperaturas para a cura (130°C a 160°C), o preço alto do fenol e a toxidade. Um adesivo alternativo é o poliuretano à base de mamona que é impermeável, inofensivo ao meio ambiente e ao ser humano. Sua cura é processada com temperatura ambiente, podendo ser acelerada com temperatura de 60°C e estima-se que quando colocado no mercado poderá atingir preços bem satisfatórios (Dias & Lahr ,2003).

No Brasil ainda não existem fábricas de móveis de bambu laminado e as pesquisas para o desenvolvimento desta tecnologia são tímidas.

O bambu é reconhecidamente um dos materiais mais versáteis para a produção de artesanato. Isto se deve ao fato de ser o bambu uma matéria prima de fácil obtenção, barata e que demanda ferramentas simples na sua transformação. Além disso, o bambu é também um material de grande plasticidade e de fácil combinação com outros materiais, permitindo ao artista ou artesão expressar o seu talento nas mais variadas formas. Aceita facilmente a colagem, responde bem ao acabamento com lixa e verniz e pode ser utilizado na sua forma natural cilíndrica ou plana quando desdobrado.

As varas mais finas dos bambus, após serem cheias com areia fina, podem sem maiores dificuldades, serem curvadas com a aplicação de fogo. Tal procedimento pode também ser realizado com ar quente, vapor e água quente, apresentando estes métodos à vantagem de não carbonizar o bambu nos pontos em que se deseja curvar.
O bambu é um material amplamente solicitado na produção de instrumentos musicais tais como saxofones, flautas, alguns instrumentos de corda e percussão. Existem bandas e orquestras que usam exclusivamente instrumentos de bambus nas suas apresentações.

A cestaria é outra linha de artesanato com bambu produzido em escala para exportação principalmente nos países asiáticos. A excelente qualidade da cestaria destes países se deve a boa qualificação da mão-de-obra e também a disponibilidade de máquinas que auxiliam no processo de produção.


O bambu na alimentação humana

A utilização no Brasil do bambu como alimento é pouco difundida, se restringindo praticamente as pessoas de origem asiática. Na Ásia o broto do bambu, conhecido como “bamboo shoot”, constitui-se numa importante fonte de divisa sendo produzido em sistema artesanal e industrial para o mercado interno e exportação (NMBA, 2004).


O bambu no meio rural

O uso do bambu no meio rural no Brasil se dá de forma bastante rudimentar e muito a baixo das potencialidades desta planta. A confecção de balaios ou jacás para o transporte de milho é tão comum que este recipiente se transformou numa unidade de medida no comércio deste cereal no meio rural. As regiões produtoras de tomate tutorado demandam uma grande quantidade de varas de bambu para o tutoramento desta cultura. É freqüente a aquisição destes tutores de regiões que distam mais de quinhentos quilômetros das áreas cultivadas e isto tem elevado significativamente o custo deste insumo. As espécies preferidas para este fim são Bambusa tuldoides e Phyllostachys aurea.

O bambu é uma matéria prima com grande potencial para a melhoria da qualidade da habitação rural brasileira. São muitos os moradores da zona rural que mesmo dispondo deste material em suas propriedades, se privam de uma moradia adequada por desconhecimento das melhores técnicas de construção com bambu. É importante considerar ainda que toda a mobília e vários utensílios domésticos podem ser confeccionados a partir desta matéria-prima.

O bambu a exemplo da Colômbia e outros países, pode ser empregado também na construção de galpões, estábulos, pontes, cochos, galinheiros e outras necessidades desde que se promova a capacitação do trabalhador rural para este fim.

Pereira (1997) desenvolveu um método bastante funcional que permite a irrigação por aspersão por meio de tubos de bambus confeccionados a partir dos colmos de Dendrocalamus giganteus. Este sistema de irrigação foi mantido em funcionamento durante seis anos quando se empregou bambus tratados e durante um tempo médio de um e dois anos quando utilizado bambus não tratados.

Fonte:
http://www.embambu.com.br/imagens/bambu_brasil_mundo.pdf
ou
http://br.dir.groups.yahoo.com/group/bambu-brasil/message/21065


- Veja também:
Videos Construção com Bambu
Cedrella fissilis (Cedro)

12 de setembro de 2009

Videos Construção com Bambu

Seleção de vídeos sobre construções com bambu.

- Momento Ambiental Bambu
Vantagens do uso de bambu:
http://www.youtube.com/watch?v=X6R0ilr-zsE


- Cidades e Soluções - 20070429 Construções com bambu
Mostra como escolher o bambu e a possibilidade de substituir aço:
http://video.google.com/videoplay?docid=-8538004607202119344&ei=qwOpSpimCpC2rgLJ7ISoAw&q=bambu


- Curso de técnicas construtivas com bambu
Usinagem do bambu para construção:
http://www.youtube.com/watch?v=8gAT1NueSYU&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=bP2DtD3Nqtc&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=FXFqrRUtqRk
http://www.youtube.com/watch?v=zl4CVXwM7go&NR=1









Bamboo Architecture - Arquitectura en Bambú
palestra sobre trabalho com bambu (em espanhol):
http://www.youtube.com/watch?v=7kdmW6Cgbqc&NR=1



- Veja também:
Vídeos Super adobe
Princí­pios da Bioconstrução
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...